Brazilian Chaos — esse é o nome da turnê com a qual o DJ, produtor, cantor e compositor Pedro Sampaio vem percorrendo a Europa desde o dia 12, quando se apresentou em Zurique, na Suíça. Mas hoje é o dia da aclamação: pela primeira vez ele ocupa o Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa, que começa sua edição de 2026 justamente neste sábado (20), no Parque Tejo. Será a prova de fogo do artista carioca de 28 anos, que dominou as paradas do último verão com a música “Jetski”, gravada com a cantora Melody e o MC Meno K.
— O caos, nesse caso, não é desordem, mas sim criatividade, movimento e transformação. O espetáculo reúne tudo o que faz parte da minha identidade artística e eu conecto tudo isso à força do funk e dos ritmos brasileiros. Para o Rock in Rio Lisboa, a turnê ganhou uma identidade visual completamente renovada — promete ele, em entrevista por WhatsApp. — A cenografia foi inspirada na erupção de um vulcão e em toda a energia que esse fenômeno representa: fogo, calor, potência e renovação. É um conceito que simboliza um caos que nasce de dentro para fora, representando transformação, renascimento e construção, e assim, uma evolução e expansão da minha carreira mundo afora.
Aparentemente, o Rock in Rio Lisboa não tem mistérios para Pedro Sampaio.
— Em 2024, tive a oportunidade de me apresentar no festival pela primeira vez, no Palco Gap. Voltar em 2026, para o palco Mundo representa uma evolução muito significativa dentro da minha trajetória. Ainda mais em um dia que reúne artistas como Alok, Katy Perry e Charlie Puth, nomes reconhecidos mundialmente — observa. — Minha relação com o público português é incrível, talvez só perca para a dos brasileiros. Sempre me senti acolhido e em casa no país, e essa conexão também se reflete, por exemplo, em músicas como “Pocpoc”, “Jetski” e “Dançarina” no topo das paradas portuguesas. Eles são surreais!
A narrativa da “Brazilian Chaos Tour”, segundo Pedro, nasceu de sua apresentação festival paulistano The Town, em 2025, e desde então “vem evoluindo a cada apresentação internacional”. O que esperar, então para o seu show quando ele chegar ao palco Mundo do Rock in Rio, em sua cidade natal, em setembro?
— O que levaremos para Lisboa será especial, com elementos inéditos, mas mantendo a essência do conceito da turnê. Já em setembro será uma experiência completamente diferente. Estar no Brasil, em um festival tão importante para a música nacional, traz uma carga emocional única. É tocar em casa, e isso sempre torna tudo mais grandioso — diz ele, fazendo mistério.
Batida única
Pedro diz perceber cada vez mais, entre o público de suas apresentações no exterior, “um reconhecimento mais claro da identidade dos ritmos brasileiros”.
— O funk, por exemplo, tem uma batida única. Não existe nada igual no mundo. Quando ela toca, o público já associa imediatamente ao Brasil. Hoje, quando subo ao palco em outro país, sinto que não estou levando apenas as minhas músicas, mas também uma representação da cultura brasileira e da diversidade dos nossos ritmos — acredita. — É algo que faz parte da minha identidade artística: conectar o funk a outros ritmos, referências e influências sem perder a essência brasileira. Espero contribuir para que a música brasileira ocupe cada vez mais espaço no mundo, mas isso é resultado do trabalho de muitos artistas que valorizam e celebram a nossa cultura, as nossas origens e as nossas tradições.
O DJ jura não sentir pressão alguma para emplacar um hit daqueles, que cheguem ao topo das paradas globais.
— Não me sinto pressionado, mas me sinto disposto a criar músicas que as pessoas queiram ouvir, cantar, dançar e compartilhar, independentemente de onde estejam. Seja no Brasil, no México, nos Estados Unidos, na Europa ou em qualquer outro lugar do mundo — discorre. — É claro que alcançar as paradas globais é algo com que todo artista sonha, mas prefiro encarar isso como uma consequência do trabalho. O que mais me anima é perceber que a minha música já está ultrapassando fronteiras e encontrando públicos cada vez maiores. Quando vejo 65 mil mexicanos cantando e dançando “Cavalinho”, vejo que criar experiências que façam sentido para as pessoas é o melhor caminho para chegar lá.
A fazer turnê no meio de uma Copa do Mundo. É bom ou ruim?
— Acredito que futebol e música formam uma combinação natural porque ambos despertam paixão, emoção e sentimento de pertencimento. Eles têm a capacidade de unir pessoas de diferentes origens em torno de uma mesma experiência — analisa. — Durante uma turnê nesse período, isso fica ainda mais evidente. Encontrar brasileiros em diferentes países do mundo ganha um significado especial. Estamos longe de casa, cercados por outras culturas, mas compartilhando algo que nos conecta imediatamente: o Brasil. Nesses momentos, a música acaba se tornando uma extensão dessa celebração.
Silvio Essinger viajou a convite da organização do festival

