Esta tem sido a Copa do Mundo dos gols de longa distância, e especialistas em goleiros agora acreditam que um velho conhecido pode estar por trás do fenômeno: a bola.
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Mais de dez gols já foram marcados de fora da área com a Trionda, bola oficial do torneio produzida pela Adidas. Também chamam atenção os gols em rebotes, depois de goleiros falharem ao tentar defender chutes com efeito.
Analistas notaram que a bola tem chegado aos goleiros mais rápido do que o esperado. Esse pode ter sido o caso no primeiro gol da Croácia contra a Inglaterra, no AT&T Stadium, em jogo disputado com o teto fechado e ar-condicionado. Jordan Pickford chegou a tocar na bola, mas não conseguiu impedir o gol.
A seleção inglesa, comandada por Thomas Tuchel, ainda pode enfrentar condições bastante diferentes ao longo do torneio. Caso vença o Grupo L e avance na fase de 32, a equipe deve jogar em altitude elevada na Cidade do México.
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“Há uma ou duas ocasiões em que esta bola não necessariamente se comportou como se esperaria”, disse Paul Robinson, ex-goleiro da Inglaterra que atua como comentarista da BBC.
“É algo para ficar de olho. Aquele jogo [da Inglaterra] foi disputado em um estádio fechado, com ar-condicionado. Essas condições vão afetar a bola. A Cidade do México, em altitude elevada, vai afetar a bola, e jogar em Boston e Nova Jersey no calor também são condições que causam efeito”, afirmou.
O gol de Martin Baturina, da Croácia, chamou a atenção de especialistas. Pickford tocou na bola com o polegar quando ela veio de cerca de 20 metros, mas ela acabou passando por cima da luva, em vez de ir para o lado. Joe Hart, outro ex-goleiro da Inglaterra, trabalhava como analista na partida e percebeu que a bola chegou a Pickford mais rápido do que o esperado.
O primeiro gol de Lionel Messi em seu hat-trick contra a Argélia também saiu de longa distância, em um chute que desviou de forma traiçoeira antes de passar por Luca Zidane. O goleiro argelino, filho do ex-jogador Zinedine Zidane, também rebateu mal um chute de longe de Alexis Mac Allister.
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O austríaco Romano Schmid marcou o primeiro golaço de longa distância do torneio. Já Yasin Ayari, do Brighton and Hove Albion, fez dois gols de fora da área na vitória da Suécia sobre a Tunísia, ambos em chutes fortes. Nathan Saliba marcou de falta direta, enquanto Kylian Mbappé também balançou a rede em finalização de longe.
Os números mostram um cenário curioso. A média de finalizações de fora da área por jogo é relativamente baixa, de 9,3, a segunda menor registrada desde 1966. Ainda assim, a média de 3,18 gols por partida é a maior desde o ano em que a Inglaterra conquistou a Taça Jules Rimet em Wembley. O torneio também registra um número elevado de erros: 0,54 por jogo.
As condições climáticas e geográficas podem ajudar a explicar parte do comportamento da bola. Em altitudes elevadas, o ar é mais rarefeito, o que reduz a resistência e faz com que a bola viaje, em geral, mais longe e mais rápido do que ao nível do mar. O mesmo ocorre em temperaturas altas, o que pode ser um problema para a Inglaterra e outras seleções em estádios sem ar-condicionado.
A polêmica com bolas de Copa do Mundo não é nova. Há quatro anos, no Catar, a Al Rihla, também da Adidas, dava aos jogadores a sensação de ser mais leve no chute. “Parece que, se você colocar força demais, ela simplesmente vai embora”, disse Kieran Trippier à época.
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Em 2010, a Jabulani foi alvo de críticas de goleiros por causa do movimento extremo da bola e do alto número de gols de longe. David James a chamou de “horrível”, enquanto Hugo Lloris classificou a bola como um “desastre”. Outros jogadores também reclamaram, apesar de a Adidas afirmar que aquela era a “bola mais redonda já produzida”.
