Em setembro de 2024, a fisioterapeuta Carla Rygaard, de 34 anos, gravava sozinha um vídeo para divulgar seu estúdio de pilates quando um acidente mudou completamente sua rotina. Ao executar um movimento conhecido como shoulder stand, em que o praticante fica de ponta-cabeça, ela perdeu a sustentação, caiu de costas no chão e fraturou a coluna.
Acostumada a realizar o exercício como instrutora, Carla atribui o acidente ao desgaste físico daquele dia. Logo após a queda, a dor intensa a fez perceber a gravidade da situação.
— Visualmente é uma postura linda, porém exige muito controle. Eu já o tinha realizado diversas vezes como instrutora de pilates. Só que, dessa vez, eu estava cansada e não consegui me sustentar na posição — relembrou à revista Maire Claire.
Sem o celular por perto, ela precisou usar a força dos braços para conseguir se levantar e pedir ajuda. Já no hospital, exames confirmaram a fratura na coluna e o deslocamento de uma vértebra. Apesar da gravidade da lesão, o caso não exigiu cirurgia. Carla deixou o pronto-socorro com a recomendação de usar um colete ortopédico por dois meses.
Relembre:
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Da recuperação ao sonho da meia maratona
Durante o período de recuperação, a fisioterapeuta passou a acompanhar nas redes sociais conteúdos sobre corrida de rua e transformou a curiosidade em objetivo pessoal. Liberada pelo neurocirurgião apenas para caminhadas, ouviu que dificilmente conseguiria avançar para atividades mais intensas.
A primeira tentativa foi frustrante. Em dezembro de 2024, ela não conseguiu caminhar 200 metros sem dor. Mesmo assim, decidiu insistir. Poucas semanas depois, começou a alternar caminhada e trote e se inscreveu em sua primeira corrida de 5 quilômetros.
— Não estava ligando para o fato de não conseguir correr ainda; estava realizando meu sonho de estar ali depois de tudo o que tinha passado — contou.
Com apoio do namorado, que é personal trainer, Carla evoluiu gradualmente. Em maio de 2025, completou uma prova de 5 quilômetros correndo do início ao fim. Mais tarde, alcançou a marca de 15 quilômetros e estabeleceu um novo objetivo: tornar-se meia-maratonista. Atualmente, ela treina com acompanhamento profissional para disputar uma prova de 21 quilômetros prevista para novembro deste ano.
— A fratura mudou minha vida. Sei que não foi, não é e nem vai ser fácil, mas estou disposta a sempre seguir em frente — afirmou.
Especialistas destacam que o episódio não coloca em xeque a segurança do pilates. Segundo a fisioterapeuta Carolina Campanari Rorato, especialista em pilates e reabilitação postural, o método é considerado um dos mais seguros quando executado de forma adequada e com supervisão profissional. Ela ressalta que lesões costumam estar associadas a fatores como progressão inadequada dos exercícios, fadiga, limitações individuais ou execução incorreta, e não ao método em si.

