Última adversária da seleção brasileira na Copa do Mundo, a Escócia é um time que, embora não tenha a mesma qualidade técnica de Marrocos, possui um elenco com alguns nomes de peso no futebol europeu. Entre eles, o principal destaque é Scott McTominay. Revelado pelo Manchester United-ING e ídolo do Napoli-ITA, o meio-campista chega ao Mundial com o sonho de levar o país à próxima fase pela primeira vez na história.
Embora defenda a seleção escocesa desde 2018, McTominay nasceu na Inglaterra. Filho de pai escocês, o meia é mais um entre os 292 jogadores que atuam por países que não são a respectiva terra-natal.
Ex-técnico da Escócia, Alex McLeish é um dos principais responsáveis pela presença de McTominay na seleção do país. Em 2018, quando o atleta começava a trilhar seu caminho entre os profissionais do United após se destacar nas categorias de base, McLeish viajou até Manchester para encontra-lo. A viagem, feita durante uma época de muitas chuvas e condições climáticas ruins na cidade inglesa, comoveu o meio-campista. Nos bastidores, foi comparado o esforço feito pelos escoceses em relação aos membros da comissão da Inglaterra, que até chegaram a entrar em contato com o atleta, mas por telefone.
Além dos familiares e dos membros da comissão técnica da Escócia, a relação de McTominay com o país contou com o “empurrãozinho” de uma pessoa em especial. Técnico do Manchester United entre 1986 e 2013, o escocês Alex Fergunson não chegou a trabalhar com o volante entre os profissionais. Ainda assim, maior treinador da história dos Red Devils, o comandante chegou a sugerir que o meia atuasse pelo país. A revelação foi feita pelo avô de McTominay.
De lá para cá, foram mais de 70 partidas de McTominay só como capitão da Escócia. Ainda que John McGinn seja o dono da braçadeira durante a Copa do Mundo, isso não muda a influência do meio-campista para a seleção dentro e fora dos gramados.
Taticamente, McTominay se tornou um meia versátil. Se era utilizado de forma mais defensiva nos tempos de United, o período de sucesso no Napoli e a falta de nomes de destaque no setor ofensivo da Escócia fizeram com que seu posicionamento fosse adiantado. Nesta Copa do Mundo, ele já foi utilizado como meio-campista pela direita em um 4-4-2 na vitória (1 a 0) contra o Haiti, e como meia-atacante no 4-4-1-1 da derrota (1 a 0) contra Marrocos.
Mas, sem sombra de dúvidas, o momento de maior brilho de McTominay com a Escócia se deu em novembro do ano passado. Em partida decisiva contra a Dinamarca, o meio-campista marcou um golaço de bicicleta para abrir os caminhos da vitória de sua seleção por 4 a 2. O resultado garantiu a classificação dos escoceses para a Copa do Mundo depois de 28 anos.
Essa não foi a única demonstração de admiração recebida por Scott McTominay nos últimos anos. Com 13 gols e quatro assistências em 36 partidas na temporada 2024/25, sua primeira no Napoli, o meio-campista foi eleito o MVP da temporada em que sua equipe conquistou o título do campeonato italiano pela quarta vez na história. Em terra onde Diego Maradona é considerado “Deus”, McTominay virou “Jesus”.
Utilizada pela primeira vez pelo filho do craque argentino, a expressão foi incrivelmente abraçada pelos torcedores em Nápoles. Foram espalhadas várias imagens do meio-campista pela cidade. O formato das homenagens lembrava a de um santuário.
Com média de 45 ações com a bola por partida na Copa do Mundo, McTominay tem características de combate no meio-campo e boa aparição na área como elemento surpresa. Os 1,93m de altura fazem do meia destro uma boa arma também na bola parada. Naturalmente, as investidas do camisa 4 são pela direita. Mas, com liberdade para flutuar pelo campo, é importante que a seleção brasileira esteja atento com ele em todos os setores.

