A vidente conhecida como Vó Bahiana viralizou ao prever uma invasão alienígena durante o jogo entre Brasil e Escócia na Copa do Mundo, mas a partida em Miami ficou marcada mesmo pelo retorno de Neymar. Considerado até anos atrás um “extraterrestre” do futebol, o atacante voltou a vestir a camisa da seleção brasileira novecentos e oitenta e um dias depois da última vez, após se recuperar da lesão na panturrilha direita que o deixou mais de um mês sem atuar.
Melhores momentos de Brasil x Escócia
Conforme previsto, Neymar entrou no fim do segundo tempo, depois de o Brasil marcar três gols e encaminhar a classificação em primeiro lugar do Grupo C. E não precisou colocar uma capa de Batman, seu super-herói favorito, nem chamar a responsabilidade em um momento em que não se esperava isso dele. Mesmo assim, recebeu tratamento de astro, causando frisson nas arquibancadas americanas e atuou por pouco mais de 20 minutos para se preparar para a fase eliminatória.
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Neymar chegou ao estádio de boné para trás, com semblante nervoso, como se fosse a primeira vez pela seleção. Antes do apito inicial, cantou o hino com a mão no peito e os olhos fechados. Tirou a foto com a equipe e se sentou no banco, onde ganhou um abraço de Ronaldinho Gaúcho. Lá, permaneceu. No intervalo, deixou o campo olhando para a torcida. Assim como o público, não escondeu a ansiedade.
Após o terceiro gol do Brasil, o atacante de 34 anos recebeu um recado ao pé do ouvido do preparador físico Mino Fulco. Era a senha de que entraria em campo. Segundos depois, foi para o aquecimento, levando a torcida no estádio em Miami à loucura. Os primeiros pedidos pelo craque aconteceram aos seis minutos do segundo tempo, confirmando a previsão do técnico Carlo Ancelotti de que haveria pressão por sua entrada.
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Com o Brasil vencendo por 2 a 0, a torcida começou a cantar novamente pedindo a entrada do jogador. Os cantos voltaram a ganhar corpo aos 14 minutos. Depois do aquecimento, se avolumaram, e chegaram a ser entoados pela gaita de fole escocesa que animou a partida. Aos 27 minutos do segundo tempo, Ancelotti chamou Neymar; aos 30, ele entrou em campo.
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Substituto de Matheus Cunha, recebeu a primeira bola, pelo lado direito, de Danilo, o camisa 13. Mas logo se posicionou como um falso 9, posição na qual o treinador afirmou que o escalaria, sempre se movimentando em busca da bola. Na primeira enfiada para Vini Jr., pela esquerda, gerou lance de perigo e finalização do camisa 7. Em seguida, caiu novamente pela direita, tentou tabelar com Bruno Guimarães, mas se atrapalhou. Depois desse lance, Ancelotti fez mais duas mexidas e chamou Endrick, que não causou o mesmo frisson.
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Neymar praticamente não voltava para marcar, a não ser em bola parada. Quando a seleção partia para o ataque, naturalmente todos o procuravam. Ele fazia um primeiro pivô mais recuado, antes de voltar a ser referência mais na frente. No fim do jogo, caiu mais pela esquerda, tentou associações com Vini, mas não chegou a produzir nenhum lance marcante. Ainda assim, recebeu o abraço do destaque do jogo e foi procurado pelas câmeras de transmissão oficial da partida e por vários jogadores da Escócia.
Após o apito final, se emocionou. Antes de ir aos vestiários, foi até a arquibancada e abraçou os filhos Davi Lucca, Mavi e Mel, e a mulher Bruna Biancardi.
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—Muito nervoso e muito feliz. Mas deu tudo certo — disse ele, rapidamente, à TV Globo.
Mesmo sem se destacar, Neymar já fez História. Em sua quarta Copa do Mundo, juntou-se a Pelé e Rivaldo no topo de um ranking que atravessa gerações: os três disputaram 14 jogos de Mundial vestindo o número mais simbólico do futebol brasileiro, a camisa 10. A ver se o craque fará a diferença na próxima fase.

