Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato ao governo do estado pelo PL, o deputado estadual Douglas Ruas afirmou que seu projeto para chegar ao Palácio Guanabara não representa uma “continuidade” da gestão de Cláudio Castro (PL). O ex-governador deixou o cargo em março deste ano para concorrer ao Senado justamente na chapa do parlamentar, mas decidiu abandonar a disputa após ser alvo de operações da Polícia Federal (PF) que apuram aportes do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.
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O deputado foi secretário de Cidades de Castro entre setembro de 2023 e março deste ano. Apesar disso, o objetivo de sua campanha é “enterrar” a relação com o ex-governador devido aos desgastes causados pelas investigações policiais, conforme mostrou o GLOBO.
“O meu plano de governo não é continuidade de nenhum outro governo que tenha passado por aqui”, declarou Ruas em entrevista concedida à BBC News, divulgada nesta sexta-feira.
Questionado sobre a situação econômica do Rio de Janeiro, Ruas ressaltou ter instalado Comissão Especial para Contenção de Gastos na Alerj com o objetivo de entender “aonde o estado se perdeu”.
Segundo ele, a situação de desequilíbrio fiscal ocorre por conta do “aumento das despesas nos últimos cinco anos” — período em que o estado foi governado justamente por seu correligionário, que assumiu em março de 2021.
“Há cinco anos atrás, nós tínhamos um orçamento equilibrado no Estado, quando as despesas cabiam dentro da receita. A receita aumentou, nos últimos cinco anos, em 20%. Então, nós estamos trabalhando para entender aonde foram esses excessos no aumento da despesa nos últimos cinco anos, para fazer a devida correção e buscar o equilíbrio fiscal do nosso Estado”, explicou o deputado.
De acordo com Ruas, o fato de ocupar a presidência da Alerj faz com que ele seja o responsável por conduzir o debate orçamentário e que, por isso, não seja a favor “que o planejamento do Governo do Estado possa prever uma despesa para além da sua receita”.
“Então, eu não estou preso à continuidade, às práticas dos outros governos anteriores, ainda que seja do meu partido. Eu estou preso àquelas minhas convicções da boa prática da gestão pública”, completou.
Desgaste eleitoral
Segundo a Polícia Federal, sob a gestão de Castro, o Rioprevidência teria movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024 em letras financeiras do Master. Os policiais apuram ainda outras aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição bancária.
Em meio ao suposto envolvimento com o banco de Daniel Vorcaro, Ruas busca se afastar do derretimento eleitoral de Castro. Pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril mostrou que a gestão do ex-governador era desaprovada por 47% da população, enquanto 35% aprovavam. Além disso, para a maioria dos fluminenses (53%), Castro não merece eleger o sucessor que indicar.
Na ocasião, Ruas aparecia com 9% das intenções de voto, enquanto seu principal adversário, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) liderava com folga, com 34%. Já em um eventual de segundo turno entre eles, Paes teria 49% de intenções de voto, contra 16% para o presidente da Alerj.
Àquela altura, ainda conforme a Genial/Quaest, 18% dos entrevistados identificavam Paes como o “candidato do presidente Lula (PT)”. No caso de Ruas, que tem o apoio de Castro e do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), 11% dos entrevistados o identificavam como “candidato do Bolsonaro”.
Nesta semana, Ruas publicou um vídeo nas redes sociais em que ressalta ter sido “escolhido” para a disputa por Flávio. No material, ele aborda a construção de um projeto ao lado do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o candidato — em alusão a Paes — alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Recebi do Flávio o convite para ser pré-candidato ao Governo do Rio e aceitei com muito orgulho. É a oportunidade de renovarmos nosso Estado. De livrarmos o Rio dos velhos vícios de Lula e seus aliados”, escreveu na legenda do post.
‘Tem o meu total apoio’
No ano passado, Flávio sugeriu que os americanos atacassem “organizações terroristas” na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O posicionamento ocorreu nas redes sociais, após os Estados Unidos anunciarem um ataque a um barco que supostamente transportava drogas no Oceano Pacífico. Na mesma entrevista à BBC News, divulgada nesta sexta-feira, Ruas foi perguntando sobre a declaração do correligionário:
“Defendo medidas efetivas para impedir que essas armas e essas drogas cheguem ao nosso território. E, se for necessário bombardear esses traficantes de drogas, traficantes de armas no mar aberto, antes dessas armas chegarem aqui no nosso território, nas nossas cidades, têm o meu total apoio”, afirmou o pré-candidato.
O presidente da Alerj citou a apreensão de fuzis de origem estrangeira no estado, além de alegar que drogas vendidas no Rio, como a cocaína, são produzidas em outros países. Ele defendeu a “cooperação internacional” para o “enfrentamento do crime organizado”, o que já ocorre entre as forças de segurança de ambos os países.
“Eu tenho defendido que nós possamos classificar as facções criminosas como terrorista, porque o que eles praticam é impor o terror à população de bem do nosso Estado. As pessoas estão com as suas liberdades cerceadas por essas pessoas”, completou Ruas, que também aproveitou para criticar a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesse âmbito. “Lamentavelmente, o atual presidente entende que eles não são terroristas e ainda os chamou de ‘nossos criminosos’. Nós não temos compromisso com criminosos”.
Pesquisa Datafolha divulgada na última terça-feira apontou que 59% dos brasileiros apoiam rotular as facções CV e PCC como terroristas. Mesmo assim, o levantamento também mostrou que 74% da população rejeita a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo do Brasil.

