Dois terremotos consecutivos na Venezuela deixaram quase 1.000 mortos e mais de 50 mil desaparecidos, alimentando a crescente frustração com a falta de ajuda oficial para resgatar rapidamente os sobreviventes.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a região na quarta-feira em menos de um minuto deixaram um cenário de devastação. Alguns prédios desabaram em Caracas, mas a cidade litorânea vizinha de La Guaira foi a mais atingida.
Prédios altos desmoronaram como castelos de cartas, transformando-se em montes de areia e entulho onde corpos podem ser vistos.
Na sexta-feira, o governo restringiu o acesso a este estado costeiro e anunciou sua militarização. Entre os mortos estão 28 portugueses, sete chineses, dois brasileiros e cinco espanhóis.
Moradores denunciam a presença limitada de equipes de resgate locais enquanto aguardam a chegada de trabalhadores humanitários estrangeiros.
“Estamos furiosos aqui, precisamos de ajuda. Há pessoas vivas e ninguém lhes oferece uma mão amiga ou as ferramentas de que precisam”, disse Marlon Ochoa, um sobrevivente do desabamento do prédio. “Estou procurando minha mãe, minha esposa e meu filho.”
A presidente Delcy Rodríguez — que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA em janeiro — foi vaiada ao chegar ao local do prédio que desabou em Caracas. “Saia, saia!”, gritavam os vizinhos.
Rodríguez disse mais tarde que recebeu um telefonema do presidente Donald Trump e de seu secretário de Estado, Marco Rubio.
Os Estados Unidos reafirmaram “seu compromisso em apoiar os esforços de resposta enviando equipes de resgate, equipamentos especializados, apoio para abrigos temporários e assistência humanitária às famílias afetadas”, disse Rodríguez em uma mensagem no Telegram.
Durante um pronunciamento na manhã de sábado, a presidente afirmou que 14 mil militares e policiais foram mobilizados no estado de La Guaira.
O Estado “está militarizado para garantir a segurança”, afirmou Rodríguez.
