Há veículos elétricos que querem substituir o carro. E há outros que parecem querer escapar dessa lógica. O Amble One se enquadra claramente na segunda categoria: é aberto, compacto, elétrico, tem aparência de buggy de praia e nasceu de uma startup com base em Portugal.
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Apresentado pela Amble, o pequeno veículo elétrico foi divulgado pelo site “Electrek” como uma proposta voltada para deslocamentos curtos em resorts, comunidades privadas, propriedades rurais, zonas costeiras e locais onde um automóvel convencional pode ser mais do que aquilo que é realmente necessário.
A ideia é simples: criar uma alternativa entre o carrinho de golfe, o buggy recreativo e o pequeno veículo urbano. O resultado é um modelo que não pretende competir diretamente com os carros elétricos tradicionais, mas ocupar um espaço próprio, mais leve, simples e adaptado a trajetos de proximidade.
O Amble One tem motor elétrico de 15 kW, equivalente a cerca de 20 cv, e velocidade máxima anunciada de 65 km/h. A bateria tem 11 kWh e permite autonomia de até 100 quilômetros, números que indicam bem o território em que o veículo pretende circular: não a autoestrada nem as grandes viagens, mas o uso diário em percursos curtos.
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Visualmente, o Amble One aposta em uma imagem quase lúdica. A carroceria aberta, a postura elevada e o desenho minimalista o aproximam mais de um buggy de lazer do que de um automóvel urbano convencional. Essa, porém, também é parte da proposta: tornar a mobilidade elétrica menos pesada, menos formal e mais ajustada a contextos em que o carro tradicional pode ser excessivo.
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Segundo a “Electrek”, a produção deverá começar em 2027, enquanto uma versão legalizada para circulação em vias públicas está prevista para 2028. O preço anunciado parte de US$ 25 mil, cerca de 21,5 mil euros, antes de impostos e taxas.
É justamente esse posicionamento que torna o projeto curioso. Em um mercado elétrico cada vez mais dominado por SUVs pesados, baterias enormes, potências elevadas e preços difíceis de justificar para muitos consumidores, a Amble tenta seguir a direção oposta: menos carro, menos peso, menos aparato.
A pergunta que fica é se há mercado para esse tipo de proposta. Em resorts, ilhas, praias, condomínios, zonas turísticas ou propriedades privadas, a resposta pode ser positiva. São espaços onde a velocidade é menos importante do que a facilidade de uso, onde a autonomia de 100 quilômetros pode ser suficiente e onde um veículo aberto, silencioso e compacto pode fazer sentido.
Por isso, o Amble One não deve ser visto apenas como um brinquedo elétrico. Ele é também mais um sinal de que a mobilidade elétrica pode abrir caminho para formatos diferentes, mais especializados e menos presos à ideia tradicional de automóvel.
Para Portugal, há ainda outro elemento de interesse: a ligação nacional do projeto. Em uma indústria na qual o país costuma aparecer mais como mercado consumidor, fornecedor industrial ou destino de produção, a Amble surge com uma proposta própria, ainda que de nicho, e com uma identidade visual suficientemente distinta para chamar atenção fora do circuito habitual dos lançamentos automotivos.
O desafio será transformar essa originalidade em um produto viável. Preço, homologação, produção em série e capacidade de convencer clientes profissionais serão fatores decisivos. Mas, ao menos de partida, o Amble One tem uma virtude rara: não parece apenas mais um elétrico. Parece uma tentativa de responder a uma pergunta simples e pouco feita no setor automotivo: precisamos mesmo de um carro completo para todas as deslocações?
