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Laufey estreia na literatura infantil com ‘A coelhinha Mei Mei’, inspirada em sua mascote

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julho 1, 2026
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Ilustração de Lauren O'Hara para o livro "A coelhinha Mei Mei", de Laufey — Foto: Divulgação/Companhia das Letrinhas

Celebridades de outras áreas que não a literária se aventurando na seara dos livros para crianças não são novidade. Em 2024, o anúncio do lançamento do primeiro livro infantil da atriz Keira Knightley (“I love you just the same”, publicado um ano depois, em 2025, sem uma onda de críticas negativas) irritou autores britânicos consagrados. Para eles, a banalização do ofício é o efeito mais nocivo (mas não único) provocado por “estranhos no ninho”, ou seja, aqueles que fazem da literatura uma atividade paralela e não vivem da arte de burilar palavras.

Bem, essa acusação não cola muito na compositora, cantora, produtora e multi-intrumentista Laufey (pronuncia-se Lêi-Vêi), artista islandesa com raízes chinesas que, com seu pop suave meio jazz, meio clássico, um tanto bossa nova, já conquistou uma legião de fãs, dois Grammy (o mais recente em fevereiro deste ano, pelo álbum “A Matter of Time”), e estreia agora na literatura com “A coelhinha Mei Mei”, delicada história para crianças inspirada na sua própria infância. Além de ter a arte de burilar palavras como profissão, e não como hobby, a jovem de 27 anos, atração já confirmada no Rock in Rio, em setembro, tem outro ponto a favor para não ser “gongada” pelos novos colegas escritores: é notória apreciadora e incentivadora da literatura, mantendo inclusive um perfil para seu Clube do Livro, onde indica diversas obras e promove ações com bibliotecas (

Ilustração de Lauren O’Hara para o livro “A coelhinha Mei Mei”, de Laufey — Foto: Divulgação/Companhia das Letrinhas

A cantora e compositora Laufey — Foto: Divulgação/Erlendur Sveinsson
A cantora e compositora Laufey — Foto: Divulgação/Erlendur Sveinsson

Laufey também leva vantagem sobre outros “outsiders” do meio literário porque não tira Mei Mei, digamos, subitamente da cartola. Na verdade, a coelhinha já participa há algum tempo do universo musical da artista, presente em vídeos e shows, além de estrelar uma linha de produtos – incluindo, lógico, a versão do bichinho em pelúcia. Uma mascote que é uma espécie de alter ego de sua criadora, e que, ao que tudo indica, manterá suas patinhas no novo território. E ao expandir para a literatura um tanto do que entrega em sua música (que gira em torno de vulnerabilidades, autocrítica, inseguranças e expectativas diante do amor), Laufey não faz feio. Constrói uma narrativa igualmente sensível e inspiradora a partir de uma coelhinha violinista que precisa superar a angústia de participar do primeiro e tão sonhado concerto, buscando dentro de si a confiança que lhe falta.

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  • Autoajuda com muita fofura
      • Laufey estreia na literatura infantil com ‘A coelhinha Mei Mei’, inspirada em sua mascote

Autoajuda com muita fofura

Sim, o mote não é uma pérola de originalidade, porém a autora consegue abordar de forma aconchegante os tropeços naturais do processo de amadurecer, tomando a música como instrumento. Autoajuda com muita fofura. Mei Mei pratica e pratica incansavelmente todos os dias, tocando para os pais, os colegas da floresta e para Beethoven, sua abelha de estimação. Ainda assim, a proximidade do recital a deixa terrivelmente preocupada com a possibilidade de errar uma simples nota. As palavras afetuosas da mãe a ajudam a buscar a autoconfiança: “Se a música vier do seu coração, você não precisa ser perfeita”, ensina, lembrando que erros são parte importante da jornada.

Ilustração de Lauren O'Hara para o livro "A coelhinha Mei Mei", de Laufey — Foto: Divulgação/Companhia das Letrinhas
Ilustração de Lauren O’Hara para o livro “A coelhinha Mei Mei”, de Laufey — Foto: Divulgação/Companhia das Letrinhas

E Mei Mei… erra. Mas ela fecha os olhos e segue outro conselho da mãe, para sentir o vento, sentir a música. A dissonância vira acerto e, claro, a coelhinha faz um lindo concerto. Em todo o livro, aliás, Laufey vai apresentando ao leitor termos musicais como escala, interlúdio, trinado, tremolo, pizzicato, todos explicados em um glossário ao final. Também no final está a nota em que Laufey lembra como a educação musical clássica a ajudou a encontrar a voz própria e entender seu lugar no mundo. “Eu era uma garotinha aprendendo violoncelo e piano, sonhando em um dia tocar, sem medo, em um grande palco”, escreve ela.

Com pinceladas e cores suaves, as ilustrações aquareladas da inglesa Lauren O’Hara, com carinha de século passado, traduzem com perfeição a estética vintage e cozy do universo musical de Laufey, embalando lindamente essa despretensiosa história de superação. Uma estreia que não desafina.

Capa do livro "A coelhinha Mei Mei", de Laufey — Foto: Divulgação/Companhia das Letrinhas
Capa do livro “A coelhinha Mei Mei”, de Laufey — Foto: Divulgação/Companhia das Letrinhas

‘A coelhinha Mei Mei’. Autora: Laufey. Ilustrações: Lauren O’Hara. Tradução: Larissa Stocco. Editora: Companhia das Letrinhas. Páginas: 36. Preço: R$ 69,90.

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