A diarista Paola Stefany Neto Cirino é apontada como responsável pelo assassinato do casal de idosos, o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, nesta segunda-feira (29). Paola foi presa na madrugada de quinta-feira, em Itabira, na região central de Minas Gerais, dias após sedar e matar a facadas o casal.
Diarista suspeita de matar idosos tem histórico pessoal ‘conturbado’ e já buscou tratamento psiquiátrico, diz advogado
Diarista que matou casal em BH vende relógios de luxo roubados, avaliados em R$ 108 mil, e comprador devolve itens à polícia
Paola também furtou jóias, dinheiro e outros bens do apartamento de luxo após matar as vítimas, e vendeu os relógios roubados, avaliados em R$ 108 mil. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), os relógios pertencentes às vítimas foram localizados e devolvidos pelo comprador na quinta-feira. “Até o momento, não há indícios de que ele (o comprador) tenha agido de má-fé”, diz nota a polícia em nota.
Segundo a PCMG, por meio do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, a principal linha de investigação é a de latrocínio (roubo seguido de morte). A perícia apontou que encontrou o calmante clonazepam, que possui efeito sedativo e ansiolítico, no sangue dos idosos.
O órgão afirma, em nota, que “aguarda a conclusão dos exames periciais e dos respectivos laudos técnicos, que irão subsidiar o andamento das investigações e a confirmação das substâncias (calmantes) eventualmente utilizadas”. A polícia também identificou a placa do carro que Paola usou para chegar ao centro da cidade e o proprietário do veículo, segundo informações divulgadas pelo g1.
A defesa da diarista afirma que “as razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes”.
Inicialmente, o boletim de ocorrência apontava que Cláudio havia sido atingido por 17 facadas, apenas no tórax. Na manhã desta quinta-feira (2), o delegado confirmou que a contagem inicial se referia apenas aos golpes no tórax, e que o idoso tinha marcas no rosto, no pescoço, costas e nuca. O perito estimou que o advogado lhe deu “certeza” que o idoso levou mais de 40 facadas. O investigador afirmou que Maria Clotilde também sofreu “diversos” golpes de faca, mas a quantidade exata não foi divulgada, pois os laudos periciais ainda precisam ser concluídos.
Veja a cronologia
Segunda-feira
Por volta das 7h20, a diarista chegou ao apartamento de Cláudio e Maria Clotilde, na região centro-sul de BH, para fazer um serviço de faxina, indicada por um primo da empresária;
Segundo a investigação, o crime ocorreu no horário do almoço, entre 12h30 e 15h, pois, por volta das 12h25, Cláudio conversou por telefone com um familiar;
Segundo o delegado Gustavo Barletta, Paola pegou remédios dela usados contra depressão, colocou quatro comprimidos do “calmante fortíssimo” em um suco e serviu ao casal
Eles começaram a adormecer cerca de 30 a 40 minutos depois;
A diarista foi até o quarto e viu que Cláudio estava sonolento, mas ainda acordado;
Ela pegou uma faca na cozinha e desferiu golpes no idoso. Posteriormente, fez o mesmo com a idosa, que estava na sala;
O idoso sofreu 17 golpes no tórax e tinha marcas no rosto, pescoço, costas e nuca; o perito estimou que ele levou mais de 40 facadas;
Maria Clotilde sofreu “diversos” golpes de faca. A quantidade exata não foi divulgada, pois os laudos periciais precisam ser concluídos;
Paola trocou de roupas, furtou joias, relógios, roupas e dinheiro do casal;
Ela limpou a faca utilizada no crime e a guardou;
Imagens de câmeras do prédio mostram ela entrando no edifício às 7h30 e saindo às 15h30 com duas sacolas e uma bolsa;
Roupas com manchas de sangue foram localizadas numa caçamba de lixo;
A mulher pegou um carro de aplicativo, que a levou até a Praça Sete, na região central de BH; O motorista prestou depoimento e comprovou que não teve qualquer envolvimento;
Ela vendeu os relógios de luxo roubados, avaliados em R$ 108 mil, na região da Praça Sete;
Paola voltou para casa em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, na noite de segunda, com uma mochila preta e o filho, uma criança;
Terça-feira
Sem conseguir contato com os pais desde o dia anterior, o filho foi até o apartamento e encontrou o casal morto;
Paola deixou a sua residência e seguiu rumo a Belo Horizonte, onde se hospedou num hotel do bairro Savassi;
Quarta-feira
Paola foi a cidade de Itabira com o filho;
Após a polícia identificar a diarista como suspeita do crime, a tia de Paola fez um apelo público para que ela se entregasse;
Os idosos foram enterrados em Belo Horizonte;
Quinta-feira
Na madrugada, a polícia prendeu Paola em um hotel de Itabira. Ela estava com o filho;
Paola confessou o crime e disse que já esperava ser encontrada devido à repercussão do caso;
A diarista foi levada para a delegacia em Belo Horizonte e encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML), para realizar exame de corpo de delito;
A defesa de Paola entrou no caso;
Os relógios pertencentes às vítimas foram localizados e devolvidos à Polícia pelo comprador;
Sexta-feira
A mulher está presa e passará por audiência de custódia a tarde.
*Estagiária sob supervisão de Cibelle Brito

