A gravidez chega acompanhada de uma avalanche de conselhos e palpites, além de muita desinformação nas redes sociais. Vou reunir aqui algumas orientações que fazem diferença para a saúde da mãe e do bebê.
O cuidado começa antes do teste positivo. O ácido fólico, tomado de 30 a 90 dias antes das começar a tentar, reduz em até 70% o risco de malformações do tubo neural, estrutura que se forma por volta do 28º dia, quando muitas mulheres ainda nem sabem da gravidez. Quem engravidou sem planejar deve começar assim que descobrir. Uma consulta pré-gestacional é uma oportunidade de discutir temas importantes, como a antecipação da vacina tríplice viral, contraindicada durante a gestação.
Com a gravidez confirmada, o pré-natal deve começar cedo e incluir o dentista, já que as alterações hormonais favorecem sangramento na gengiva e cáries. O parceiro deve participar das consultas, e também pode fazer exames e atualizar vacinas.
Na alimentação, a grávida não precisa se restringir nem comer por dois. Vale a regra de ouro: priorizar comida de verdade e deixar de lado os ultraprocessados. Duas a três porções de peixe por semana são recomendáveis, especialmente de espécies como salmão e sardinha, evitando predadores como cação e peixe-espada, que têm mais mercúrio. A suplementação de ferro, sempre prescrita, vale para toda a gestação e até três meses após o parto.
Álcool está fora em qualquer quantidade e fase da gravidez, porque atravessa a placenta e prejudica o feto. Também é recomendado evitar derivados de cannabis. Contra a toxoplasmose, lave bem frutas e verduras e evite carne crua ou mal passada. Quem tem gato pode mantê-lo, desde que outra pessoa limpe a caixa de areia.
O exercício físico, com liberação do obstetra, reduz os riscos de diabetes, pré-eclâmpsia e depressão pós-parto. Ioga para gestante e meditação também são benéficos. O sexo está liberado durante toda a gestação, salvo contraindicações como sangramento, placenta prévia ou risco de parto prematuro.
A saúde mental pede a mesma atenção. Medo, angústia e dúvida são comuns e podem conviver com a alegria. Quando a angústia pesar demais, é hora de procurar ajuda.
Sentir o bebê mexer é sinal de bem-estar. Se os movimentos diminuírem ou pararem, procure logo a equipe de saúde, sem esperar o dia seguinte.
Gravidez de alto risco exige mais consultas e exames, e em situações específicas pode indicar a cesárea. . O apoio de uma doula antes e durante o nascimento resulta em partos mais curtos, menos analgesia e menos cesáreas.
Na reta final, saber diferenciar as contrações irregulares do fim da gestação do trabalho de parto evita intervenções desnecessárias. Enquanto as contrações lembram cólica menstrual e ainda permitem andar, comer e dormir, o melhor lugar é em casa. A hora de ir para a maternidade é quando as contrações vêm a cada cinco minutos e duram cerca de um minuto.
Por fim, conheça seus direitos. Quem trabalha com carteira assinada pode sair para no mínimo seis consultas sem desconto no salário, e tem estabilidade da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
E um adendo: no domingo, peço que votem por nossas crianças. Todas elas. Sugiro dois critérios essenciais.
O primeiro, evitar candidatos associados ao crime organizado. Simples assim.
O segundo: verifiquem o histórico dos candidatos e seus partidos nas causas que afetam a infância: evite se votaram contra a proteção ambiental, contra políticas de educação, de transferência de renda, de apoio às mães, contra o fim da escala 6X1. Evite se são contra o SUS ou o ECA, se seus programas falam em corte drástico de políticas sociais, em fomento às armas e não aos livros.
Bom voto a todos.
A gravidez e o futuro
