O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse a aliados que deve promulgar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 na próxima terça-feira. O texto deve ser votado nesta quarta-feira pelo plenário da Casa. A expectativa de Alcolumbre é que a iniciativa tenha votos para ser aprovada em dois turnos.
A proposta é uma das principais bandeiras do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai enfrentar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
O candidato do PL terminou o primeiro turno na frente do petista. Foram 47% dos votos válidos para Flávio contra 45% para Lula. O presidente tenta usar a PEC do fim do 6×1 como impulso para reverter o cenário no segundo turno.
Aliados do petista se dividem sobre a possibilidade de Lula ir ao Congresso para participar da sessão de promulgação, caso o texto seja aprovado. Há um entendimento de que o petista precisa se associar à aprovação para se fortalecer eleitoralmente. Por outro lado, parte dos senadores do PT teme que Lula fique exposto a protestos de parlamentares bolsonaristas.
Flávio e aliados eram contra discutir a medida antes do resultado da eleição presidencial, mas depois de um acordo construído para votar a PEC nesta quarta-feira, o candidato do PL disse que irá votar a favor do texto. Flávio não está em Brasília e participa de atos de campanha em Porto Alegre, mas deve votar de forma remota.
Para aprovar uma PEC, são necessários 49 votos em dois turnos de votação. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reuniu assinaturas para apresentar um requerimento de calendário especial para a PEC, que, se aprovado, permite a votação em dois turnos na mesma sessão.
Lula se aproximou dos presidentes da Câmara e do Senado durante o período eleitoral. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que articulou a aprovação do fim da 6×1 pelos deputados em março, fez campanha para o petista na eleição presidencial.
Já Alcolumbre não fez o mesmo gesto, mas se aproximou do presidente e criticou Flávio Bolsonaro durante o primeiro turno. Nos últimos meses, Lula se reconciliou com o presidente do Senado.
Os dois estavam afastados desde a rejeição pelo Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Os partidos de Motta e Alcolumbre declararam apoio a Flávio no segundo turno da eleição presidencial, mas os chefes das duas Casas Legislativas não estiveram presentes nas reuniões que sacramentaram a aliança com o candidato do PL.
Alcolumbre avalia promulgar PEC do fim da escala 6×1 na semana que vem
