A eleição começa, finalmente, a ocupar o lugar que a política já havia reservado para ela. Para quem acompanha Brasília, a disputa presidencial começou há muito tempo. Para uma parcela importante dos brasileiros, a hora de escolher está chegando agora. É o que mostra a nova pesquisa Quaest, encomendada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO: menos indecisos, mais eleitores capazes de dizer espontaneamente em quem votarão e maior convicção nas escolhas.
Na pesquisa espontânea, aquela em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, a indecisão caiu de 41% para 35% em uma semana. Lula passou de 28% para 31%; Flávio Bolsonaro, de 23% para 26%. Os dois avançaram na mesma proporção. Quando a lista de candidatos é apresentada, os indecisos recuam de 10% para 8%. A diferença entre as duas perguntas ajuda a compreender o momento: reconhecer uma preferência diante das opções é mais fácil do que ter uma escolha pronta para declarar.
O sinal mais eloquente dessa mudança está na firmeza do voto. Entre os que expressam uma preferência, a proporção dos que consideram sua escolha definitiva saltou de 73% para 79%. Os que admitem mudar caíram de 27% para 21%. Nas duas principais candidaturas, a consolidação é ainda maior: 86% dos eleitores de Lula e 82% dos de Flávio dizem estar decididos. A eleição vai ganhando contornos mais definidos, embora continue aberta.
Esse processo ocorre com aproximação dos líderes no primeiro turno. Lula oscilou de 36% para 37%, enquanto Flávio passou de 31% para 33%. Pela primeira vez, os dois aparecem em empate técnico no limite da margem de erro. Augusto Cury recuou novamente, de 7% para 6%, depois de alcançar 10% no início do mês. A dificuldade das alternativas é transformar interesse em adesão duradoura enquanto os principais candidatos consolidam suas bases.
No segundo turno, permanece o equilíbrio: Flávio tem 42% e Lula, 41%. Há movimentos que se compensam. Entre as mulheres, a vantagem numérica de Lula aumentou de três para sete pontos. Entre os eleitores de renda mais alta, a distância favorável a Flávio passou de 13 para 20 pontos; entre evangélicos, de 23 para 30. São oscilações que merecem acompanhamento, sem que uma semana isolada autorize tratá-las como tendências definitivas.
Para Lula, a dificuldade continua sendo converter a experiência de governo em argumento eleitoral. A desaprovação permanece em 50%, diante de 44% de aprovação. Apenas 10% dizem que sua renda aumentou mais do que o custo de vida. O anúncio de aumento do Bolsa Família ainda não se traduziu em avanço nas intenções de voto entre beneficiários. Mas a comparação com o passado preserva a competitividade do presidente: 42% consideram seu governo melhor que o de Bolsonaro, e outros 42%, pior.
A simetria também aparece nos receios: 43% temem mais a continuidade de Lula e 42%, a volta da família Bolsonaro. Nesse ambiente, as crises parecem reforçar convicções mais do que desfazer alinhamentos. Subiu de 22% para 26% a parcela que afirma ter sua escolha presidencial fortalecida pela crise do Supremo, com movimento especialmente entre eleitores de esquerda.
Lula preserva uma vantagem na expectativa de vitória: 55% acreditam que ele vencerá, contra 30% que apostam em Flávio. Essa confiança pode ajudar a mobilizar, mas precisa se converter em voto.
À medida que a indecisão diminui, cada eleitor ainda disponível ganha importância numa disputa tão apertada.
A hora da decisão chegou. A definição do vencedor, ainda não.
Análise: 'A hora da decisão chegou. A definição do vencedor, ainda não', escreve Felipe Nunes, diretor da Quaest
A eleição começa, finalmente, a ocupar o lugar que a política já havia reservado para ela. Para quem acompanha Brasília, a disputa presidencial começou há muito tempo. Para uma parcela importante dos brasileiros, a hora de escolher está chegando agora. É o que mostra a nova pesquisa Quaest, encomendada pela TV Globo e pelo jornal […]