A influenciadora e cantora Ruivinha de Marte, de 29 anos, iniciou um novo desafio para transformar o corpo após ganhar quase 18 kg. Conhecida pelas dancinhas nas redes sociais e pela aparência muito magra, a criadora de conteúdo agora pretende definir a musculatura sem perder massa muscular. A meta, anunciada nesta terça-feira, 3, é conquistar o resultado em 60 dias.
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— Depois de ganhar quase 18 kg, chegou a hora de uma nova fase: definir meu shape sem perder massa muscular! Na verdade, a ideia é ganhar ainda mais massa, só que agora deixando tudo mais definido, do jeitinho que eu sempre sonhei! Barriga trincada, coxão e glúteo grandão também! — escreveu.
Com cerca de 9 milhões de seguidores no Instagram, Ruivinha tem compartilhado a rotina fitness nas redes sociais. Na última segunda-feira, 2, ela publicou uma fotografia antiga, anterior ao ganho de peso e aos procedimentos estéticos, e brincou com a própria transformação: “Cadê ela?”. Na época, chegou a pesar 43 kg.
A influenciadora Ruivinha de Marte foi de 40 para 60 quilos em um ano e agora vai participar de campeonatos de fisiculturismo
Reprodução/ Instagram
Em entrevista à revista Quem no mês passado, a influenciadora contou que adotou uma rotina com seis refeições por dia, incluindo farinha láctea, e musculação seis vezes por semana. Ela também falou sobre os cuidados com a saúde mental, com tratamento por hipnose, após enfrentar depressão e ansiedade, além dos procedimentos estéticos realizados nos últimos dois anos.
A mudança corporal da influenciadora levanta uma questão importante: é possível ganhar peso e massa muscular de maneira saudável? Segundo especialistas, o processo exige planejamento nutricional individualizado, treinamento de força e descanso adequado. Mais do que acompanhar os números na balança, é necessário observar a composição corporal e os indicadores de saúde.
Para o nutrólogo Murillo Monteiro, o primeiro passo é entender que o ganho de peso precisa acontecer com qualidade. Isso exige um planejamento alimentar elaborado a partir das necessidades energéticas e metabólicas de cada pessoa.
Ruivinha de Marte transformou seu visual radicalmente
Reprodução/Instagram
A estratégia considera a taxa metabólica basal, que corresponde à energia utilizada pelo organismo para manter suas funções vitais em repouso, e o gasto energético diário, calculado de acordo com o nível de atividade física.
— Além das calorias, é fundamental calcular a quantidade de macronutrientes por quilo de peso corporal. As proteínas são essenciais para a construção muscular, enquanto os carboidratos fornecem energia para o treinamento, ajudam a repor os estoques de glicogênio e contribuem para a recuperação. As gorduras também são importantes para diversas funções fisiológicas — explica.
O ortopedista com atuação em nutrologia e medicina do esporte Renan Bosio acrescenta que a estratégia também deve considerar o estado nutricional e a saúde metabólica. Em pessoas com baixo peso, por exemplo, é importante investigar possíveis deficiências nutricionais ou condições clínicas antes de iniciar um programa de mudança corporal.
— Uma transformação corporal significativa pode ser saudável, mas isso não pode ser determinado apenas pela comparação entre fotografias de antes e depois — ressalta.
Comer mais vezes ao dia ajuda a ganhar músculos?
Uma dúvida frequente entre quem deseja ganhar massa muscular é se existe a necessidade de aumentar a frequência das refeições. De acordo com Murillo Monteiro, não é obrigatório comer a cada três horas para alcançar esse objetivo. O mais importante é consumir a quantidade adequada de calorias e proteínas ao longo do dia, em conjunto com o treinamento de força.
— A frequência alimentar pode ajudar, principalmente quando a pessoa apresenta pouco apetite ou dificuldade para consumir todas as calorias necessárias em poucas refeições. Além disso, distribuir adequadamente as proteínas ao longo do dia pode favorecer a síntese proteica muscular — explica.
Ruivinha de Marte
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Bosio concorda que a quantidade de refeições deve considerar a rotina e as necessidades individuais.
— Consumir seis ou sete refeições não garante resultados superiores a uma rotina com menos refeições, desde que as necessidades nutricionais sejam atendidas — afirma.
Ganhar peso não é o mesmo que ganhar massa muscular
Outro ponto importante é diferenciar o aumento do peso corporal do desenvolvimento muscular. Segundo Murillo, ganhar peso significa aumentar a massa corporal total, o que pode envolver crescimento muscular, acúmulo de gordura, retenção de líquidos ou uma combinação desses fatores.
Já o ganho de massa muscular corresponde à construção de tecido muscular, estimulada principalmente pelo treinamento de força e favorecida pela alimentação e pela recuperação adequadas. O excedente de energia que não é utilizado pelo organismo pode ser armazenado no tecido adiposo.
Por isso, a balança não deve ser o único parâmetro para avaliar os resultados. Entre os métodos utilizados para acompanhar a composição corporal estão a bioimpedanciometria, a avaliação de dobras cutâneas e a densitometria corporal por DEXA.
O acompanhamento também pode incluir indicadores metabólicos, como glicemia, hemoglobina glicada e perfil lipídico, além da evolução da força, do desempenho físico e das medidas corporais.
— Duas pessoas podem ganhar os mesmos dez quilos e apresentar resultados completamente diferentes em termos de saúde — observa Murillo.
Creatina e hipercalóricos podem ajudar?
Suplementos como creatina e hipercalóricos também aparecem com frequência nas estratégias de quem deseja aumentar o peso e desenvolver musculatura. No entanto, os especialistas alertam que esses produtos devem ser utilizados de acordo com as necessidades individuais e não substituem uma alimentação equilibrada.
A creatina contribui para melhorar o desempenho em exercícios de alta intensidade e pode favorecer ganhos de força e massa muscular quando associada ao treinamento adequado.
O suplemento também pode provocar um aumento inicial do peso devido à maior quantidade de água armazenada dentro dos músculos. Essa alteração não representa, necessariamente, ganho de gordura.
Ruivinha de Marte
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Já os hipercalóricos podem ser úteis para pessoas que têm dificuldade em atingir as necessidades energéticas por meio da alimentação convencional. O consumo indiscriminado, porém, pode levar ao excesso de calorias e favorecer o acúmulo de gordura corporal.
Existe um limite para ganhar peso de maneira saudável?
Embora o aumento da ingestão calórica seja importante para quem deseja ganhar peso, acelerar o processo não significa necessariamente alcançar resultados melhores. Segundo Murillo, não existe um número universal de quilos que todas as pessoas possam ganhar com segurança em determinado período.
O ritmo depende de fatores como peso inicial, composição corporal, experiência com treinamento, idade e condições metabólicas e clínicas.
— O que sabemos é que a capacidade de construir músculos é limitada biologicamente. Aumentar exageradamente as calorias não faz o músculo crescer na mesma proporção — alerta o nutrólogo.
Ruivinha de Marte transformou seu visual radicalmente
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O excesso de calorias pode favorecer o armazenamento de gordura. Já treinos muito intensos, sem recuperação adequada, aumentam o risco de lesões, fadiga persistente e queda de desempenho. Para Bosio, o desenvolvimento muscular precisa respeitar o tempo de adaptação do organismo.
— Uma transformação saudável é aquela que melhora a força, a funcionalidade e a qualidade de vida, e não apenas a aparência — conclui o médico.
