Casada com o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ), a procuradora do estado de Roraima Rebeca Ramagem (PL) recebeu 50 mil votos e não foi eleita deputada federal. O casal mora no estado americano da Flórida desde o fim de 2025 após ele deixar o país em setembro daquele ano, mesmo mês em que foi condenado por participação na trama golpista de 8 de janeiro de 2023.
Rebeca Ramagem solicitou licença do trabalho de procuradora do Estado de Roraima para se candidatar nas eleições, mas não foi ao Rio fazer campanha. Sem sua presença, os cabos eleitorais passaram a levar dois bonecos de papelão do casal em tamanho real aos eventos.
No Instagram, ela republicava vídeos do marido e aparecia em gravações nas quais falava da experiência como delegada de polícia, do conflito diplomático entre Brasil e Estados Unidos, além de comentários sobre o combate ao crime. Em uma publicação no início oficial da campanha, Rebeca disse que concorria em lugar do ex-diretor da Abin: “Meu marido não pode estar nessa disputa. Mas eu posso”, escreveu.
Desde que deixou o país, Rebeca acumula férias, prorrogações e licenças sem trabalhar. Em julho, ela pediu mais um afastamento para se lançar candidata.
A fuga de Ramagem
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em dezembro do ano passado que Ramagem saiu do Brasil de “forma clandestina”. Foi via Guiana, não passando por nenhum ponto migratório, de onde embarcou do aeroporto de Georgetown para Miami, segundo Rodrigues.
No fim da noite de 9 de setembro de 2025, Alexandre de Moraes leu o voto pela condenação dos oito réus do núcleo crucial da trama golpista. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão. No dia seguinte, ele já estava na Guiana. No dia 11, pegou um voo direto de Georgetown para a Flórida, em Miami, onde entrou com passaporte diplomático de parlamentar e está até hoje com a mulher e as filhas.
Os investigadores da PF descobriram a fuga de Ramagem quando foram verificar a localização de cada um dos condenados do núcleo crucial do plano golpista – entre os quais estão também Jair Bolsonaro, os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Garnier e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Os seis não fugiram e cumprem a pena no Brasil.
Após campanha 'remota' dos EUA, Rebeca Ramagem não se elege deputada federal e fica como suplente
