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setembro 23, 2026
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Após quatro anos, rio da Região Oceânica de Niterói perde ecobarreira

Por · setembro 22, 2026
Após quatro anos, rio da Região Oceânica de Niterói perde ecobarreira


Após quatro anos de funcionamento, a ecobarreira instalada no Rio João Mendes foi retirada no domingo (21). A data foi escolhida pela ONG Instituto Floresta Darcy Ribeiro (Amadarcy), responsável pela estrutura, em uma referência ao Dia Mundial da Limpeza de Rios e Praias, celebrado sábado. Desde 2022, segundo dados do grupo, o equipamento reteve mais de 23 toneladas de resíduos antes que eles seguissem em direção à Laguna de Itaipu. Agora, a organização informa que a estrutura está comprometida pela corrosão e, por questões de segurança, precisa ser retirada.
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De acordo com o ambientalista Felipe Queiroz, integrante da Amadarcy , a estrutura chegou ao limite de sua vida útil depois de sofrer com a corrosão e com impactos provocados pelo programa Limpa Rios, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
— A ecobarreira cumpriu um papel importante nesses quatro anos, mas chegou a um ponto em que sua estrutura está comprometida e não podemos mantê-la sem oferecer riscos. A retirada dela não significa que o problema acabou. Ela mostrou o quanto de resíduo chega ao rio e deixa de alcançar a laguna. Agora precisamos de apoio técnico, financeiro e institucional para que a barreira possa voltar a funcionar— afirma Queiroz, revelando que o custo total para realocação da estrutura seria em torno de R$ 10 mil.
Sem apoio externo para manutenção e realocação da estrutura, a avaliação do ambientalista é que parte desse material chegará ao sistema lagunar Itaipu-Piratininga, ao Parque Estadual da Serra da Tiririca e à Reserva Extrativista Marinha de Itaipu. A entidade também aponta possíveis consequências para comunidades tradicionais de pescadores que dependem da região.
Pesca afetada
O Rio João Mendes é apontado pela ONG como o maior e mais volumoso curso hídrico do sistema lagunar da região. Ao longo do percurso, porém, afirma Queiroz, sofre com problemas como o estrangulamento provocado por construções e o lançamento de efluentes. Para os ambientalistas, a degradação do rio interfere diretamente na qualidade da água da laguna e, consequentemente, em atividades ligadas à pesca.
Desde a instalação, a manutenção da ecobarreira foi feita com participação de voluntários e apoio de parceiros. Segundo Queiroz, porém, a falta de reconhecimento oficial por parte da secretaria de Ambiente e Recursos Hídricos (SMARHS)dificultou a ampliação de parcerias e a obtenção de recursos.
Com a retirada da estrutura, a organização pretende buscar novos parceiros para construir uma nova ecobarreira no rio. A expectativa é encontrar uma solução que permita manter a retenção dos resíduos sem repetir os problemas estruturais registrados na atual instalação.
Em nota, a SMARHS diz que autorizou a implantação da ecobarreira, mas ressaltou que não houve qualquer proposta formalizada de parceria visando à manutenção do equipamento. A prefeitura acrescenta que atua permanentemente na limpeza e manutenção de rios e canais, na fiscalização e no combate ao descarte irregular e na ampliação da rede de coleta de esgoto, que, afirma, está chegando a 100% de cobertura na Região Oceânica. E reitera que segue aberta ao diálogo com a ONG
Já o Inea, também em nota, afirmou que executou, entre abril e maio deste ano, a limpeza e o desassoreamento do Rio João Mendes, em Niterói, rigorosamente em conformidade com a legislação ambiental e não ocasionou qualquer dano à ecobarreira.
Ainda de acordo com o texto, as intervenções contribuíram para o adequado funcionamento da estrutura instalada no local: foram removidos os sedimentos acumulados no entorno e a jusante da ecobarreira, devido à retenção de resíduos carreados pelo curso d’água. “A retirada desse material proporcionou a restituição da capacidade hidráulica do trecho, favorecendo a vazão do curso d’água e contribuindo para a redução da incidência de transbordamentos desse rio”, diz.
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