É praticado perto de fontes de água naturais, como lagoas, cachoeiras, ravinas, cascatas e riachos. Alguns chegam a mergulhar, nadar, caminhar ou se refrescar com a água. O aquatrekking oferece diversas opções para os amantes da natureza. É um tipo de experiência turística que, ao contrário do trekking, expõe seus participantes a um “percurso aquático” que exige mais esforço físico e adrenalina do que caminhar em terrenos rochosos.
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Cada vez mais populares em ecossistemas naturais, esses circuitos combinam caminhadas com passeios aquáticos e geralmente estão localizados perto de lugares de interesse histórico, ambiental ou cultural, e longe de grandes cidades; o que torna a experiência mais intensa.
A dificuldade do percurso depende do terreno e das condições da água. Alguns percursos são fáceis, exigindo apenas trechos rasos, enquanto outros demandam escalada, travessia de terrenos irregulares, caminhada em correntezas ou natação em alguns trechos. Portanto, antes de partir, é importante familiarizar-se com o percurso, a previsão do tempo, o nível de experiência necessário e contar com um guia experiente. Outro fator importante é o vestuário: calçados adequados são essenciais e, em alguns casos, coletes salva-vidas infláveis ou capacetes são necessários.
Nem caminhadas nem canyoning
— Ao contrário das caminhadas tradicionais, que acontecem em trilhas secas, o aquatrekking oferece uma interação muito maior com a água — explica Jean Filipe, guia e instrutor da Aquatrekking Jaguariaíva, operadora credenciada pelo Estado do Paraná, Brasil. — Ele também se diferencia do canyoning por não exigir rapel (a técnica de descer superfícies verticais e extremamente íngremes usando cordas e equipamentos de fricção) nem o uso de cordas, tornando-se uma atividade mais acessível para quem busca aventura e conexão com a natureza — acrescenta.
Além das paisagens deslumbrantes ao longo do percurso, o guia enfatiza que a popularidade recente do aquatrekking se deve à combinação de lazer, atividade física e conexão com a natureza. Ele observa que este último ponto é um dos comentários mais frequentes de quem pratica a atividade: o ambiente proporciona uma sensação única de tranquilidade e paz de espírito.
Durante as horas dedicadas à jornada, os aventureiros têm a oportunidade de se desafiarem mentalmente e completarem pequenas tarefas. De fato, um vasto conjunto de pesquisas acadêmicas publicadas em periódicos de prestígio como Oxford Academic e Elsevier demonstra que estar perto ou dentro de um corpo d’água proporciona benefícios específicos para acalmar a mente, reduzir a fadiga mental e promover o relaxamento.
Outra pessoa que pode atestar a febre turística e de bem-estar que essa atividade está gerando é Julio César Narváez Camejo, guia de aquatrekking na Floresta Protegida de Cerro Azul, em Guayaquil, Equador. Com base em sua experiência, ele destaca que a melhor época para praticar aquatrekking em regiões tropicais é de fevereiro a abril, quando as chuvas revitalizam as florestas e a vegetação seca desses países.
— A experiência muda radicalmente porque a água da chuva cria cachoeiras e riachos pelos quais passamos — afirma.
Ele também destaca o esforço físico exigido pela atividade:
— Às vezes, nadamos contra a corrente e precisamos exigir mais força de partes do corpo como o tronco e as pernas — explica. Por isso, enfatiza a importância de não ser sedentário e de ter um nível básico de condicionamento físico para realizar a jornada.
Alejandra Hintze, médica de medicina esportiva e diretora médica da Escola Marangoni, acrescenta os benefícios do movimento – especialmente da imersão – na água: as vértebras e as costas são descomprimidas, a amplitude de movimento das articulações é melhorada e o equilíbrio, a força das costas e a circulação sanguínea são trabalhados.
Equipamento
É importante ressaltar que esta atividade exige o uso de equipamentos específicos para garantir a segurança dos participantes. Os principais itens listados pelos dois especialistas consultados são: calçado com boa aderência para caminhar em rochas, capacete (dependendo do percurso), colete salva-vidas e roupas leves que possam molhar.
— É preciso enfatizar: nunca se deve realizar essa atividade sem a companhia de guias qualificados e sem levar em consideração as condições climáticas e os níveis de rios e outros cursos d’água do circuito — destaca Jean Filipe.
É necessário algum tipo de preparação nos dias que antecedem o evento?
Ambos os guias concordam que é essencial manter-se bem hidratado e ter uma alimentação equilibrada nos dias que antecedem a viagem. No dia da excursão, recomendam especialmente um café da manhã ou almoço leve — evitando alimentos muito gordurosos e bebidas alcoólicas — para garantir energia suficiente para a caminhada.
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