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Arábia Saudita e governo do Iêmen lançam ofensiva contra houthis com 100 aviões de combate

Por · outubro 5, 2026
Arábia Saudita e governo do Iêmen lançam ofensiva contra houthis com 100 aviões de combate


As forças do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente lançaram nesta segunda-feira uma grande ofensiva contra os houthis, apoiados pelo Irã, com o objetivo de recuperar territórios tomados pelos rebeldes nos últimos meses. A operação ocorre na costa do Mar Vermelho, incluindo a região do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, e também prevê um avanço em direção a Sanaa, capital controlada pelo grupo.
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A ofensiva, batizada de “Amanhecer do Iêmen”, conta com uma campanha aérea da coalizão liderada pela Arábia Saudita. No X, o porta-voz da aliança, major-general Turki al-Malki, afirmou que 100 aviões de combate participavam da operação nesta segunda-feira, e que a coalizão fornece “apoio aéreo 24 horas por dia às Forças Armadas iemenitas em terra”. Pelo menos “324 alvos de alto valor”, disse, foram destruídos desde o início da operação.
Segundo al-Malki, a coalizão ainda garantiu a “proteção aérea” do Estreito de Bab el-Mandeb e continua realizando operações contra “alvos móveis”. Enquanto isso, os Estados Unidos também oferecem apoio à Arábia Saudita na ofensiva, segundo fontes ouvidas pela imprensa americana. O auxílio inclui compartilhamento de informações de inteligência, identificação de alvos e planejamento da operação.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse a jornalistas nesta segunda que era esperado que o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita reagisse para recuperar territórios. Questionado sobre uma eventual coordenação com Washington, ele afirmou que os dois países têm um acordo de defesa, sem oferecer mais detalhes.
— Eles têm o direito de se defender — disse Rubio, após afirmar que o governo iemenita havia sido expulso de parte de seu território por uma campanha dos houthis e que Riade também havia sido atacada.
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Os EUA apoiaram a coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os houthis no início da guerra civil iemenita, antes de deixarem de apoiar a aliança nos últimos anos. A atual ofensiva ocorre depois de uma série de avanços dos rebeldes que alteraram novamente as linhas de controle no país e reavivaram o conflito após um cessar-fogo de quatro anos.
‘Operação defensiva’
Na costa, facções aliadas ao governo atacaram posições dos houthis no flanco leste das áreas tomadas pelos rebeldes em seus avanços mais recentes. O coronel Majed al-Nazili, porta-voz das forças apoiadas pela Arábia Saudita, afirmou que posições houthis foram atacadas em Dhubab, na costa do Estreito de Bab el-Mandeb.
As Brigadas dos Gigantes, grupo aliado ao governo, anunciaram uma “operação militar decisiva contra as milícias houthis” na região, enquanto as forças governamentais citaram uma ofensiva em direção a Sanaa.
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O chefe do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, Rashad al-Alimi, disse que a operação tem como objetivos “restaurar as instituições do Estado, libertar” Sanaa e pôr fim “ao golpe da milícia terrorista houthi”. No domingo, ele já havia anunciado uma ofensiva destinada a recuperar a totalidade dos territórios controlados pelos rebeldes.
Horas depois do anúncio de al-Alimi, al-Malki prometeu “apoio operacional total” às forças do governo iemenita até que os houthis sejam “eliminados”. O porta-voz também defendeu o direito da Arábia Saudita de tomar as medidas que considerar necessárias diante dos ataques de mísseis e drones realizados pelos rebeldes contra o reino.
Avanço dos houthis
No início de setembro, os houthis avançaram rapidamente pela costa oeste do Iêmen, no Mar Vermelho, e tomaram a estratégica cidade de Moca e várias ilhas. As conquistas permitiram ao grupo controlar o lado iemenita do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem crucial para o comércio marítimo internacional por onde transita cerca de 12% do comércio global.
Os rebeldes também conquistaram aldeias e áreas nos arredores de Taiz. No domingo, tomaram Turbah, localizada em uma importante estrada que liga Taiz, terceira maior cidade do Iêmen, a Áden, cidade portuária que funciona como sede provisória do governo reconhecido. Ao longo dos anos, Turbah serviu como um importante posto para as forças governamentais que defendiam Taiz dos houthis.
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A tomada da cidade ocorreu pouco antes do anúncio da nova ofensiva governamental. Segundo o Institute for the Study of War (ISW), centro de estudos com sede em Washington, o controle de Turbah pelos rebeldes “provavelmente restringirá severamente a capacidade das forças alinhadas ao governo iemenita de enviar reforços e reabastecer posições na linha de frente” na província de Taiz e em sua capital.
“Interromper o reabastecimento tem valor militar, é claro, mas controlar todas as estradas de entrada e saída das áreas ao norte de Turbah também impede que as forças governamentais recuem para fora da cidade”, afirmou o ISW em análise publicada no domingo.
Entenda a escalada
A atual escalada começou em meados de julho, quando os houthis acusaram a Arábia Saudita de bombardear o aeroporto de Sanaa para impedir o pouso de um voo iraniano não autorizado. Os rebeldes responderam com ataques de mísseis e drones contra o território saudita e contra forças do governo iemenita e anunciaram um bloqueio à navegação saudita no Mar Vermelho. Desde então, os houthis atacaram embarcações ligadas a Riade e realizaram bombardeios contra o reino.
— O oleoduto Leste-Oeste foi atacado novamente ontem — afirmou uma fonte à AFP. — [Foi atingida] uma estação de bombeamento a leste de Riad, em Jurais. Antes, ela não havia sido alvo. Houve grandes danos e o oleoduto voltou a ser paralisado.
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Os houthis afirmaram ter atacado instalações pertencentes à estatal petrolífera Saudi Aramco, incluindo infraestrutura em Jurais. O oleoduto, que percorre cerca de 1,2 mil quilômetros entre os principais campos petrolíferos do leste da Arábia Saudita e o terminal de Yanbu, no Mar Vermelho, já havia sido alvo anteriormente.
O oleoduto ganhou importância para a Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo, depois que o Irã impôs severas restrições à navegação no Estreito de Ormuz, dificultando a principal rota de transporte do petróleo saudita para os mercados internacionais. No mês passado, o fluxo ficou interrompido entre 11 e 22 de setembro, segundo a plataforma de monitoramento Kpler, após ataques contra instalações sauditas provenientes do Iraque, onde atuam grupos pró-Irã.
A retomada dos combates intensificou uma guerra civil iniciada em 2014, quando os houthis avançaram de seu reduto no norte do Iêmen, tomaram Sanaa e obrigaram o governo a fugir para o exílio na Arábia Saudita. Ao longo de 12 anos, o conflito matou mais de 150 mil pessoas e provocou uma das mais graves crises humanitárias do mundo.
A mais recente onda de violência matou pelo menos 959 pessoas e deixou mais de 4,2 mil feridos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 174 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas dentro do Iêmen, de acordo com a agência de migração da ONU, enquanto mais de 3 mil fugiram pelo mar para Djibuti.
(Com AFP e New York Times)

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