Pular para o conteúdo
News

Arruda politiza discussão judicial sobre candidatura ao DF, reforça polarização com Celina e se vitimiza sobre condenações

Apesar de sete condenações por improbidade administrativa e outras duas por corrupção de testemunha e falsidade ideológica, o ex-governador José Roberto Arruda tenta convencer seus eleitores que não só é vítima de armações de adversários políticos como merece a chance de ser “julgado pelos eleitores” nas eleições de 2026. Na sabatina do GLOBO, do Valor […]

Arruda politiza discussão judicial sobre candidatura ao DF, reforça polarização com Celina e se vitimiza sobre condenações


Apesar de sete condenações por improbidade administrativa e outras duas por corrupção de testemunha e falsidade ideológica, o ex-governador José Roberto Arruda tenta convencer seus eleitores que não só é vítima de armações de adversários políticos como merece a chance de ser “julgado pelos eleitores” nas eleições de 2026.
Na sabatina do GLOBO, do Valor e da CBN nesta quarta-feira, Arruda não mostrou arrependimento sobre os episódios revelados na operação Caixa de Pandora, nem mesmo sobre o vídeo no qual foi flagrado recebendo propina de um ex-auxiliar do seu governo Durval Barbosa. Ele admitiu que recebeu R$ 20 mil (à época as notícias com base nas investigações falavam em R$ 50 mil) de Barbosa, mas disse que o dinheiro foi declarado à Justiça Eleitoral, como se isso diminuísse a gravidade do fato.
O discurso de que recebeu o dinheiro antes de ser governador e que as ilegalidades apuradas na Caixa de Pandora eram praticadas, na verdade, por adversários políticos é inconsistente. Barbosa fez parte de seu governo (a despeito do argumento de que indicado por parlamentar aliado) e pelo menos uma condenação (de contrato de informática) foi relativa a contratos de quando era governador.
Sobre a decisão que declarou sua inelegibilidade, Arruda não acusou diretamente, mas insinuou que os magistrados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) agiram por algum tipo de influência de Gustavo Rocha, candidato a vice na chapa da sua adversária e atual governadora do DF, Celina Leão.
Assim, transforma a batalha jurídica que enfrenta fosse também em disputa política. Mira aumentar a chance de sucesso de seu recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de reforçar sua narrativa de que seria um perseguido, vitimizando-se junto aos eleitores.
Arruda diz que mantém sua candidatura e garante irá até o fim. E evita dizer quem apoiaria, caso a impugnação seja confirmada antes da votação. Mesmo assim, ao longo da sabatina deixou claro que polariza com a candidatura de Celina, líder nas pesquisas.
O ex-governador disse que o DF vive o pior momento em sua história. E, valendo-se de sua experiência, vendeu a tese de que é o mais preparado para dar um “choque de gestão” na capital federal.
Prometeu um corte de gastos de R$ 5 bilhões no primeiro ano, mirando contratos, cargos comissionados, redução de secretarias e aluguéis. Mas fez uma série de promessas que ampliam gastos públicos, inclusive de pessoal, ponto fraco do orçamento brasiliense. Pelo menos saiu da mesmice populista de todos os demais candidatos de prometer tarifa zero em um ente com tanta necessidade de investimentos em ampliação de malha de transporte público.
No tema mais quente da campanha local, o Banco de Brasília (BRB), Arruda garantiu que não usará dinheiro público para salvar a instituição, embora tenha apresentado uma ideia de usar o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) como fonte de recursos para garantir a liquidez e ajudar a recuperar a instituição. Mais incisivo, disse que o banco foi “assaltado”. Não disse quem roubou, mas apontou a responsabilidade política para Celina.

Arruda politiza discussão judicial sobre candidatura ao DF, reforça polarização com Celina e se vitimiza sobre condenações

Autor

BRCOM