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O Marrocos, pela primeira vez na sua história, será governado por uma mulher. Fatima Ezzahra El Mansouri foi nomeada primeira-ministra pelo rei Mohammed VI, tornando-se a terceira mulher árabe a comandar um governo. As outras duas governaram a Tunísia, que atualmente tem Saara Zafarani como premier, função no país hierarquicamente abaixo do presidente, o autocrata Kais Saied. Entre 2021 e 2023, a tunisiana Najla Bouden fez história ao se tornar a primeira mulher a administrar uma nação do mundo árabe.
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Sem democracia – Ter uma primeira-ministra não significa que o Marrocos, oficialmente uma monarquia constitucional, seja uma democracia. A Freedom House, que mede o índice de democracia, dá uma pontuação de 37 ao país, sendo 100 o máximo de democracia e 0, o mínimo. Como comparação, o Brasil tem 73; a Finlândia, 100; e a Coreia do Norte, 3. “O Marrocos realiza eleições multipartidárias para o Parlamento e administrações locais. Reformas em 2011 (época da Primavera Árabe) transferiram parte da autoridade da monarquia para a assembleia nacional. Apesar disso, o rei Mohammed VI e seu palácio mantêm domínio total através de uma combinação de poderes formais, linhas informais de influência no Estado e na sociedade e posse de recursos econômicos cruciais. Muitas liberdades civis são coibidas na prática”, afirma a organização.
Outros países – Todos os países do mundo árabe, exceto o Líbano e o Iraque, possuem governos autoritários. Alguns são monarquias absolutistas, com diferentes graus de autoritarismo. Por exemplo, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar basicamente podem ser descritos como nações com donos. Outros seriam repúblicas ditatoriais, como o Egito, a Síria e, cada vez mais, a Tunísia. Há aqueles que possuem um pouco mais de liberdade, ainda que não sejam democráticos, caso do Catar.
Casos singulares – Cabe explicar um pouco o Líbano e o Iraque. Ambos não possuem ditadores, mas são regimes sectários, com divisão do poder entre as diferentes religiões, instituições frágeis ainda em consequência de conflitos civis e enorme interferência externa. Por este motivo, é complexo descrever estes países como democráticos, como também seria errado classificá-los como ditatoriais. O Iraque teve ditador até 2003, enquanto o Líbano jamais foi governado por uma ditadura.
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Participação – A participação de mulheres em Parlamentos no mundo árabe segue baixa. No caso do Marrocos, apesar de avanços, é de apenas 24%. No ranking de participação de mulheres, o país está em 103º lugar. Como curiosidade, o Brasil ocupa uma vergonhosa 138ª posição.
Currículo – Poliglota, Fatima Ezzahra El Mansouri se formou na Universidade de Montpellier, na França, e também estudou Direito na Universidade de Nova York, nos EUA. Já exerceu os cargos de ministra do Planejamento e prefeita de Marrakesh e integra o Partido da Modernidade e Autenticidade, que, com este nome exótico, possui grande ligação com a monarquia.