Candidato à presidência pelo Avante, o escritor Augusto Cury teve 2,9% nas eleições 2026 (3.437.401 votos). Sabatinado pelos jornalistas Cesar Tralli e Renata Vasconcelos no dia 29 de setembro, ele criticou duas vezes neste mês o que chamou de “polarização da sociedade brasileira”. A primeira fala foi em 17 de agosto após ameaçar não participar do debate organizado pela TV Bandeirantes. Na época, o candidato, que também é escritor, expôs sua insatisfação com as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Romeu Zema (Novo) também faltou.
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— O Brasil está dramaticamente doente, polarizado, radicalizado. Venderam uma ideia mentirosa que estamos em dois barcos. Estamos em um barco só, nem de direita, nem de esquerda. O barco se chama família brasileira, mais de 200 milhões de brasileiros. E 90% das dores não têm cor partidária — diz Cury, que em seguida começou a falar de violência contra mulheres, desemprego de jovens e impactos da IA sobre o mercado de trabalho.
Durante sabatina promovida por O GLOBO, CBN e Valor na última sexta-feira, dia 28, o candidato voltou a repetir que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda e novamente criticou a polarização política do país. Recém-chegado à disputa eleitoral, o escritor e psiquiatra defendeu que problemas como violência educação e desemprego não têm “cor ideológica”. As frases são quase mantras que o candidato tem repetido em todas as suas falas.
— Mais de 90% das dores não têm cor ideológica. Quando uma mulher é morta, essa dor não é de direita ou esquerda. Pessoas com autismo não são de direita ou esquerda. Quando o professor perdeu a autoridade e é refém dos alunos, não é dor de direita ou esquerda — afirmou.
Cury resumiu sua posição política com outra frase decorada: “Minha mente é capitalista, com todos os pressupostos do capitalismo: meritocracia, Estado enxuto, empreendedorismo, liberdade de expressão, preservação da família, mas meu coração é social”.
— Eu posso ter valores da direita, dentro do centro, e também valores sociais. […] Existem contradições. Liberdade de expressão é cara para a esquerda. Você fala: “A esquerda quer controlar as mídias”. Não. Tem muitos setores da esquerda que valorizam a liberdade de expressão — afirmou o escritor.
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