Com a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da corrida pelo Palácio do Planalto, a a bancada ruralista do Congresso já discute apresentar uma lista tríplice de nomes para indicar ao comando do Ministério da Agricultura. Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendem que eles sejam ouvidos na escolha do titular da pasta, embora o candidato não tenha dado garantias de que seguirá a indicação.
Entre os cotados estão o presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), o ex-governador de Mato Grosso e recém-eleito senador Mauro Mendes (União Brasil) e Odílio Balbinotti Filho, empresário do setor de sementes. Os nomes ainda deverão passar por discussão interna antes de serem eventualmente apresentados ao candidato.
Lupion é defendido por parte da bancada como o nome mais natural para assumir a pasta, pela experiência na articulação das demandas do setor no Congresso. Outros integrantes, porém, avaliam que ele se antecipou na disputa e teria “queimado a largada” ao ter seu nome associado ao cargo antes de Flávio vencer a eleição e de a frente consolidar uma posição.
Mauro Mendes tem experiência à frente de Mato Grosso, um dos principais estados produtores do país. Já Balbinotti participou da organização de agendas de Flávio no estado durante a campanha, incluindo uma viagem para a gravação de material com indígenas produtores Haliti-Paresi.
A tentativa da bancada de influenciar a escolha ocorre em meio à disputa de partidos aliados por espaço em um eventual governo. O Republicanos, legenda de Lupion e do presidente da Câmara, Hugo Motta, está entre as siglas que buscam espaço na futura administração. A FPA, porém, reúne parlamentares de diferentes partidos e pretende defender os interesses do agronegócio na escolha do ministro.
Integrantes da bancada também defendem que o futuro titular tenha capacidade de articulação com o Congresso para avançar em pautas como crédito rural, seguro agrícola e abertura de mercados. Embora reconheçam avanços do governo Lula na abertura de mercados para produtos agropecuários, integrantes da FPA criticam a demora em antecipar restrições comerciais e o custo elevado do crédito para os produtores.
Fusão de ministérios
Além da escolha do titular da Agricultura, aliados de Flávio discutem a possibilidade reunir Agricultura e Desenvolvimento Agrário em uma única pasta e incorporar o da Pesca à estrutura. A proposta busca concentrar políticas voltadas ao agronegócio empresarial, à agricultura familiar e ao setor pesqueiro.
Outra ideia em circulação é criar um Ministério da Prosperidade, reunindo atribuições hoje distribuídas entre Desenvolvimento e Assistência Social, Trabalho e Emprego e Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte. O objetivo seria concentrar políticas de assistência social, geração de emprego e renda e apoio aos pequenos negócios.
Flávio tem prometido reduzir o número de ministérios caso seja eleito, mas ainda não detalhou quais pastas pretende extinguir ou fundir. Ao assumir o terceiro mandato, Lula montou uma Esplanada com 37 ministérios e recriou estruturas como Pesca e Aquicultura e Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Em 2023, também criou o Ministério do Empreendedorismo, ampliando a estrutura, que foi alvo de críticas pelo tamanho e pela fragmentação de áreas com atribuições relacionadas.
A discussão sobre a futura Esplanada ocorre enquanto Flávio tenta conter o clima de vitória antecipada na campanha. Aliados têm sido aconselhados a concentrar esforços na eleição e deixar a definição dos cargos para depois de um eventual resultado favorável nas urnas.
Nesta terça-feira, Flávio voltou a bater na tecla de que a eleição não está ganha e que ainda há um longo caminho pela frente até o segundo turno. A ideia vem sendo repetida pelo candidato desde semana passada, diante do otimismo de sua base. No final de semana, ele também publicou em suas redes alertando contra supostos “picaretas” que estariam oferecendo cargos em seu bom e disse que ninguém poderia falar por ele sobre isso.
Bancada ruralista quer apresentar lista tríplice para indicação de ministro da Agricultura em eventual governo Flávio
