Pular para o conteúdo
News

Bárbara Evans não está sozinha. Entenda por que as birras aumentam aos 4 anos

“Eu estou no meu limite, muito cansada.” O desabafo de Bárbara Evans, publicado nas redes sociais na última quinta-feira (10), expôs uma exaustão que atravessa muitas famílias: a sensação de que, em determinada fase da infância, cada pedido pode virar uma negociação, cada frustração, uma crise, e até as situações mais corriqueiras da rotina exigem […]

Bárbara Evans não está sozinha. Entenda por que as birras aumentam aos 4 anos


“Eu estou no meu limite, muito cansada.” O desabafo de Bárbara Evans, publicado nas redes sociais na última quinta-feira (10), expôs uma exaustão que atravessa muitas famílias: a sensação de que, em determinada fase da infância, cada pedido pode virar uma negociação, cada frustração, uma crise, e até as situações mais corriqueiras da rotina exigem uma dose extra de paciência. Mãe de Ayla, de 4 anos, a influenciadora contou que tem enfrentado episódios de gritos, respostas e birras da filha e chegou a dizer que sente que a menina já não a respeita.
Rotina intensa pode cobrar a conta do corpo? O que o caso de Anitta mostra
Hariany Almeida guarda perfumes na geladeira. Será que o hábito funciona?
A rotina, segundo Bárbara, ficou ainda mais pesada depois que deixou de contar com uma babá. Com o marido, Gustavo Theodoro, passando boa parte do dia fora, ela relata assumir uma parcela maior dos cuidados com as crianças e ter pouco tempo para ficar sozinha. O desabafo também traz uma questão que costuma gerar culpa e insegurança entre pais e mães. Afinal, até que ponto a oposição de uma criança de 4 anos faz parte do desenvolvimento e em que momento pode ser um sinal de que algo não vai bem?
Por que crianças de 4 anos fazem tanta birra? O desafio vivido por Bárbara Evans
Reprodução Instagram
Para a pediatra e neonatologista Renata Castro, antes de interpretar uma reação como provocação ou desrespeito, é importante considerar o que uma criança dessa idade já consegue compreender e, principalmente, aquilo que ainda está aprendendo a administrar.
“Por volta dos 4 anos, a criança está ampliando muito sua autonomia. Ela percebe que tem vontades próprias, quer escolher, negociar, contestar e experimentar até onde pode ir. Ao mesmo tempo, ainda está desenvolvendo habilidades para lidar com frustração, esperar, controlar impulsos e colocar em palavras tudo aquilo que sente. Por isso, uma reação intensa diante de um ‘não’ não deve ser interpretada automaticamente como falta de respeito ou como sinal de que os pais fracassaram na educação”, explica.
Isso, porém, não significa abrir mão de limites. A questão está em como eles são estabelecidos. Nessa fase, regras claras e previsíveis ajudam a criança a entender o que pode ou não fazer, enquanto respostas muito diferentes diante de situações semelhantes podem tornar a dinâmica ainda mais confusa.
Limite não é sinônimo de grito
Um dos desafios da parentalidade está justamente em conciliar duas coisas que podem parecer opostas: acolher o que a criança está sentindo e, ao mesmo tempo, sustentar uma regra. Se ela chora ou faz uma cena porque ouviu um “não”, por exemplo, é possível reconhecer a frustração sem necessariamente mudar de decisão.
“Existe uma diferença importante entre acolher o sentimento e ceder ao comportamento. Podemos dizer para uma criança que entendemos que ela está brava ou frustrada e, ainda assim, manter o limite estabelecido”, afirma o pediatra Thiago Castro.
Segundo ele, transformar cada episódio em uma longa discussão ou entrar em uma disputa para ver quem “vence” tende a aumentar a tensão. A consistência, nesse caso, costuma ser mais eficaz do que elevar o tom de voz.
“Quando o adulto muda a regra depois de uma birra muito intensa, a criança pode aprender que aumentar o comportamento é uma maneira de conseguir aquilo que deseja. Por isso, os limites precisam ser simples, objetivos e, principalmente, consistentes. Gritar mais alto do que a criança ou entrar em uma disputa de poder tende apenas a aumentar a tensão daquele momento”, diz.
Também é importante lembrar que a capacidade de autorregulação ainda está em construção. Uma criança pequena pode saber que determinada atitude não é permitida e, mesmo assim, ter dificuldade de interrompê-la quando está tomada pela raiva ou pela frustração. Isso não elimina a necessidade de orientação dos adultos, mas muda a expectativa sobre como ela deve reagir.
E quando quem está no limite é a mãe?
No caso de Bárbara, o cansaço aparece como uma parte importante da equação. Afinal, falar sobre birras e limites sem olhar para as condições em que os adultos estão tentando lidar com elas seria deixar de fora uma peça fundamental da dinâmica familiar.
Privação de sono, excesso de tarefas, pouca possibilidade de descanso e ausência de uma rede de apoio podem reduzir a disponibilidade emocional dos pais. E uma criança também tende a ficar mais desregulada quando está cansada, com fome ou passando por mudanças na rotina.
“Quando pai ou mãe percebem que estão muito irritados, é importante, sempre que a criança estiver em segurança, tentar interromper a escalada daquele conflito antes de continuar a conversa. Educar exige repetição, e isso pode ser extremamente cansativo”, observa Renata.
Para a especialista, dividir responsabilidades e contar com ajuda quando possível não deve ser encarado como um luxo ou como sinal de incapacidade. “Rede de apoio e divisão das responsabilidades também fazem parte de um ambiente familiar saudável. Nenhum cuidador consegue permanecer paciente e disponível o tempo inteiro quando está completamente esgotado”, completa.
Toda birra é esperada aos 4 anos?
Não existe uma idade em que as birras simplesmente desapareçam, nem um comportamento que possa ser avaliado isoladamente. Mais do que perguntar se uma criança “faz muita birra”, especialistas consideram aspectos como frequência, duração, intensidade e impacto desses episódios na vida familiar.
Segundo Thiago, crises muito frequentes ou intensas merecem ser discutidas com o pediatra, especialmente quando vêm acompanhadas de outros sinais.
“Se as crises são muito frequentes, extremamente intensas, duram muito tempo, envolvem agressividade importante, prejuízo na escola, alterações significativas de sono ou alimentação, dificuldade persistente de interação ou estão tornando a rotina familiar praticamente inviável, vale conversar com o pediatra”, orienta.
Bárbara Evans é casada com o empresário Gustavo Theodoro, com quem tem três filhos
Reprodução Instagram
A avaliação não significa, necessariamente, que exista um diagnóstico ou algum problema de desenvolvimento. O mais importante é olhar para o comportamento como um todo e entender em que situações essas crises acontecem. A partir daí, o pediatra pode avaliar se a criança ou a família precisam de orientação ou algum tipo de suporte.
No fim do relato, Bárbara reconheceu a dificuldade de educar uma criança e disse querer oferecer a melhor criação possível à filha. E talvez esse seja um dos maiores desafios dessa fase. Aos 4 anos, testar limites, querer fazer escolhas e se frustrar quando ouve um “não” fazem parte do aprendizado. Cabe aos adultos ajudar a criança a atravessar essas situações, mantendo os limites sem esperar dela uma maturidade emocional que ainda está em construção.
Mas esse cuidado também precisa incluir quem está do outro lado. Quando o cansaço deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina, dividir responsabilidades, pedir ajuda e encontrar algum espaço para descansar também são formas de cuidar da família.

Bárbara Evans não está sozinha. Entenda por que as birras aumentam aos 4 anos

Autor

BRCOM