Mesmo com a redução da Taxa Selic em 0,25 ponto percentual definida hoje pelo Banco Central, para 13,75% ao ano, o Brasil segue líder no ranking das maiores taxas de juros reais do mundo. O levantamento foi realizado pela MoneYou e da Lev Intelligence.
Descontada a inflação em 12 meses, a taxa básica a 13,75% faz com que os juros reais do Brasil operem em um patamar de 8,45%, o maior na comparação com outras 40 nações. O segundo lugar é da Rússia, com juros reais de 6,79%. No país, que trava uma guerra com a vizinha Ucrânia, a taxa nominal é de 14% ao ano.
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A taxa real, que considera descontada a inflação dos próximos doze meses, supera a de países com juros tradicionalmente altos, como Turquia e Colômbia.
Depois de Brasil e Rússia, a lista é seguida pela Colômbia, com taxa real de 6,33%, e pela Turquia, com taxa de 6,25%. O México é o terceiro país da América Latina na lista, ocupando o quinto lugar no ranking global, com taxa real de 3,08%.
A nossa taxa real também fica à frente da África do Sul, com taxa real de 2,93%, e da vizinha Argentina, com 2,69%.
Inflação em alta
De acordo com Jason Vieira, economista-chefe da consultoria MoneyYou e responsável pelo estudo, o impacto do conflito entre o Irã e os EUA alterou a dinâmica das projeções globais de inflação para os próximos 12 meses, ensejando juros reais menores:
“As perspectivas inflacionárias para os próximos 12 meses foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série significativa de juros reais mais baixos e negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio”, disse.
Dos 40 países monitorados no estudo atual, 22 mantiveram suas taxas nominais estáveis, enquanto quatro cortaram — caso do Brasil — e 14 elevaram. No início de agosto, no ranking anterior, 23 países tinham mantido suas taxas estáveis, enquanto nove haviam realizado um aperto monetário. Outros oito haviam cortado.
Já no ranking dos juros nominais, sem descontar a inflação, o Brasil figura em quarto lugar no ranking, com 13,75% ao ano. O país só fica atrás de Turquia (37% ao ano), Argentina (29% ao ano) e da Rússia (14% ao ano). O Brasil está à frente das taxas nominais da Colômbia (12%), da África do Sul (7%) e do México (6,5%).
O levantamento apontou que somente cinco países registraram taxa de juro real negativa. Este é um cenário em que a inflação supera a taxa básica nominal do país, resultando em perda do poder de compra dos rendimentos de renda fixa atrelados a ela, como títulos públicos.
Registraram taxas negativas Taiwan (-0,15%), o Japão (-0,44%), a Suíça (-0,5%), as Filipinas (-0,62%) e a Nova Zelândia (-0,91%).
Para elaborar o ranking, foi considerada a taxa de juros a mercado no vencimento mais líquido 12 meses à frente. E também a inflação projetada para os 12 meses consecutivos, com base nas estimativas feitas pelo boletim Focus, documento elaborado pelo Banco Central com mais de 100 instituições.
Veja os países com maior taxa de juro real, em ordem:
BRASIL 8,45%
Rússia 6,79%
Colômbia 6,33%
Turquia 6,25%
México 3,08%
África do Sul 2,93%
Argentina 2,69%
Hungria 2,51%
Indonésia 2,14%
Chile 2,09%
Fonte: MoneYou e Lev Intelligence
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Brasil segue com maior juro real do mundo, mesmo com redução na Selic
Mesmo com a redução da Taxa Selic em 0,25 ponto percentual definida hoje pelo Banco Central, para 13,75% ao ano, o Brasil segue líder no ranking das maiores taxas de juros reais do mundo. O levantamento foi realizado pela MoneYou e da Lev Intelligence. Descontada a inflação em 12 meses, a taxa básica a 13,75% […]