Não é só Flávio Bolsonaro que tem se queixado de uma interferência do Judiciário às vésperas da eleição. Ontem, o senador desistiu de ir ao debate da Globo alegando censura do TSE por vetar o púlpito vazio de Lula — e incomodado, claro, com a decisão de Gilmar Mendes de autorizar a participação de Renan Santos.
A campanha de Ciro Gomes (PSDB) também anda indignada com a atuação das Cortes Superiores na disputa ao governo do Ceará e contesta decisões favoráveis a Elmano de Freitas (PT) nos dias que antecedem o primeiro turno.
Uma delas, proferida anteontem por Gilmar, cassou uma decisão do TRE-CE que proibia a veiculação de uma propaganda com o título “O Ciro não respeita ninguém”. Ainda determinou a recomposição do tempo de rádio retirado da coligação de Elmano.
Na prática, as emissoras vão veicular a propaganda até o sábado, véspera da votação e fora do prazo do horário eleitoral, encerrado nesta quinta-feira. Hoje, por exemplo, foi ao ar uma inserção com Lula pedindo voto a Elmano.
Ontem, Dias Toffoli acatou um pedido da campanha do petista para que as emissoras adicionem 30 segundos às veiculações de Elmano retiradas por direitos de resposta concedidos a Ciro.
Na campanha do candidato tucano, a reclamação é que a interferência do STF está afetando a isonomia do pleito.
Antes disso, já havia um descontentamento com uma decisão liminar do ministro Floriano Marques, do TSE, que restringia atos de campanha de candidatos do União Brasil na chapa de Ciro. Depois, o magistrado se declarou suspeito em razão de sua filha ter advogado para o suplente de Cid Gomes (PSB), seu adversário.
Campanha de Ciro se revolta com interferência do STF em disputa no Ceará perto da eleição
