A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia anunciar que o vice Geraldo Alckmin será o ministro da Fazenda em um eventual quarto mandato. A indicação serviria para sinalizar ao mercado e ao eleitorado de centro no segundo turno das eleições, após o petista ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
Aliados de Lula e integrantes do governo defendem a ideia, mas o presidente ainda não estaria convencido. Ex-tucano, Alckmin teve como bandeira nos seus quatro mandatos em São Paulo o controle dos gastos públicos. A sua ida para o comando da equipe econômica apontaria uma disposição do governo de cortar despesas para controlar a dívida pública. A informação foi antecipada pela agência Reuters.
Quando foi candidato a presidente pela última vez em 2018, ainda filiado ao PSDB, o então tucano teve como seu principal assessor econômico Pérsio Arida, um dos criadores do Plano Real.
Na disputa de 2022, Lula, após anunciar Alckmin como vice, conseguiu atrair o apoio de economistas ligados ao PSDB, entre eles Arida, Pedro Malan e Armínio Fraga. Posteriormente, esses nomes passaram a criticar a condução da economia no quarto mandato do petista principalmente por causa do descontrole das contas públicas.
Nesta segunda-feira, a bolsa subiu e o dólar caiu depois que o mercado passou a considerar que Flávio Bolsonaro (PL), por ter obtido mais votos no primeiro turno, é o favorito para vencer a disputa presidencial deste ano.
No discurso realizado na noite de domingo para comentar a votação, Lula já iniciou um movimento para dar mais protagonismo a Alckmin. O presidente citou o vice oito vezes.
— Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin. Pelo que ele fez no estado de São Paulo e pelo nós fizemos no Brasil — disse Lula, em uma das citações.
Também pediu que o vice também falasse para a plateia reunida em um hotel de São Paulo.
Maior protagonismo
Em busca do eleitor de centro para tentar reverter a vantagem que Flávio Bolsonaro (PL) obteve no primeiro turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende dar maior protagonismo ao vice Geraldo Alckmin na etapa final da disputa.
A estratégia já foi percebida no pronunciamento feito por Lula na noite deste domingo para falar sobre a apuração de votos. O presidente citou o vice oito vezes.
— Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin. Pelo que ele fez no estado de São Paulo e pelo nós fizemos no Brasil — disse Lula, em uma das citações.
Pediu que ele também falasse para a plateia reunida em um hotel de São Paulo. O vice fez um discurso de comparação das gestões de Lula e de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
Setores do governo e da campanha criticaram o fato de Alckmin não ter tido um papel de destaque no primeiro turno. A avaliação é que o vice tem condições de dialogar melhor com uma fatia do eleitorado que é refratária a Lula e ao PT. Pelo plano definido após o resultado do primeiro turno, o vice da chapa também deve aparecer mais no horário eleitoral na televisão.
Na campanha de 2022, após selar a surpreendente aliança com o ex-tucano, o petista explorou muito a associação com o antigo adversário que simbolizava a frente ampla para enfrentar o então presidente Jair Bolsonaro.
Lula dizia, na época, que se fosse eleito governaria junto com Alckmin e exaltou a sua experiência de quatro mandatos como governador de São Paulo.
Lula e Alckmin, na época no PSDB, se enfrentaram na eleição presidencial. Os dois disputaram o segundo turno em que o petista saiu vitorioso.
Campanha de Lula avalia apontar nome de Alckmin ao Ministério da Fazenda para sinalizar ao centro e mercado
