O chefe do MI5, a agência de segurança interna do Reino Unido, destacou o Irã em seu informe anual sobre ameaças nesta terça-feira, acusando o país de intensificar os ataques em meio à escalada das tensões entre as duas nações.
Contexto: Homem é preso por suspeita de terrorismo em investigações sobre incidente de segurança em base no Reino Unido
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— Na primavera, houve uma onda de incêndios criminosos e atos de sabotagem contra comunidades judaicas no Reino Unido e em outros países europeus — afirmou Ken McCallum, chefe do MI5, durante a apresentação.
Ele atribuiu os ataques ao Irã e os classificou como “repugnantes”.
— A outra grande mudança neste ano foi a ambição iraniana de atingir alvos mais difíceis, como instalações militares — destacou.
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As declarações de McCallum ocorrem após uma série de ataques em território britânico contra instituições judaicas e ligadas a Israel e, mais recentemente, contra uma base aérea utilizada pelos Estados Unidos durante a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro.
Um bombardeiro B-1B Lancer da Força Aérea dos EUA está estacionado no pátio da base da RAF em Fairford, no sudoeste da Inglaterra, em 28 de setembro de 2026 — um dia depois de a polícia antiterrorismo britânica ter investigado um incidente “de grande porte” nas proximidades da base
BEN STANSALL / AFP
Em seu discurso, McCallum afirmou que mais de 50 pessoas foram presas em conexão com operações ligadas ao Irã no Reino Unido nos últimos 12 meses. Entre elas estão dois cidadãos iranianos acusados neste mês de envolvimento em um suposto plano terrorista contra judeus na região de Manchester, no noroeste da Inglaterra.
Ameaça à base aérea
As tensões entre o Irã e o Reino Unido já eram elevadas, mas a natureza e a dimensão do incidente na base aérea de RAF Fairford aumentaram as preocupações de que o confronto tenha entrado em uma fase mais grave, à medida que o Irã reage e tenta intimidar um importante aliado dos Estados Unidos e disseminar o terror entre comunidades judaicas.
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Em sua apresentação, McCallum enumerou uma série de ameaças enfrentadas pelo país, incluindo inteligência artificial, terrorismo e China. A Rússia, afirmou, “continua sendo a agressora número um”, citando ataques híbridos em toda a Europa destinados a enfraquecer o apoio à Ucrânia.
A dependência de Moscou de criminosos ou de “voluntários ingênuos”, observou, não corresponde às “ações de uma grande potência que detém a vantagem estratégica”.
No mês passado, autoridades de inteligência tomaram conhecimento de uma possível ameaça iraniana contra bases americanas na Europa, incluindo RAF Fairford, localizada no sul da Inglaterra.
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Dias depois, cinco homens foram presos após dirigirem três vans brancas nas proximidades da base. Inicialmente, eles foram detidos sob suspeita de terrorismo e crimes relacionados a explosivos, mas acabaram liberados sob fiança depois que a polícia encontrou apenas gasolina nos veículos, o que levantou dúvidas sobre a gravidade do plano. Especialistas em segurança sugeriram que poderia ter sido uma tentativa fracassada de incêndio criminoso, semelhante a outros episódios ligados ao Irã.
Um bombardeiro B-1 Lancer da Força Aérea dos EUA aparece no pátio da base da RAF em Fairford, no sudoeste da Inglaterra, em 27 de setembro de 2026
JUSTIN TALLIS / AFP
Na segunda-feira, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou ao Parlamento:
— Não toleraremos essas ameaças em nosso território.
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Burnham disse que o plano contra RAF Fairford foi “quase certamente” dirigido pela Guarda Revolucionária do Irã, o poderoso aparato de segurança do país. Os acontecimentos motivaram uma ampla investigação antiterrorista, que levou a outras duas prisões, mas esses homens também foram liberados sob fiança.
Posteriormente, os EUA retiraram seus bombardeiros da Inglaterra após receberem informações adicionais de inteligência sobre um possível ataque com drones liderado pelo Irã. Especialistas britânicos em segurança, porém, questionaram se o país teria capacidade para realizar uma operação sofisticada com drones em território britânico.
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Questionado sobre o assunto, McCallum disse:
— Considerando o que efetivamente vimos na prática no Reino Unido nos últimos anos, isso esteve muito longe desse nível de capacidade.
Redes criminosas
Autoridades britânicas, incluindo McCallum, têm alertado com frequência para a ameaça iraniana e destacado a dependência do país de intermediários criminosos para executar ataques. No centro dessas operações está a Guarda Revolucionária, que as autoridades britânicas tomaram medidas neste ano para classificar como organização terrorista.
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Burnham afirmou ao Parlamento:
— Vamos reprimir o uso de redes criminosas pelo Irã, empregando todos os nossos instrumentos legais para atingir essas redes e suas fontes de financiamento. Também adotaremos novas sanções para restringir a capacidade do Irã e da Guarda Revolucionária de nos causar danos.
Como parte desse esforço, o governo britânico identificou e sancionou na segunda-feira dois iranianos que, segundo as autoridades, estavam envolvidos na coordenação de ataques no exterior: Ruhollah Bazghandi, chefe da unidade de contraespionagem da Guarda Revolucionária, e Shahram Ali Reza Tamarzadeh Jakki, um intermediário ligado a uma rede criminosa iraniana que tinha como alvo dissidentes do país.
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O Irã negou qualquer participação nos acontecimentos na base aérea.
Antes das prisões relacionadas a RAF Fairford, as autoridades britânicas já estavam concentradas na ameaça iraniana, após o país ser acusado de promover uma campanha de retaliação na Europa. Nesses casos, as autoridades responsabilizaram o Kataib Hezbollah, grupo classificado como organização terrorista pelos EUA e que atua como aliado da Guarda Revolucionária.
O grupo ligado ao Irã utilizou uma organização de fachada — Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiyya, ou Hayi — que reivindicou tentativas de ataques no Reino Unido, na Bélgica e nos Países Baixos. Em Londres, quatro ambulâncias da Hatzola, que atendem principalmente comunidades judaicas ortodoxas, foram incendiadas.
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Os ataques reivindicados pela Hayi não deixaram mortos e, em geral, foram pouco sofisticados. As ações foram executadas por criminosos locais ou adolescentes recrutados pela internet, que frequentemente afirmavam não saber quem os havia contratado.
Em maio, um comandante do grupo foi acusado nos EUA de liderar os ataques e outros incidentes na Europa.
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