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Ciências Humanas no Enem: saiba quais são os conteúdos mais cobrados e como revisá-los até a prova

Por · outubro 22, 2026
Ciências Humanas no Enem: saiba quais são os conteúdos mais cobrados e como revisá-los até a prova


Como todo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a prova de Ciências Humanas está longe de cobrar decoreba. Nada ali exige do candidato saber na ponta da língua datas, nomes de pensadores ou de países. Pelo contrário. Especialistas apontam que as questões de História, Geografia, Filosofia e Sociologia costumam exigir que os candidatos relacionem conceitos a situações concretas, processos históricos e problemas da sociedade contemporânea.
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Segundo Lígia Albuquerque, coordenadora de Ciências Humanas do Elite Rede de Ensino, parceiro da Amplia Plataforma de Ensino, os temas que atravessam as quatro disciplinas incluem, por exemplo:
Desigualdades de raça, gênero e classe
Cidadania
Democracia
Participação política
Cultura
Identidade
Indústria cultural
Mídia
Trabalho
Tecnologia
Violência
Movimentos sociais
Questões ambientais e territoriais (aparecem com frequência)
— Na hora de revisar os conteúdos, é importante integrar os conceitos a situações cotidianas, uma vez que o exame demanda aplicação prática — afirma.
Para Marcello Rangel, coordenador de ensino médio do Instituto GayLussac e professor de História, três eixos merecem destaque na preparação para Ciências Humanas: a História do Brasil no século XX, especialmente o período getulista; as questões relacionadas à escravidão; e as relações de poder no mundo contemporâneo.
— Como estratégia de prova, a dica é resolver as questões não em sequência numérica, mas sim na ordem das questões que o aluno tem o maior domínio. Isso vai fazer com que ele realize as questões fáceis no início e deixe as questões mais desafiadoras, que tiver mais dificuldade, para o final — afirmou.
A professora Lígia Albuquerque destaca ainda que conhecer as ideias centrais de autores estudados ao longo do ensino médio ajuda na compreensão dos enunciados, mas a memorização, isoladamente, não costuma ser suficiente. O candidato precisa entender como os conceitos se relacionam com o contexto apresentado em cada questão.
Os textos-base podem ser teóricos, legais, jornalísticos ou literários, além de incluir dados estatísticos, mapas, gráficos e imagens que retratam a atualidade ou processos históricos. Por isso, a leitura atenta dos materiais apresentados no enunciado é uma etapa importante da resolução.
— O texto-base é indispensável. Portanto, a melhor estratégia é lê-lo antes das alternativas e entender qual é a situação-problema — orienta Lígia.
Outra recomendação da professora é ter atenção a alternativas que empregam termos absolutos, como “totalmente”, “eliminou” ou “nunca”. Segundo a coordenadora, essas expressões costumam aparecer em opções incorretas. Mais do que identificar a resposta certa, o estudante deve procurar compreender por que as demais alternativas estão erradas. O exercício contribui para desenvolver a leitura crítica exigida pelo exame.
Na avaliação de Caio Leite, professor do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), o Enem não pede que o aluno decore frases célebres. Por isso, é preciso ter atenção especial ao que a questão pede.
— O enunciado apresenta uma situação-problema ou um fragmento de texto clássico ou moderno, e exige que o candidato reconheça o argumento do autor e identifique como aquela teoria se aplica à ética, à política ou ao conhecimento — afirmou.
O que estudar
Brasil Colonial e Império: processo de colonização, escravidão e herança afro-brasileira, Primeiro e Segundo Reinados, além dos movimentos de emancipação;
Brasil República: Primeira República, Era Vargas, processo de urbanização e industrialização, e a Ditadura Militar;
História Geral: Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), Idade Média, Grandes Navegações, Revolução Industrial, Fascismo, Nazismo, Guerras Mundiais e Guerra Fria;
Patrimônio e Diversidade: História afro-brasileira, história dos povos indígenas e a preservação do patrimônio histórico-cultural.
Questões ambientais e sustentabilidade: mudanças climáticas, desmatamento, impactos da ação humana nos biomas brasileiros, gestão de recursos hídricos e matrizes energéticas;
Geografia agrária: uso da terra no Brasil, modernização da agricultura, agronegócio, agroecologia e conflitos fundiários;
Urbanização e demografia: crescimento das cidades, segregação socioespacial, mobilidade urbana, transição demográfica e fluxos migratórios;
Cartografia e Geografia física: leitura de mapas, escalas, domínios morfoclimáticos, solos e dinamismos de relevo e clima.
Filosofia Política e Cidadania: conceitos de Estado, poder, democracia e liberdade em autores como Aristóteles, Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau e Hannah Arendt. Vale lembrar, por exemplo, que conceitos como estado de natureza são transversais para Hobbes, Locke e Rousseau, sendo frequentemente cobrados nas provas. Outro tipo de questão emergente nas avaliações do Enem são textos comparando o conceito de Estado, poder e forma de governo, trazendo textos dos próprios autores clássicos ou de comentaristas e estudiosos dos clássicos.
Ética e Justiça: moral, virtude e dever nas perspectivas da Filosofia Antiga, de Immanuel Kant e do Utilitarismo. Kant, por exemplo, é um excelente referencial teórico para os temas de ética, justiça, como também quando discute sobre a maioridade do ser humano – para ele, o sujeito só torna-se autônomo quando entende seu papel de representatividade no mundo a partir das ações que podem ser tidas como modelos de comportamento por todas as pessoas.
Teoria do Conhecimento: Racionalismo, Empirismo, Filosofia Contemporânea e os limites da razão humana; e a disputa entre Descartes e Bacon – o ser humano é uma tábula rasa na qual a razão será construída ou as experiências são definidoras do conhecimento?
Existencialismo e Filosofia Moderna: reflexões sobre a condição humana, finitude, linguagem e crítica à modernidade em pensadores como Nietzsche e Sartre. Esse último, em especial, sempre merece destaque com os conceitos de ser-em-si e ser-para-si; e sua obra clássica, A Náusea, cuja discussão ainda se faz presente nos nossos dias.
Cultura e Identidade: diversidade cultural, patrimônio, etnocentrismo, alteridade e dinâmicas da cultura brasileira;
Trabalho e Organização Social: transformações no mundo do trabalho, relações de produção, informalidade, Taylorismo, Fordismo e reestruturação produtiva;
Estratificação e Desigualdade Social: relações de classe, raça, etnia, gênero e os mecanismos de exclusão e mobilidade social;
Poder, Estado e Movimentos Sociais: cidadania, direitos humanCiências Humanas: os conteúdos mais cobrados e como revisá-los até a provaos, democracia, formas de controle social e a atuação dos movimentos sociais organizados.
Canal e gabarito extraoficial do GLOBO
Na reta final para o Enem 2026, o GLOBO reúne reportagens especiais com dicas de estudos, rotina e estratégias para as provas em oglobo.com.br/enem. O canal é uma parceria com o Elite Rede de Ensino e a Amplia Plataforma de Ensino e terá novos conteúdos até os dias do exame.
Os conteúdos não terminam quando os estudantes concluem a prova. Nos dois dias de exame, professores do Elite e da Amplia vão elaborar um gabarito extraoficial, que estará disponível para leitores e assinantes no site do GLOBO.

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