O Brasil chega ao dia da eleição mais indefinida da história recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico nas pesquisas. A vantagem numérica é de apenas dois pontos nos votos válidos para o filho de Jair Bolsonaro: 51% a 49% na Quaest e no Datafolha. Desde 1989, a diferença entre um candidato e outro não era tão apertada na véspera do segundo turno.
Rali: Agregador do GLOBO mostra Flávio Bolsonaro com 50,6% e Lula em 49,4%, um dia antes do 2º turno
Embora o cenário deixe a disputa imprevisível, os resultados deram um banho de água fria na militância lulista, que contava pelo menos com empate numérico na véspera. Um movimento idêntico nos dois institutos foi a oscilação de um ponto para cima de ambos os candidatos, o que mostra que a onda pró-Lula que parecia se desenhar não se confirmou até ontem.
A Quaest, nos votos totais, pinta um ambiente com maior percentual de eleitores que declaram voto em branco ou nulo, 8%, enquanto 1% se diz indeciso. Flávio tem 46% das intenções, contra 45% de Lula.
No Datafolha, o candidato do PL marca 48% dos votos totais, e Lula, 47%. Apenas 3% declaram voto em branco ou nulo, e 2% ainda se dizem indecisos.
Peso da abstenção
Os dois institutos fizeram metodologias para estimar a possibilidade de as pessoas saírem de casa para votar. Na Quaest, o modelo de “likely voter” pondera a chance de abstenção com base no perfil histórico das eleições. A divulgação dos votos válidos já vem considerando isso.
Segundo o diretor do instituto, Felipe Nunes, a probabilidade de uma vitória de Lula hoje passa por aumentar o comparecimento de seus eleitores. Historicamente, dadas as características sociais de quem se abstém mais, como os eleitores de renda baixa, a ausência prejudica o PT.
Já o Datafolha divulgou pela primeira vez um cálculo que levou em conta a proximidade do eleitor da seção em que vota e a participação dele no primeiro turno. O resultado é favorável a Flávio, que tem fatia maior de apoiadores que tendem a ir votar. Ele aparece com 52% dos votos válidos nessa projeção, contra 48% de Lula.
Se nas intenções de voto o presidente não conseguiu transformar a onda nas ruas e nas redes em vantagem, o segundo turno serviu para fazer a aprovação ao governo enfim superar a desaprovação, o que não acontecia desde o início de agosto. Agora, segundo a Quaest, a gestão do petista é avalizada por 48% e desaprovada por 45%.
As últimas semanas também funcionaram para que o medo de um retorno da família Bolsonaro ao poder, citado por 45%, superasse o temor de uma reeleição de Lula, mencionado por 42%. Na prática, contudo, o antipetismo ainda tem prevalecido nas intenções de voto.
Flávio, apesar disso, foi capaz de diminuir a rejeição de uma pesquisa para a outra — de 52% para 49%. Lula se manteve com 47%.
A distância de apenas dois pontos nos válidos a um dia da eleição é inédita na série histórica dos institutos. Até então, as menores diferenças haviam sido registradas em 2014, quando o Datafolha apontou Dilma Rousseff (PT) com 52% contra 48% de Aécio Neves (PSDB), e 2022, ano em que ambos mostraram Lula com a mesma vantagem de quatro pontos em relação a Jair Bolsonaro (PL).
As pesquisas têm margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%. A Quaest fez 3.702 entrevistas entre sexta e sábado, a maior parte delas depois do debate da Globo, e o levantamento está registrado com o protocolo BR-09158/2026. O Datafolha ouviu 4.050 eleitores nos mesmos dias, e o número do registro é BR-09540/2026.
