Uma foto publicada por Virginia Fonseca na academia reacendeu uma discussão comum para quem acompanha imagens de corpos nas redes sociais: até que ponto aquilo que vemos em uma fotografia corresponde às proporções que perceberíamos pessoalmente? Na imagem, a influenciadora aparece de perfil diante do espelho, com o quadril projetado para trás e o celular à frente do corpo. A combinação de pose, enquadramento e distância do aparelho pode alterar bastante a maneira como as formas são percebidas.
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Não é possível afirmar, a partir da fotografia, se houve uso de filtro ou edição para modificar as proporções. E, para produzir diferenças visuais, nem sempre é preciso recorrer a ferramentas digitais. A distância entre a pessoa e a câmera, a perspectiva, a lente escolhida e a postura são capazes de interferir no resultado final.
Foto de Virginia Fonseca reacende debate sobre como ângulo, pose e lente podem influenciar a percepção do corpo
Reprodução Instagram
“Existe uma ideia de que, se não houve Photoshop ou filtro, aquela fotografia necessariamente representa exatamente as proporções que enxergaríamos pessoalmente, e não é assim. Fotografia é perspectiva. Se eu coloco o quadril mais próximo da câmera e afasto a cintura, aquela região que está na frente ganha presença. Se a pessoa ainda projeta o bumbum para trás, gira o tronco, contrai o abdômen e encontra um ângulo lateral favorável, conseguimos criar visualmente uma diferença muito grande. O corpo não mudou em segundos, mudou a forma como ele foi apresentado para a câmera”, diz o fotógrafo de celebridades Fabio Bahiense.
O que a lente do celular muda
O próprio smartphone pode contribuir para essa percepção. Lentes mais abertas permitem enquadrar uma área maior, mas, quando usadas muito próximas do assunto, podem acentuar a diferença entre o que está perto e o que está mais distante da objetiva. É um efeito de perspectiva, e não uma transformação física.
Na prática, isso ajuda a entender por que pernas podem parecer mais longas em determinados enquadramentos ou por que quadril e glúteos ganham destaque quando ficam mais próximos da câmera. A altura do aparelho, sua inclinação e a maneira como a pessoa se posiciona completam o efeito.
“Você pode fotografar a mesma pessoa com poucos segundos de diferença e produzir duas imagens em que o corpo parece completamente diferente. Uma câmera mais baixa pode alongar determinadas proporções; um celular inclinado modifica as linhas; a grande angular potencializa a perspectiva quando trabalhamos próximos; e a posição do corpo faz o restante”, explica Fabio.
Virginia Fonseca em foto que chama atenção para o efeito do ângulo no corpo
Reprodução Instagram
A roupa, o espelho, a iluminação e o enquadramento ainda podem direcionar o olhar para determinadas regiões. Nas redes, esse conhecimento deixou de ser exclusivo de fotógrafos e produtores profissionais. Com a prática, qualquer pessoa pode descobrir qual lado do rosto prefere, que altura favorece a silhueta ou como posicionar o celular para conseguir determinado efeito.
Virginia costuma compartilhar registros da rotina de exercícios e imagens do próprio corpo. Recentemente, publicou fotografias durante o treino e diante do espelho, incluindo registros após renovar o bronzeado. O interesse pelas imagens, no entanto, não é um fenômeno restrito à influenciadora.
A fotografia digital tornou mais simples escolher entre diferentes versões de uma mesma cena. Uma pessoa pode fazer dezenas de cliques até encontrar aquele em que a luz, a postura e o enquadramento produzem o resultado que deseja. O que chega às redes é, portanto, apenas um recorte entre muitas possibilidades.
“Uma boa fotografia sempre trabalha com escolha. Escolhemos luz, lente, enquadramento, distância e posição. Nas redes sociais, aprendemos também a escolher o ângulo que favorece o corpo. Não há problema em querer sair bem em uma foto. O cuidado é não esquecer que uma fotografia favorecida continua sendo um recorte, e não uma medida objetiva do corpo de ninguém”, pontua Bahiense.
Foto de Virginia Fonseca mostra como o ângulo pode mudar a percepção do corpo
Reprodução Instagram
É por isso que uma única imagem dificilmente serve como parâmetro para avaliar mudanças no corpo de alguém. Antes de concluir que uma pessoa emagreceu, ganhou quadril ou aumentou o volume dos glúteos a partir de uma fotografia, vale considerar tudo o que existe por trás daquele enquadramento, inclusive o lugar de onde a câmera registrou a cena.
Como ângulo, pose e lente podem mudar a percepção do corpo em uma foto
Uma foto publicada por Virginia Fonseca na academia reacendeu uma discussão comum para quem acompanha imagens de corpos nas redes sociais: até que ponto aquilo que vemos em uma fotografia corresponde às proporções que perceberíamos pessoalmente? Na imagem, a influenciadora aparece de perfil diante do espelho, com o quadril projetado para trás e o celular […]