Senhas de uma juíza do Rio Grande do Sul foram usadas em um ataque hacker para adulterar, no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), o mandado de prisão expedido contra o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, suspeito de matar a esposa em São Paulo. Preso em fevereiro, Santos havia obtido liberdade provisória no dia 6 de agosto, mas o Ministério Público de São Paulo (MPSP) recorreu da decisão, e a prisão foi decretada novamente.
No dia 16 de setembro, contudo, o MPSP percebeu que o mandado de prisão contra ele não constava mais no banco de dados do BNMP. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Santos não foi encontrado desde então e é considerado foragido.
O suspeito é acusado de ter matado Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, ao jogá-la do 10º andar de um prédio na Zona Sul de São Paulo, em novembro. No recurso que levou ao restabelecimento da ordem de prisão, o MPSP frisou a “periculosidade” de Santos.
De acordo como TJSP, foi verificado que o Registro Judiciário Individual de Alex Santos foi editado com a senha e o login de uma juíza da cidade de Planalto, no Rio Grande do Sul. Em nota, o MPSP frisou que a soltura do suspeito deu-se “em decorrência da alteração de dados provocadas, aparentemente, por um hacker”, o que pode ter sido decisivo “para essa situação de fuga”.
Já a Justiça do Rio Grande do Sul confirmou que uma ação possivelmente hacker ocasionou alterações no cadastro do réu, que passou a exibir o nome e o CPF de outra pessoa, e que já orientaram a magistrada envolvida no caso sobre os devidos protocolos necessários.
“O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informa que não tinha conhecimento prévio dos fatos relatados. Assim que tomou ciência da situação, foram imediatamente adotadas medidas preventivas e corretivas. Tanto o setor de Inteligência quanto a área de Tecnologia da Informação do TJRS realizaram os encaminhamentos necessários e orientaram a magistrada cujas credenciais teriam sido utilizadas a proceder à troca de sua senha de acesso ao sistema. Paralelamente, o tribunal está adotando as providências necessárias para apurar o caso, esclarecer as circunstâncias do ocorrido, verificar eventual uso indevido de credenciais e identificar medidas adicionais que possam ser cabíveis”, relatou o TJRS em nota.
Segundo o MP-SP, ainda não há maiores informações para que se identifique quem foi o responsável pela adulteração do documento e não há registros de envolvimento de funcionários públicos no caso. Ao GLOBO, o advogado de Santos afirmou que não sabia da adulteração.
Acusado de matar a mulher
Alex Leandro Bispo dos Santos é acusado pela morte de Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, em 29 de novembro do ano passado. Câmeras do prédio registraram a agressão contra a vítima. Segundo a investigação, ele teria jogado a companheira do 10º andar de um prédio. A polícia pontuou que ele é membro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
A defesa do empresário nega o crime e afirma que a jovem cometeu suicídio, além de negar que ele pertença à facção criminosa. Em 10 de agosto, Santos foi solto após decisão do juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 5ª Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, na Barra Funda.
Envolvimento no caso Dark Horse
Santos também é alvo de uma operação da Polícia Federal sobre a utilização de emendas parlamentares por empresas ligadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina da Gama, proprietária da produtora do filme “Dark horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Ele era dono de uma empresa ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina. O empresário tem condenações por roubo, estelionato, receptação e falsa identidade.
*Estagiárias sob supervisão de Alfredo Mergulhão
Criminosos usam senha de juíza gaúcha para adulterar mandado de prisão contra Escorpião do PCC, acusado de matar esposa
