A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, sairá derrotado das eleições de meio de mandato, que definem as maiorias na Câmara e no Senado nesta terça-feira, apontando o pleito americano como um possível ponto de partida para uma onda política progressista — que espera que chegue a Buenos Aires. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal americano Washington Post, publicada nesta segunda-feira.
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— A história não se escreve em linha reta. Há avanços e retrocessos, mas o povo sempre volta — disse Kirchner ao comentar sobre a possibilidade de retomada do movimento de esquerda que a levou à Presidência, apontando uma eventual derrota dos aliados de Trump nas eleições legislativas como o exemplo mais claro de uma tendência neste sentido. — Paradoxalmente, o homem que fez de tudo para ajudar governos de direita a vencerem na América Latina vai perder as eleições em seu próprio país.
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Aos 73 anos, Kirchner ainda preside o Partido Justicialista, de esquerda, fundado há 80 anos por Juan Perón e sua mulher, Eva, e colidera a Fuerza Patria, o maior bloco de oposição no Congresso Nacional — mesmo tendo cumprido apenas 18 meses dos seis anos de prisão aos quais foi condenada por um esquema fraudulento de contratação de obras públicas na província de Santa Cruz.
Ela alega que todo o procedimento judicial foi politicamente motivado. Ao Washington Post, disse que consideraria concorrer novamente à Presidência em 2027, quando se espera que o atual presidente, Javier Milei, tente a reeleição.
— Quando eu recuperar meus direitos políticos, por que não? — disse a ex-presidente, que atualmente busca por meio de uma ação no Comitê de Direitos Humanos da ONU uma revisão da condenação, alegando que lhe foram negados o devido processo legal e direitos fundamentais.
A liderança política peronista avaliou ainda que quando Milei e outros líderes de direita pelo mundo “não cumprirem suas promessas”, a mesma raiva antissistema que os impulsionaram “se voltará contra eles”.
Cristina Kirchner aposta em derrota de Trump nas eleições nos EUA e retorno de onda progressista
