Cada vez mais, os casamentos têm sido pensados como uma extensão da história de quem está se unindo. Em vez de seguir um roteiro pronto, alguns casais procuram incorporar à cerimônia e à festa referências familiares, culturais e afetivas, transformando escolhas como decoração, música, gastronomia e lembranças em formas de expressar sua identidade.
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A celebração de Juliette Freire e do atleta de CrossFit Kaique Cerveny, realizada na última quinta-feira (29), no Instituto Ricardo Brennand, em Recife, é um exemplo desse movimento. Com cerca de 300 convidados, a festa reuniu elementos da cultura nordestina e homenagens à trajetória da cantora.
A entrada de Juliette ao som de “Asa Branca”, a escolha de uma peça de crochê que pertenceu à avó para substituir o buquê e a presença do algodão na decoração foram algumas das referências pessoais incorporadas ao evento. As lembranças entregues aos convidados também seguiram essa proposta: bolsas confeccionadas por mulheres da comunidade do Marinho, na Paraíba, e pedras personalizadas com os nomes dos presentes.
Para Camila Piccini, fundadora do Casar.com, autenticidade e personalização estão entre os movimentos que devem ganhar espaço nos casamentos de 2027. A percepção, segundo ela, vem das conversas com casais e profissionais do setor.
“Juliette é um exemplo do que acredito serem as duas das principais tendências para os casamentos de 2027: autenticidade e personalização. Temos percebido esse movimento nas conversas com os casais e também nas trocas com nossos fornecedores e parceiros. Existe um desejo cada vez maior de criar celebrações que tenham identidade, contem a história dos noivos, traduzam suas origens, gostos e referências afetivas, se diferenciando do ‘lugar comum’. Mais do que seguir formatos prontos ou tendências estéticas, os casais querem que cada escolha tenha significado e que o casamento seja, de fato, uma representação de quem eles são”, explica.
Quando a história do casal aparece nos detalhes
A personalização vai além da escolha de cores, flores ou estilo de decoração. A proposta é fazer com que diferentes partes da celebração tenham relação com a trajetória dos noivos, seja por meio de objetos de família, referências culturais ou elementos ligados à memória afetiva. No casamento de Juliette e Kaique, essa intenção apareceu em escolhas que remetiam à origem da cantora e às pessoas importantes em sua história.
A peça de crochê que pertenceu à avó Maria, por exemplo, ocupou o lugar tradicionalmente reservado ao buquê. Já o algodão, associado à história familiar da artista, foi incorporado à ambientação. São detalhes que ajudam a contar sobre os noivos sem depender apenas de discursos ou homenagens durante a cerimônia.
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A cultura brasileira como inspiração
Outra característica da celebração foi a presença de referências nordestinas. Em vez de recorrer exclusivamente a elementos importados de festas internacionais, a proposta valorizou materiais, técnicas artesanais e manifestações culturais brasileiras. Essa escolha também aparece entre as possibilidades apontadas para os próximos anos.
A decoração, assinada pelo arquiteto e cenógrafo Harley Vix, seguiu o conceito “Céu à Terra”. Flores de algodão, cerâmicas produzidas em Tracunhaém e materiais como pedra e barro compuseram a ambientação. No espaço interno, velas e iluminação em tons quentes contribuíram para uma atmosfera intimista, em diálogo com a arquitetura e as obras de arte do Instituto Ricardo Brennand. O bolo de quatro andares também seguiu uma proposta escultural, com acabamento que remetia a uma obra de arte.
Para casais interessados em levar essa ideia para suas próprias celebrações, a brasilidade pode aparecer na escolha de fornecedores locais, no uso de técnicas artesanais, na gastronomia e na música. Mais do que reproduzir uma estética regional, a intenção é encontrar referências que tenham alguma relação com a história dos noivos e com o lugar escolhido para a festa.
Casamento como experiência para os convidados
Quando a celebração acontece em uma cidade diferente daquela onde os noivos vivem ou onde está a maior parte dos convidados, o planejamento envolve outros aspectos além da cerimônia e da recepção. No chamado destination wedding, a viagem também passa a fazer parte da experiência, o que leva os casais a pensar em hospedagem, deslocamentos e atividades para quem vem de fora.
No caso de Juliette e Kaique, os diferentes momentos das comemorações, do casamento civil aos eventos realizados na Paraíba e em Recife, foram conectados por referências à trajetória da cantora e à cultura nordestina. A recepção dos convidados nos hotéis também seguiu essa proposta: havia doces de boas-vindas com sabores ligados à história do casal e um QR Code com a programação da celebração. As peças de barro personalizadas e a papelaria completavam a identidade visual.
“O diferencial aqui é pensar o casamento para além do momento da cerimônia: criar uma narrativa que faça sentido para os noivos e, ao mesmo tempo, proporcione aos convidados uma experiência completa, especialmente quando envolve uma viagem. A escolha de atividades, passeios e referências culturais do destino pode transformar a celebração em uma oportunidade de convivência e descoberta”, avalia Camila.
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