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novembro 2, 2026
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Da cultura regional às lembranças afetivas: o que está mudando nos casamentos

Por · novembro 2, 2026
Da cultura regional às lembranças afetivas: o que está mudando nos casamentos


Cada vez mais, os casamentos têm sido pensados como uma extensão da história de quem está se unindo. Em vez de seguir um roteiro pronto, alguns casais procuram incorporar à cerimônia e à festa referências familiares, culturais e afetivas, transformando escolhas como decoração, música, gastronomia e lembranças em formas de expressar sua identidade.
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A celebração de Juliette Freire e do atleta de CrossFit Kaique Cerveny, realizada na última quinta-feira (29), no Instituto Ricardo Brennand, em Recife, é um exemplo desse movimento. Com cerca de 300 convidados, a festa reuniu elementos da cultura nordestina e homenagens à trajetória da cantora.
A entrada de Juliette ao som de “Asa Branca”, a escolha de uma peça de crochê que pertenceu à avó para substituir o buquê e a presença do algodão na decoração foram algumas das referências pessoais incorporadas ao evento. As lembranças entregues aos convidados também seguiram essa proposta: bolsas confeccionadas por mulheres da comunidade do Marinho, na Paraíba, e pedras personalizadas com os nomes dos presentes.
Para Camila Piccini, fundadora do Casar.com, autenticidade e personalização estão entre os movimentos que devem ganhar espaço nos casamentos de 2027. A percepção, segundo ela, vem das conversas com casais e profissionais do setor.
“Juliette é um exemplo do que acredito serem as duas das principais tendências para os casamentos de 2027: autenticidade e personalização. Temos percebido esse movimento nas conversas com os casais e também nas trocas com nossos fornecedores e parceiros. Existe um desejo cada vez maior de criar celebrações que tenham identidade, contem a história dos noivos, traduzam suas origens, gostos e referências afetivas, se diferenciando do ‘lugar comum’. Mais do que seguir formatos prontos ou tendências estéticas, os casais querem que cada escolha tenha significado e que o casamento seja, de fato, uma representação de quem eles são”, explica.
Quando a história do casal aparece nos detalhes
A personalização vai além da escolha de cores, flores ou estilo de decoração. A proposta é fazer com que diferentes partes da celebração tenham relação com a trajetória dos noivos, seja por meio de objetos de família, referências culturais ou elementos ligados à memória afetiva. No casamento de Juliette e Kaique, essa intenção apareceu em escolhas que remetiam à origem da cantora e às pessoas importantes em sua história.
A peça de crochê que pertenceu à avó Maria, por exemplo, ocupou o lugar tradicionalmente reservado ao buquê. Já o algodão, associado à história familiar da artista, foi incorporado à ambientação. São detalhes que ajudam a contar sobre os noivos sem depender apenas de discursos ou homenagens durante a cerimônia.
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A cultura brasileira como inspiração
Outra característica da celebração foi a presença de referências nordestinas. Em vez de recorrer exclusivamente a elementos importados de festas internacionais, a proposta valorizou materiais, técnicas artesanais e manifestações culturais brasileiras. Essa escolha também aparece entre as possibilidades apontadas para os próximos anos.
A decoração, assinada pelo arquiteto e cenógrafo Harley Vix, seguiu o conceito “Céu à Terra”. Flores de algodão, cerâmicas produzidas em Tracunhaém e materiais como pedra e barro compuseram a ambientação. No espaço interno, velas e iluminação em tons quentes contribuíram para uma atmosfera intimista, em diálogo com a arquitetura e as obras de arte do Instituto Ricardo Brennand. O bolo de quatro andares também seguiu uma proposta escultural, com acabamento que remetia a uma obra de arte.
Para casais interessados em levar essa ideia para suas próprias celebrações, a brasilidade pode aparecer na escolha de fornecedores locais, no uso de técnicas artesanais, na gastronomia e na música. Mais do que reproduzir uma estética regional, a intenção é encontrar referências que tenham alguma relação com a história dos noivos e com o lugar escolhido para a festa.
Casamento como experiência para os convidados
Quando a celebração acontece em uma cidade diferente daquela onde os noivos vivem ou onde está a maior parte dos convidados, o planejamento envolve outros aspectos além da cerimônia e da recepção. No chamado destination wedding, a viagem também passa a fazer parte da experiência, o que leva os casais a pensar em hospedagem, deslocamentos e atividades para quem vem de fora.
No caso de Juliette e Kaique, os diferentes momentos das comemorações, do casamento civil aos eventos realizados na Paraíba e em Recife, foram conectados por referências à trajetória da cantora e à cultura nordestina. A recepção dos convidados nos hotéis também seguiu essa proposta: havia doces de boas-vindas com sabores ligados à história do casal e um QR Code com a programação da celebração. As peças de barro personalizadas e a papelaria completavam a identidade visual.
“O diferencial aqui é pensar o casamento para além do momento da cerimônia: criar uma narrativa que faça sentido para os noivos e, ao mesmo tempo, proporcione aos convidados uma experiência completa, especialmente quando envolve uma viagem. A escolha de atividades, passeios e referências culturais do destino pode transformar a celebração em uma oportunidade de convivência e descoberta”, avalia Camila.

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