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De ataques contra Paes a elogio a Mendonça: veja seis pontos da sabatina de Douglas Ruas ao GLOBO, Extra, Valor e CBN

Em sabatina realizada pelo GLOBO, Extra, Valor e CBN nesta terça-feira, o candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, procurou vincular sua imagem à família Bolsonaro e direcionou uma série de críticas ao ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas estaduais. Em diferentes momentos da sabatina, Ruas associou seu adversário […]


Em sabatina realizada pelo GLOBO, Extra, Valor e CBN nesta terça-feira, o candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, procurou vincular sua imagem à família Bolsonaro e direcionou uma série de críticas ao ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas estaduais.
Em diferentes momentos da sabatina, Ruas associou seu adversário a investigações por corrupção, a erros em políticas públicas nas áreas de transporte e educação e até ao ex-governador Cláudio Castro (PL) — apoiador, na verdade, do candidato do PL. Ruas também elogiou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, mergulhado em uma disputa interna na Corte com o ministro Alexandre de Moraes, e referiu-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “cara de pau”.
A série de sabatinas continua nesta quarta-feira com William Siri (PSOL), seguido por Anthony Garotinho (Republicanos) na quinta e Eduardo Paes (PSD) na sexta-feira. Veja a seguir os principais pontos da sabatina de Douglas Ruas nesta terça:
1- Nacionalização da campanha
Buscando surfar no eleitorado bolsonarista, Ruas fez alusões na sabatina a seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e também se apresentou como opositor do governo Lula. Questionado sobre o inquérito no STF que apura aplicações do Rioprevidência em papéis do Banco Master, Ruas também fez um aceno ao ministro André Mendonça e frisou o fato de ele ter sido indicado à Corte por Bolsonaro.
— Graças a Deus essa investigação está na mão de um homem probo, que é o ministro André Mendonça, indicado pelo presidente Bolsonaro. Peço a Deus que André Mendonça consiga também restituir os ativos para os servidores do estado do Rio. Isso é um crime de tamanha barbaridade, porque são recursos que eram para estar nos cofres públicos, sendo revertidos em serviços como saúde e educação — afirmou.
Ruas creditou ainda ao senador Flávio Bolsonaro a possibilidade de iniciar nos próximos anos o projeto da linha 3 do metrô, planejada para ligar a capital fluminense a Niterói e São Gonçalo. Ele atribuiu a Flávio o envio de recursos para a UFRJ iniciar um estudo para a obra, mas disse ser “praticamente impossível” fazer a obra até 2030, caso se eleja governador.
Douglas Ruas defende punição máxima para políticos ligados ao crime organizado
O candidato do PL também chamou Lula de “cara de pau” por ter participado da assinatura da adesão do Rio ao Propag depois de vetar dispositivos incluídos pelo Congresso neste programa, que é voltado ao refinanciamento de dívidas dos estados com o governo federal.
Em outros momentos, Ruas ironizou o retorno de Lula à Presidência como uma “volta à cena do crime” e relembrou investigações por corrupção que atingiram o petista na Lava-Jato — as sentenças foram posteriormente anuladas. Ele também buscou vincular Lula a Eduardo Paes, seu adversário:
— Precisamos banir determinados personagens da política. O Lula foi condenado em três instâncias. Como pode ser candidato? Uma galera que foi alvo da Lava-Jato está concorrendo, como é o caso do meu adversário, Eduardo Paes.
2- Ataques a Paes e ‘drible’ em Castro
Na tentativa de se desvencilhar do ex-governador Cláudio Castro, alvo de três operações da Polícia Federal nos últimos meses, o candidato do PL procurou associar Paes a seu correligionário. Embora tenha sido secretário estadual de Cidades por quase três anos, Ruas afirmou que tinha apenas “relação de trabalho” com Castro, e apontou registros de Paes “sambando” e “tomando cerveja” com o ex-governador.
Ruas, que é o atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), também procurou se esquivar de investigações contra deputados estaduais, alguns deles seus aliados na Casa. Questionado sobre a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), por indícios de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho, Ruas reagiu apontando ligações entre outros parlamentares investigados que são de partidos hoje da aliança de Paes.
— Os casos sabidos de envolvimento, como da deputada Lucinha, com milícia, pertence ao PSD de Eduardo Paes. O (ex-deputado) TH Joias (preso por envolvimento com o Comando Vermelho) chegou na política pelo MDB. (…) E o MDB é o partido que indicou a vice do Eduardo Paes — disse Ruas.
Ruas nega relação com Cláudio Castro e diz que Paes é que era próximo do ex-governador
O candidato do PL também criticou o ex-secretário de Transportes, Washington Reis (MDB), cuja irmã foi indicada a vice na chapa de Paes, e atribuiu problemas na área de mobilidade urbana à sua atuação na pasta. Ruas alegou que o aliado de Paes promoveu “obras eleitoreiras em detrimento do transporte de massa”.
Ele também buscou redirecionar críticas na área de Educação do estado à gestão de Paes na prefeitura do Rio. Ao criticar uma medida do governo Castro de permitir que alunos reprovados em até seis disciplinas passem de ano, Ruas acusou a prefeitura da capital de também “implementar aprovação automática” para melhorar sua própria nota no Ideb.
— Não quero nada que venha a favorecer a aprovação automática. Temos que investir na melhoria do aprendizado. Não tenho esse compromisso de enganar pais e mães — afirmou.
3- Trajetória e investigações contra aliados
Na sabatina, Ruas citou em diferentes momentos que é servidor concursado da Polícia Civil, após ter passado em um concurso em 2013. Questionado sobre sua atuação na polícia e se havia tido atuação direta contra o crime organizado, Ruas afirmou ter atuado com inquéritos relacionados à Lei Maria da Penha e em grupo especializado em preservar as condições de cenas de homicídios para perícia.
Ele admitiu também ter sido nomeado subsecretário da prefeitura de São Gonçalo em 2017, após quatro anos na polícia, mas negou relação entre essa nomeação e seu pai, o atual prefeito Capitão Nelson (PL), eleito em 2020. Posteriormente, Ruas foi secretário na gestão do pai, depois de ter passado por um cargo de superintendente no Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Ele alegou que o cargo no Inea envolvia “fiscalização ambiental” e “tinha toda correlação” com sua formação.
— Todas as vezes em que fui convidado para assumir algum cargo não foi por ser filho do Capitão Nelson ou parente de alguém. Foi pela minha capacidade de gestão — alegou.
Ruas tentou minimizar ainda o fato de a secretaria estadual de Cidades, sob sua gestão, ter contratado uma empresa para obras de pavimentação que repassou recursos para uma pedreira de familiares do deputado federal Altineu Côrtes (PL), seu padrinho político. O caso foi revelado pelo GLOBO.
Ruas argumentou que “não cabe” à secretaria fiscalizar quem são os fornecedores das empresas contratadas por ela. Ele também rebateu suspeitas de irregularidades apontadas em uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE) na sua antiga pasta, e disse que a apuração do próprio governo contém “inúmeras inverdades”.
— Já informei ao governador em exercício (o desembargador Ricardo Couto) e vou levar a todas as consequências esse vazamento de informação. (…) Esse contrato foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado. Não há que se falar em irregularidades — argumentou Ruas.
Ruas nega ter privilegiado empresa de aliado quando era secretário de Cidades
A auditoria identificou possíveis irregularidades, conforme revelou o GLOBO, em um aditivo de 45% a um contrato para obras de asfalto apenas duas semanas depois da assinatura do vínculo.
Ruas disse que os aditivos “são de outubro de 2024”, alegando que houve um intervalo temporal longo entre esse momento e a assinatura original do contrato. A fala, porém, não procede, de acordo com a auditoria da CGE. A apuração do órgão apontou a assinatura do aditivo apenas 17 dias depois da contratação, o que elevou o custo de R$ 99,6 milhões para R$ 144,9 milhões.
4- Afagos e alfinetadas em governo interino
O candidato do PL alternou críticas e elogios ao governador interino Ricardo Couto, que é presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). Couto está à frente do governo estadual desde a renúncia de Cláudio Castro, em março. Depois de ter se elegido presidente da Alerj, Ruas pediu ao STF para reorganizar a linha sucessória do estado e deixá-lo como interino no lugar de Couto. O Supremo, por ora, mantém Couto à frente do Palácio Guanabara.
Ao ser questionado sobre uma projeção do atual governo interino de entregar o estado com superávit de R$ 5 bilhões no ano que vem, Ruas contestou os números. O candidato do PL afirmou que o estado teve um ganho de receita extraordinária com a alta do preço do petróleo, a reboque da guerra entre EUA e Irã neste ano, mas defendeu que esse recurso não deveria “ser contabilizado para despesas ordinárias”.
— Não há que se falar em superávit. A lei de diretrizes orçamentárias enviada para a Alerj aponta déficit de R$ 13 bilhões para o ano que vem — rebateu Ruas.
Ruas diz não ser responsável por problemas do governo Cláudio Castro
Em outro momento, o candidato do PL elogiou iniciativas do governo interino para redução de cargos comissionados no Poder Executivo, mas também sugeriu que o mesmo deveria ser feito no Judiciário, atualmente sob gestão do próprio Couto:
— Teve ações e medidas louváveis, principalmente para o enxugamento da máquina pública. Quando você corta desperdícios, consegue abrir mais espaço no orçamento para investimentos. Tem meu apoio para essas louváveis decisões que tomou nos últimos meses.
5- Crítica a antecessores na segurança pública
Instado a apresentar suas propostas na segurança pública, tida como um dos principais temas da eleição deste ano ao governo, Ruas defendeu uma bonificação a policiais por “retomada de território”. Ele também disse que deixará de contabilizar as mortes causadas por intervenção policial na medição de letalidade violenta das regiões do estado — o critério atual leva a uma redução da nota de batalhões, por exemplo, cujos policiais geram maiores índices de morte em confronto.
Ruas criticou o processo de implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no governo Sérgio Cabral, ao qual associou a expansão de facções criminosas na região metropolitana e interior do estado. Ele também afirmou que Castro, seu antigo aliado, não enfrentou devidamente os problemas da área, e disse que faltou dar continuidade à megaoperação que matou mais de 120 pessoas no Complexo do Alemão no ano passado.
— O grande erro do estado foi não permanecer. No meu governo, vai entrar e não vai sair mais — afirmou.
6- Defesa de escolas cívico-militares
Ao chamar de “vergonhoso” o desempenho da rede estadual de Educação, Ruas defendeu a expansão do modelo de escolas cívico-militares no estado. Ele argumentou que as unidades desse modelo têm desempenho superior no Ideb do que as demais escolas da rede estadual, embora tenha admitido que os dados se referem a um grupo pequeno, de 17 escolas cívico-militares, dentro de um universo de mais de 1,2 mil escolas.
— A educação do estado hoje é uma vergonha. No ranking do Ideb, temos a segunda pior educação do Brasil. Dentro dessa rede, temos um achado de boas práticas, que são as escolas cívico-militares. Elas trazem um ambiente escolar organizado, com militares da reserva que não substituem os professores, mas criam um ambiente de respeito para o professor passar o conteúdo com tranquilidade — argumentou.

De ataques contra Paes a elogio a Mendonça: veja seis pontos da sabatina de Douglas Ruas ao GLOBO, Extra, Valor e CBN

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BRCOM