Você poderia até ser perdoado se não conseguisse identificar de imediato Catherine Zeta-Jones pelo sotaque. Em “A máscara do Zorro”, ela apresenta uma convincente entonação espanhola. Em “Sem reservas”, reproduz com perfeição o jeito de falar rápido e marcado de uma chef de Nova York. Já o sotaque carregado do Meio-Oeste americano, com seu temperamento atrevido, em “Chicago”, ajudou a atriz a conquistar um Oscar.
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Mas, em seu mais recente projeto, a série de suspense e vingança “Kill Jackie”, do AMC+, ela voltou à sua entonação natural e à sua terra natal: o País de Gales. Foi a primeira vez que filmou no país e também a primeira em que interpretou um papel usando seu próprio sotaque, contou em uma entrevista por vídeo.
Aos 57 anos, Zeta-Jones passou a infância em Swansea, no sul do País de Gales, e na vizinha Mumbles, uma cidade litorânea. Aos 16 anos, mudou-se para Londres depois de conseguir um papel na montagem de “42nd Street”, no West End, início de uma carreira que a levaria a Hollywood e muito além.
Ao longo das décadas, ela manteve uma ligação estreita com o País de Gales e procura voltar sempre que possível. Ela e o marido, Michael Douglas, também costumavam enviar os dois filhos para passar algumas semanas por ano com os familiares no país.
— Sinto uma conexão muito forte com meu país depois de passar tanto tempo longe — disse. — Minha mãe ainda está lá, assim como meu pai, meu irmão, meus primos, minhas sobrinhas e meus sobrinhos. Temos uma comunidade e uma família muito unidas.
Conhecido por sua cultura e língua peculiares, paisagens que parecem saídas de mitos e atrações como uma trilha costeira de 1.400 quilômetros e a colorida vila temática de Portmeirion, o País de Gales afirma ter mais castelos por quilômetro quadrado do que qualquer outro país. Apesar disso, o destino está longe de receber multidões de turistas. Em 2024, foram 929 mil visitantes internacionais, contra, por exemplo, 4,4 milhões na Escócia.
— Gostamos muito do fato de sermos um pequeno segredo — disse Zeta-Jones. — Por outro lado, gostamos de divulgar a beleza do nosso país e o quanto ele é singular dentro das Ilhas Britânicas.
Há uma razão, acrescentou, para que os futuros reis da Inglaterra tradicionalmente recebam o título de Príncipe de Gales.
A seguir, cinco lugares favoritos de Catherine Zeta-Jones no País de Gales.
1. Johnnies Fish & Chips
Peixe com fritas, um clássico britânico, servido no Johnnies Fish & Chips, restaurante indicado pela atriz Catherine Zeta-Jones em Mumbles, sua cidade natal, no País de Gales
Harry Lawlor/The New York Times
Esse restaurante simples, com atendimento no balcão, fica em Mumbles, não muito longe da casa dos pais da atriz. O destaque é o delicioso bacalhau — Zeta-Jones prefere o seu temperado com sal e vinagre, em vez de molho tártaro — e o ambiente despretensioso
— Você entra e, às vezes, precisa enfrentar uma fila. Faça chuva ou faça sol, ficamos do lado de fora esperando para comer no Johnnies Fish & Chips — contou.
2. Joe’s Ice Cream
Para a atriz Catherine Zeta-Jones, não existe sorvete melhor que o de baunilha servido no Joe’s Ice Cream, em Swansea, no País de Gales
Harry Lawlor/The New York Times
A sorveteria Joe’s Ice Cream, cuja unidade da St. Helen’s Road, em Swansea, foi inaugurada em 1922, é famosa por seu delicioso sorvete de baunilha inspirado no gelato italiano, ainda preparado de acordo com a receita original. Atualmente, a rede oferece dezenas de sabores, entre eles chocolate e framboesa com calda. Há várias unidades na região, inclusive uma em Mumbles, que Zeta-Jones costuma visitar quando está na cidade.
— É o melhor sorvete que existe, e já experimentei em todos os cantos do mundo — disse. — Não há nada no universo dos gelatos que chegue sequer perto do Joe’s Ice Cream.
3. Worms Head
A estreita faixa de terra que leva ao promontório rochoso de Worms Head, um dos muitos cenários deslumbrantes do litoral do sul do País de Gales, fica submersa durante a maré alta
Harry Lawlor/The New York Times
Worms Head é uma formação rochosa que avança sobre o oceano, cerca de 32 quilômetros a oeste de Swansea, nas proximidades de uma praia bastante procurada por surfistas. Acredita-se que seu nome tenha origem em uma palavra nórdica que significa dragão ou monstro marinho, e não nos pequenos animais rastejantes que conhecemos como minhocas.
Para chegar à ilha, os visitantes precisam atravessar uma faixa de terra que fica submersa durante a maré alta. Mas a caminhada não é difícil, segundo Zeta-Jones, e o percurso oferece belas paisagens e “muitas ovelhas”.
Na volta para Swansea, vale fazer uma parada na extensa praia de areia de Three Cliffs Bay. Mas é melhor não entrar na água, que pode ser perigosa, alertou a atriz. Em vez disso, a sugestão é levar comida para um piquenique ou “encontrar um lugar agradável para comer alguma coisa em um pub”.
4. Castelo de Cardiff
Vitral no interior do Castelo de Cardiff, na capital do País de Gales
Harry Lawlor/The New York Times
Localizada na capital galesa, Cardiff, essa fortaleza tem origens no século I, quando os romanos construíram uma série de fortes no local. Ao longo dos séculos, o castelo se transformou em uma fortificação medieval e, posteriormente, em residência do Marquês de Bute. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele também serviu de abrigo para moradores de Cardiff durante os ataques aéreos nazistas.
Aberto à visitação, o castelo oferece passeios guiados e recebe eventos.
— O governo fez um trabalho maravilhoso em sua restauração — afirmou Zeta-Jones, destacando a preservação dos interiores. — O local também recebe concertos incríveis ao ar livre.
5. Celtic Manor Resort
O campo de golfe do Celtic Manor Resort, que recebeu a Ryder Cup em 2010 e fica em Newport, no País de Gales
Harry Lawlor/The New York Times
Apaixonada por golfe, Zeta-Jones tem no Celtic Manor Resort, em Newport, um de seus destinos favoritos. O complexo fica a cerca de 27 quilômetros a nordeste de Cardiff e conta com três campos de golfe de campeonato. Em 2010, sediou a Ryder Cup, torneio em cuja cerimônia de abertura a atriz fez uma participação.
O campo Twenty Ten foi construído especialmente para a competição e, segundo ela, “é muito difícil para quem joga por diversão”. Ainda assim, mesmo quem não é profissional pode considerar a experiência de jogar ali “algo muito especial”.
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