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outubro 2, 2026
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De escolas a presídios: alunos da rede particular criam projeto para fazer livros circularem entre instituições públicas

Por · outubro 2, 2026
De escolas a presídios: alunos da rede particular criam projeto para fazer livros circularem entre instituições públicas


Um livro nem sempre termina sua história quando chega ao fim da última página. Criado pelos alunos da Escola Americana do Rio (EARJ) Eduardo Campos, de 16 anos, e Felipe Alhante, de 17, o Virando Páginas faz exemplares deixarem as estantes para chegar a escolas públicas, bibliotecas e unidades prisionais.
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A primeira doação aconteceu em novembro do ano passado. Desde então, a iniciativa já alcançou cerca de dez instituições — entre elas a Casa Maria de Nazaré, na Rocinha. E ampliou seu alcance por meio de parcerias com a Secretaria municipal de Educação e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Com isso, os exemplares passaram a circular por diferentes escolas da rede pública e por dezenas de unidades do sistema prisional.
A ideia nasceu antes mesmo das primeiras caixas de doação. Quando pequenos, Campos e Alhante eram estimulados a nos envolvermos com iniciativas de impacto social, experiência que despertou neles a vontade de criar uma ação própria.
— Desde crianças, fomos incentivados a participar de ações altruístas e a olhar para diferentes realidades. Essa vivência despertou em nós a vontade de contribuir de alguma forma, o que culminou na criação do projeto Virando Páginas — conta Campos, aluno da unidade da Gávea da EARJ.
Novo leitores. Estudantes da Casa Maria de Nazaré, na Rocinha
Divulgação/Escola Americana
Desigualdade no acesso à leitura
O ponto de partida do projeto Virando Páginas foi uma pergunta simples: o que acontece com um livro depois que alguém termina de lê-lo? Para Eduardo Campos e Felipe Alhante, a resposta não deveria ser uma prateleira esquecida. A proposta do projeto é fazer com que essas histórias continuem circulando e encontrem leitores que, muitas vezes, não teriam condições de adquirir um exemplar.
Na origem da iniciativa também está a percepção de que o acesso à leitura ainda é desigual. Compartilhar um livro, para os estudantes, significa multiplicar oportunidades de descoberta, imaginação e aprendizado.
— Sabemos que muitas crianças não têm incentivo ou acesso aos livros dentro de casa. O Virando Páginas nasceu da vontade de compartilhar essa experiência e fazer com que mais crianças e jovens tenham a oportunidade de entrar no mundo da leitura, desenvolvendo a criatividade, o pensamento crítico e novas formas de enxergar o mundo — afirma Alhante.
Nos presídios, onde a leitura é reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça como uma das possibilidades de remição de pena, os fundadores dizem enxergar um significado que vai além desse benefício. Para eles, levar literatura a esses espaços também representa ampliar o acesso à cultura, ao conhecimento e a novas perspectivas para pessoas que estão reconstruindo a própria história.
*Esta matéria foi publicada no Especial Educação do GLOBO-Zona Sul em 26/09
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