Um livro nem sempre termina sua história quando chega ao fim da última página. Criado pelos alunos da Escola Americana do Rio (EARJ) Eduardo Campos, de 16 anos, e Felipe Alhante, de 17, o Virando Páginas faz exemplares deixarem as estantes para chegar a escolas públicas, bibliotecas e unidades prisionais.
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A primeira doação aconteceu em novembro do ano passado. Desde então, a iniciativa já alcançou cerca de dez instituições — entre elas a Casa Maria de Nazaré, na Rocinha. E ampliou seu alcance por meio de parcerias com a Secretaria municipal de Educação e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Com isso, os exemplares passaram a circular por diferentes escolas da rede pública e por dezenas de unidades do sistema prisional.
A ideia nasceu antes mesmo das primeiras caixas de doação. Quando pequenos, Campos e Alhante eram estimulados a nos envolvermos com iniciativas de impacto social, experiência que despertou neles a vontade de criar uma ação própria.
— Desde crianças, fomos incentivados a participar de ações altruístas e a olhar para diferentes realidades. Essa vivência despertou em nós a vontade de contribuir de alguma forma, o que culminou na criação do projeto Virando Páginas — conta Campos, aluno da unidade da Gávea da EARJ.
Novo leitores. Estudantes da Casa Maria de Nazaré, na Rocinha
Divulgação/Escola Americana
Desigualdade no acesso à leitura
O ponto de partida do projeto Virando Páginas foi uma pergunta simples: o que acontece com um livro depois que alguém termina de lê-lo? Para Eduardo Campos e Felipe Alhante, a resposta não deveria ser uma prateleira esquecida. A proposta do projeto é fazer com que essas histórias continuem circulando e encontrem leitores que, muitas vezes, não teriam condições de adquirir um exemplar.
Na origem da iniciativa também está a percepção de que o acesso à leitura ainda é desigual. Compartilhar um livro, para os estudantes, significa multiplicar oportunidades de descoberta, imaginação e aprendizado.
— Sabemos que muitas crianças não têm incentivo ou acesso aos livros dentro de casa. O Virando Páginas nasceu da vontade de compartilhar essa experiência e fazer com que mais crianças e jovens tenham a oportunidade de entrar no mundo da leitura, desenvolvendo a criatividade, o pensamento crítico e novas formas de enxergar o mundo — afirma Alhante.
Nos presídios, onde a leitura é reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça como uma das possibilidades de remição de pena, os fundadores dizem enxergar um significado que vai além desse benefício. Para eles, levar literatura a esses espaços também representa ampliar o acesso à cultura, ao conhecimento e a novas perspectivas para pessoas que estão reconstruindo a própria história.
*Esta matéria foi publicada no Especial Educação do GLOBO-Zona Sul em 26/09
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De escolas a presídios: alunos da rede particular criam projeto para fazer livros circularem entre instituições públicas
