João Drumond, Val Ceasa, Renato Machado, Paulo Melo e Diego Alba. De filho de bicheiro a acusado de ligação com o TCP vários candidatos às eleições para o legislativo fluminense estão com os votos recebidos nas urnas no domingo sub júdice. Dependendo do julgamento que ainda for feito pela Justiça Eleitoral há casos em que, se computada como válida essa votação poderá alterar a composição da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Alguns desses candidatos receberam votações expressivas neste domingo. Ao menos cinco que estão com registros indeferidos superaram, em votação nominal, por exemplo, os 27.447 votos de Carlos Russo (DC), que aparece como o deputado estadual eleito com a menor votação individual entre os 70 nomes da lista atual.
Vale lembrar que, nas eleições proporcionais, uma mudança desse tipo não significa apenas alterar o candidato pelo seguinte da lista. A validação dos votos pode exigir uma nova totalização, com novo cálculo de quociente eleitoral e etc.
No caso de João Drumond, que obteve 55.759 votos, o registro de sua candidatura foi foi indeferido pelo TRE-RJ em 11 de setembro. O candidato do PRD à Alerj é neto do contraventor Luizinho Drumond. A Procuradoria descreve a candidatura como inserida em uma “estrutura familiar e político-territorial” relacionada à contravenção e à escola de samba Imperatriz Leopoldinense.
A ação cita a participação de João em atividades de pré-campanha de Mariana Souza, candidata do PP e mulher de Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como Zé Dirceu, liderança alagoana do CV. Drumond nega participação no jogo do bicho ou envolvimento com facções ou organizações criminosas.
Com um total de 47.080 recebidos nas urnas no domingo, o candidato à reeleição para a Alerj, Val Ceasa (PRD) é alvo de impugnação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que recupera investigações sobre supostos vínculos do deputado com o Terceiro Comando Puro (TCP). Val também aparece em uma investigação sobre uma suposta articulação para impedir a demolição de imóveis em Parada de Lucas, entre eles o “resort” do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe da facção. Val teria ido a um batalhão da PM para interceder contra a operação.
O deputado apareceu ainda em investigação da Polícia Federal (PF) sobre uma tentativa do CV de se aproximar de políticos. Ao GLOBO, a defesa de Val afirmou que “fatos atribuídos a terceiros ou referências a investigações” não podem ser atribuídos ao candidato sem prova concreta e individualizada.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) indeferiu, no começo do mês passado, a candidatura de Diego Alba (PSDB) a deputado estadual, que concorreu sub júdice e obteve 48.547 votos. Segundo relatórios de inteligência produzidos por núcleo da própria corte, o tucano teria sido autorizado pela alta cúpula do Comando Vermelho (CV) a entrar e fazer campanha em territórios dominados pela facção. O PSDB informou na época que iria recorrer da decisão por “considera preocupante” a associação de realização de “campanha em comunidades a eventual apoio de facção criminosa”.
Renato Machado (PT), que recebeu 48.300 votos, teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral, que o aponta como suspeito de ser “líder do núcleo político e mentor intelectual” de uma organização criminosa. Segundo a ação, a estrutura exerceria domínio político, financeiro e bélico em Maricá, na Região Metropolitana do Rio.
Paulo Melo (União), dono de 33.546 votos, também teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. A ação de impugnação cita investigação sobre exploração de caça-níqueis e jurisprudência do TSE sobre possível interferência de organizações criminosas nas eleições. O político nega as acusações.
Segundo a Alerj, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda avalia recursos dos seguintes candidatos que estão sob-júdice: João Drummond (PRD), Diego Alba (PSDB), Renato Machado (PT), Val Ceasa (PRD), Paulo Melo (União), Vaguinho Neguinho (PRD) e Luiz Martins (PSDB). “Caso os recursos sejam acatados pelo TSE a lista de deputados eleitos poderá ser alterada”, diz a nota.
A Alerj explica que a escolha dos deputados estaduais segue o sistema proporcional. Por isso, a composição da Assembleia considera tanto a votação individual dos candidatos quanto os votos recebidos pelos partidos e federações. A definição dos eleitos leva em conta o quociente eleitoral, o desempenho partidário e as regras de distribuição das sobras de vagas. A posse dos eleitos está prevista para 1º de fevereiro de 2027.
Initial plugin text
De filho de bicheiro a acusado de ligação com o TCP: quem são os políticos que aguardam julgamento do TSE e podem mudar a Alerj
