Antes de trabalharem com conteúdo adulto, as criadoras tinham trajetórias profissionais bem diferentes entre si. Havia quem estivesse no início da carreira, quem já tivesse alcançado cargos de liderança e até quem tivesse construído uma profissão consolidada antes de mudar de área. Em comum, as histórias mostram que a entrada nesse mercado aconteceu por razões diversas, que vão de uma necessidade financeira pontual à busca por mais autonomia sobre a rotina.
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Kerolay Chaves, de 25 anos, começou a trabalhar como atendente de caixa, com salário de R$ 400, e também passou por uma loja de celulares. Anos depois, afirma ter faturado R$ 7 milhões em um único ano com a própria imagem. “Eu sei o valor de cada oportunidade porque comecei ganhando muito pouco e sem perspectiva de crescimento”, conta.
Aos 23, Martina Oliveira ainda tinha emprego quando teve o celular roubado. Sem dinheiro para comprar outro aparelho, criou um perfil na plataforma com o objetivo inicial de levantar os R$ 2 mil necessários para a compra. Segundo ela, o valor foi alcançado em dois dias. “Entrei para resolver uma emergência. Quando percebi que aquilo poderia se transformar em profissão, decidi continuar”, diz.
Para Kellerson Kurtz, diretor geral da plataforma FatalFans, olhar apenas para os resultados financeiros atuais deixa de fora parte do percurso dessas mulheres. “O público conhece o faturamento e a visibilidade, mas não vê o trabalho anterior, a insegurança da mudança e o risco de deixar uma renda conhecida para começar outra atividade”, declara.
As experiências anteriores também incluem áreas que, à primeira vista, têm pouca relação com a produção de conteúdo. Formada em Ciências Contábeis, Karol Rosalin, de 26 anos, ingressou no setor bancário aos 18 e chegou ao cargo de gerente antes de trocar as metas da agência por uma rotina profissional mais autônoma.
Aline Limas, de 32, viveu uma transição mais gradual. Enfermeira, ela conciliou a produção de conteúdo com plantões de 12 horas e permaneceu na área da saúde até decidir se dedicar integralmente à internet. Segundo a criadora, nesse período acumulou R$ 500 mil. “Durante um período, vivi as duas profissões até entender que estava pronta para escolher”, afirma.
Aos 60 anos, Ivy Mena também decidiu mudar de direção depois de uma carreira estabelecida. Ela deixou a advocacia na área de família para iniciar uma nova fase profissional na produção de conteúdo. “Eu já tinha uma carreira estável, mas percebi que não precisava permanecer nela para sempre”, explica.
Apesar das diferenças entre as trajetórias, as experiências anteriores continuam fazendo parte da forma como essas criadoras conduzem o trabalho atual. Conhecimentos adquiridos em outras áreas são levados para tarefas como organização financeira, negociação, relacionamento com o público e administração da própria imagem.
“Elas não apagaram o que fizeram antes para se tornarem criadoras. Usaram o que aprenderam para construir outro caminho profissional”, conclui Kellerson.
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