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setembro 24, 2026
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Delegações deixam plenário da ONU em protesto durante discurso de Netanyahu: ‘Covardes morais’

Por · setembro 24, 2026
Delegações deixam plenário da ONU em protesto durante discurso de Netanyahu: ‘Covardes morais’


Em movimento de protesto contra o primeiro-ministro de Israel, dezenas de representantes de países deixaram nesta quinta-feira o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, durante o discurso do líder israelense. Enquanto parte dos diplomatas se retirava e outros presentes vaiavam o premier, integrantes de sua equipe aplaudiam de pé, e o presidente da sessão pedia ordem no plenário, reproduzindo uma cena vista em anos anteriores na ONU.
— Se ainda restam outros covardes morais que não tenham deixado este plenário, façam isso agora— disse Netanyahu ao tomar a palavra diante da Assembleia, onde também atacou Reino Unido e França ao responder às acusações de colonialismo. — Eles acusam Israel, a minúscula Israel, de colonialismo. Vejam só, colonialismo. E quem está nos acusando? Entre eles estão pessoas no Reino Unido e na França. Pelo amor de Deus, foram eles que inventaram o termo.
Contexto: Na ONU, Netanyahu minimiza violência de colonos israelenses, enaltece Trump e debocha de protestos na assembleia
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A manifestação ocorreu em meio ao aumento das críticas internacionais contra Israel pela guerra na Faixa de Gaza e pela violência de colonos na Cisjordânia ocupada. Ao longo desta semana, diferentes chefes de Estado usaram seus discursos na Assembleia Geral para criticar as ações do governo israelense, e, segundo a AFP teve acesso, a delegação palestina havia pedido previamente que outras missões se juntassem à ação de protesto.
Diplomatas e integrantes de delegações deixam o plenário durante discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na ONU.
Timothy A. Clary/AFP
Antes da chegada de Netanyahu a Nova York, o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, também defendeu que os EUA cumprissem o mandado de prisão emitido contra o premiê pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Netanyahu, por sua vez, divulgou um vídeo na terça-feira acusando Mamdani de apoiar o Hamas e “incitar tumultos contra judeus”. O premier disse, ainda, que iria à ONU para “dizer a verdade sobre nossos soldados heróicos”.
Netanyahu é alvo de um mandado do TPI por acusações de crimes de guerra e crimes contra a Humanidade cometidos durante a guerra na Faixa de Gaza. Os Estados Unidos, no entanto, não integram o tribunal, e a prefeitura de Nova York não tem autoridade para executar o mandado. O primeiro-ministro israelense chegou à cidade nesta quinta-feira para uma passagem breve, com poucas reuniões bilaterais previstas antes de seu retorno a Israel.
A relação do governo israelense com alguns de seus aliados também atravessa um período de tensões. Netanyahu começou o ano afirmando estar “ombro a ombro” com o presidente americano, Donald Trump, quando Israel e Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irã, mas os dois divergiram posteriormente sobre a condução do conflito. Nesta semana, apesar da presença dos dois nos Estados Unidos, não havia previsão de um encontro entre eles.
Trump esteve em Nova York na terça-feira e se reuniu com uma série de líderes estrangeiros antes de retornar a Washington, onde recebeu nesta quinta-feira o presidente chinês, Xi Jinping, para uma visita de Estado. A ausência de uma reunião com Trump contrasta com viagens anteriores de Netanyahu aos Estados Unidos, nas quais o premier manteve encontros de alto nível à margem da Assembleia Geral.
O Gabinete do primeiro-ministro afirmou que “muitos líderes mundiais” solicitaram reuniões com Netanyahu durante sua passagem por Nova York, mas que ele estava com uma “agenda apertada” e precisava retornar a Israel antes do início do feriado judaico de Sucot, ao pôr do sol de sexta-feira. Segundo o comunicado, estavam previstos encontros com líderes de Argentina, Bolívia, Paraguai, Panamá, Etiópia, Grécia, Eslovênia e Papua-Nova Guiné.
A visita ocorre a poucas semanas das eleições em Israel, marcadas para o próximo mês. A votação é feita três anos depois do início da guerra em Gaza, lançada por Israel em resposta aos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, e em meio ao debate interno sobre as falhas de segurança relacionadas à ofensiva e a condução dos conflitos pelo governo do premier.
Netanyahu costuma usar seus discursos na Assembleia Geral para apresentar a posição de Israel diretamente a uma audiência internacional e ao público israelense. No ano passado, dezenas de diplomatas também deixaram o plenário durante seu pronunciamento. Segundo Michael Oren, ex-embaixador de Israel nos Estados Unidos, o israelense programa seu discurso para que seja transmitido no Estado judeu durante o horário nobre. Neste ano, porém, a agenda mais reduzida acompanha o cenário de críticas internacionais a Israel.
— Acho que a viagem é um erro, porque expõe suas fraquezas — Eytan Gilboa, especialista em relações entre EUA e Israel e professor das universidades israelenses Bar-Ilan e Reichman, à Associated Press. — Israel não pode sobreviver sem os Estados Unidos.
(Com AFP)

Delegações deixam plenário da ONU em protesto durante discurso de Netanyahu: ‘Covardes morais’