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outubro 29, 2026
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Depois de Mbappé, dona da Hello Kitty pede desculpas e cancela parceria com série japonesa após polêmica na China

Por · outubro 29, 2026
Depois de Mbappé, dona da Hello Kitty pede desculpas e cancela parceria com série japonesa após polêmica na China


A Sanrio Co. pediu desculpas e cancelou uma colaboração com a série de televisão japonesa Vivant, após a produção — que aborda temas de espionagem — gerar críticas na China por sua representação de eventos históricos do período de guerra.
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A empresa japonesa, criadora da Hello Kitty, interromperá todas as colaborações com a série, justificando que ela continha “expressões incompatíveis com a filosofia corporativa da Sanrio”, segundo um comunicado publicado em sua conta oficial na rede social Weibo. A Sanrio informou ainda que reforçará seus procedimentos de análise para futuras parcerias.
As críticas à série intensificaram-se na última semana em veículos de mídia estatais chineses, como a CCTV, o People’s Daily e o Global Times. Reportagens e comentários acusaram a produção de distorcer a história da agressão japonesa contra a China durante o período de guerra, incluindo cenas interpretadas como uma tentativa de atribuir ao povo chinês atrocidades cometidas, na verdade, pelas forças japonesas.
“A Hello Kitty não deveria dançar conforme a música da extrema-direita japonesa”, afirmou o Global Times em um comentário na quinta-feira. “O conteúdo e a ideologia desta série refletem a visão histórica e a narrativa antichinesa da atual administração conservadora de direita no Japão, alinhando-se à tendência de extremismo de direita na sociedade japonesa.”
A notícia sobre o cancelamento da parceria pela Sanrio tornou-se o assunto mais comentado na rede social chinesa Weibo na quinta-feira.
A Sanrio decidiu firmar a colaboração com Vivant após o término da primeira temporada da série, em 2023, informou um porta-voz da empresa por e-mail. Produtos licenciados — apresentando personagens como a Hello Kitty vestida como figuras da série — foram lançados no Japão durante o verão, mas já foram retirados de circulação.
As relações entre China e Japão encontram-se em um impasse desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou, no final do ano passado, que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia representar uma “situação de ameaça à sobrevivência” do Japão — uma classificação que, juridicamente, poderia servir de base para que Tóquio mobilizasse suas forças militares. A tensão permanece elevada, com Pequim impondo diversas restrições às exportações para o Japão. Em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que as autoridades estavam cientes dos relatos sobre a Sanrio e que, no Japão, ainda há quem tente utilizar produtos culturais para difamar a China.
A polêmica envolvendo a Sanrio surge em um momento político particularmente sensível na China; as autoridades mantêm uma postura cautelosa às vésperas de uma importante reunião do Partido Comunista, que ocorre esta semana, e em meio aos preparativos para o congresso do partido no próximo ano — um evento realizado a cada cinco anos que define a cúpula da liderança do país.
O episódio segue-se à rápida reação negativa desta semana contra o astro do futebol francês Kylian Mbappé, devido a comentários interpretados como um insulto ao fundador da nação, Mao Tsé-Tung. O caso evidencia a rapidez com que deslizes culturais ou políticos podem se transformar em prejuízos comerciais para celebridades e marcas globais que buscam explorar o lucrativo mercado chinês.
A China tornou-se um motor fundamental de crescimento para a Sanrio, que possui mais de 60 lojas no país. As vendas na China continental saltaram 83% no ano fiscal encerrado em março de 2026, em comparação com um crescimento de 37% nos demais mercados internacionais da empresa. A China responde por cerca de 40% das vendas no exterior e aproximadamente um quarto do lucro operacional.

Depois de Mbappé, dona da Hello Kitty pede desculpas e cancela parceria com série japonesa após polêmica na China