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Depois dos Ingleses, Rio pode ganhar oito novos bairros; veja quais

O mapa do Rio de Janeiro pode ganhar novos contornos. A sanção, na semana passada, da lei que transformou os Ingleses em bairro oficial da cidade reacendeu a discussão sobre os limites territoriais do município. Atualmente, há oito projetos de lei complementar protocolados na Câmara Municipal propondo a criação ou a delimitação de novos bairros. […]

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O mapa do Rio de Janeiro pode ganhar novos contornos. A sanção, na semana passada, da lei que transformou os Ingleses em bairro oficial da cidade reacendeu a discussão sobre os limites territoriais do município. Atualmente, há oito projetos de lei complementar protocolados na Câmara Municipal propondo a criação ou a delimitação de novos bairros. Quatro deles ficam na Zona Norte: Vila Pompeia, Buriti Congonhas, Serrinha e Cajueiro. E a lista pode crescer: a vereadora Rosa Fernandes pretende apresentar uma proposta para transformar o Bairro Araújo, entre Irajá e Vista Alegre, em uma unidade territorial oficial. Entre os projetos já em tramitação estão ainda propostas para criar os bairros Rio das Pedras e Merck, na Zona Sudoeste, e Arpoador, na Zona Sul.
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As quatro propostas para a Zona Norte que já chegaram à Câmara aguardam parecer das comissões. Na região de Anchieta, o projeto do vereador Cesar Maia prevê a criação da Vila Pompeia, a partir da alteração dos limites de Ricardo de Albuquerque. A ideia é oficializar como bairro a área conhecida popularmente como Pompeia.
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Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Em Madureira, três projetos de autoria da vereadora Vera Lins propõem a criação dos bairros Serrinha, Buriti Congonhas e Cajueiro, todos a partir da subdivisão do atual território de Madureira. A Serrinha corresponde à região do Morro da Serrinha; Buriti Congonhas e Cajueiro são localidades que também já são conhecidas por esses nomes na região.
Os projetos estabelecem limites específicos para cada novo bairro. No caso da Serrinha, a delimitação passa por trechos da Avenida Ministro Edgard Romero e das ruas Lima Drumond, Pereira da Costa, Andrade Figueira, Santo Sepulcro, Miguel Rangel e Iguaçu. O Cajueiro teria como referências a Rua Leopoldino de Oliveira, a Estrada do Otaviano, a Rua Monsenhor Inácio da Silva, a Rua Manoel Machado, a Rua Piraquê e a Avenida Ministro Edgard Romero. Já o Buriti Congonhas seria delimitado por trechos das ruas Manoel Machado, Monsenhor Inácio da Silva e Ramiro Monteiro, além da Avenida Ministro Edgard Romero e da Rua Piraquê.
A quinta proposta na Zona Norte deverá ser apresentada por Rosa Fernandes, autora da lei que oficializou os Ingleses e também da que criou o Bairro Argentino. Segundo a vereadora, o projeto deverá ser protocolado na próxima semana e parte de uma demanda dos moradores e de uma avaliação territorial feita antes da elaboração do texto:
— Existe uma demanda, uma vontade dos moradores, e nós fizemos um trabalho de avaliação territorial. O próximo passo será apresentar o projeto de lei.
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Praça do Bairro do Araújo, entre Irajá e Vista Alegre, que pode se tornar uma unidade territorial oficial
Divulgação
O nome Araújo já é usado popularmente como referência geográfica na região. Segundo Rosa, a denominação está ligada à história da ocupação local e aos investimentos do empresário Otávio Araújo, um dos fundadores da ECIA-Irmãos Araújo, responsável pela construção de residências e empreendimentos que contribuíram para a ocupação estruturada da área.
— O nome Araújo já é amplamente utilizado por todos como referência geográfica. A formalização atende a um desejo legítimo da população — diz.
Para Rosa, a criação de um bairro também tem efeitos práticos para além do reconhecimento da identidade de uma comunidade.
— Os principais avanços são administrativos e territoriais. No caso dos Ingleses, agora existe uma delimitação oficial. Isso facilita a identificação daquela área pelos órgãos públicos e permite que o território seja considerado de maneira mais precisa em levantamentos, planejamento, mapas, estatísticas e políticas públicas. Fica mais fácil saber onde estão os problemas e onde os serviços precisam chegar — afirma.
A vereadora cita o Bairro Argentino como exemplo. Criado oficialmente em 20 de maio de 2025, o território antes era tratado como sub-bairro de Brás de Pina.
— O Argentino foi um primeiro exemplo muito importante. Ali havia uma situação ainda mais evidente. Havia relatos de dificuldades com entregas, transporte por aplicativo e até atendimentos, porque o endereço era associado a uma região diferente daquela com a qual os moradores se identificavam. Então, além do aspecto simbólico, existe uma questão prática. O Argentino mostrou que reconhecer oficialmente um território pode ajudar a corrigir distorções que afetam a vida cotidiana — explica.
Rosa ressalta, porém, que a criação de um bairro não pode ser feita apenas a partir da escolha de algumas ruas:
— O trabalho não é simplesmente escolher algumas ruas e dizer que aquilo será um bairro. É preciso analisar os limites, a ocupação urbana, a identidade da população e a relação daquele território com os bairros existentes.
A vereadora destaca ainda que há outras regiões do Rio com identidade territorial consolidada, mas que isso, por si só, não significa que devam ser transformadas em bairros oficiais.
— Existem várias regiões da cidade que têm uma identidade territorial muito forte, embora seus nomes não apareçam necessariamente como bairros oficiais. Esse é justamente um trabalho que precisa ser feito com cuidado. Não podemos transformar toda localidade conhecida popularmente em bairro. É necessário identificar quais situações realmente justificam uma alteração da divisão territorial oficial — frisa.
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Virar bairro oficial muda a forma como uma região passa a ser identificada pelo poder público, mas não altera, por si só, as regras urbanísticas nem garante novos investimentos, ressalta a arquiteta e urbanista Carolina Angelo, moradora da Zona Norte. No caso dos Ingleses, a mudança formaliza uma identidade que já existia entre os moradores. Segundo Carolina, essa identidade é construída ao longo do tempo.
— Ela é elaborada pelas relações sociais, pelas atividades existentes e pela forma como os moradores vivenciam aquele território. É uma identidade construída de baixo para cima pela própria população — detalha a urbanista.
Ela explica que a nova condição cria uma referência administrativa própria para a região, que passa a ser considerada separadamente em mapas, cadastros e sistemas municipais:
— O principal efeito inicial é dar ao território um reconhecimento oficial que pode contribuir para um planejamento mais preciso.
Isso, porém, não significa uma mudança imediata nas regras de uso e ocupação do solo. De acordo com Carolina, a Lei Complementar mantém inicialmente os parâmetros estabelecidos pelo Plano Diretor. Alterações no zoneamento e nos parâmetros de construção ou a definição de investimentos específicos dependem de outros instrumentos de planejamento e de decisões futuras do poder público.
Poucas mudanças
A Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) informa que o projeto de lei que cria o Bairro dos Ingleses foi uma iniciativa da Câmara Municipal do Rio. Com a sanção da lei, a conclusão de um estudo técnico vai definir a delimitação territorial do novo bairro e os procedimentos necessários à regulamentação da legislação. Após essa etapa, serão promovidas as devidas atualizações nos mapas oficiais e nos sistemas cadastrais do município.
No Bairro dos Ingleses, a oficialização foi recebida com comemoração. Até a sanção da nova lei, a região era administrativamente dividida entre Del Castilho e Maria da Graça. O taxista Zeca Domingues, morador da região, afirma que o reconhecimento era esperado havia anos:
— A reação dos moradores foi positiva, pois a decisão veio ao encontro do que desejávamos há tempos. Nós nos considerávamos moradores do Bairro dos Ingleses, mas, no relacionamento com os órgãos governamentais, financeiros e outros, tínhamos que nos identificar como moradores de Del Castilho ou de Maria da Graça. Agora temos a nossa própria identidade em relação ao bairro onde residimos.
Paulo Thomé, um dos moradores mais antigos da região, também destaca a expectativa da comunidade:
— Os moradores receberam a notícia com alegria. O projeto já tinha passado na Câmara dos Vereadores e estávamos só aguardando a assinatura do prefeito.
A oficialização ocorre em meio a reivindicações dos habitantes. A Associação de Moradores e Amigos do Bairro dos Ingleses (Amabi), fundada em janeiro e formalizada no mês passado, reúne e encaminha as demandas da comunidade. Entre as prioridades estão melhorias na segurança e na iluminação, poda de árvores, manutenção urbana e a criação de uma área de lazer.
Os moradores defendem a transformação de dois terrenos sem uso em um parque. Um deles, no fim da Rua Silva Rosa, pertence à Riotrilhos. O outro fica no fim da Rua Pires de Carvalho. A proposta prevê quadras poliesportivas, churrasqueira, playground infantil e equipamentos para exercícios de adultos. Outra reivindicação é a instalação de um posto de vacinação.
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A segurança também é uma das preocupações da comunidade. Segundo Paulo Thomé, os moradores obtiveram, em 2024, autorização para a instalação de portões de entrada e guaritas na região.
Com cerca de 800 imóveis que pagam IPTU, segundo estimativas da associação de moradores, os Ingleses têm como uma de suas características os terrenos amplos, de pelo menos 500 metros quadrados. As casas têm grandes quintais.
O bairro é formado por dez ruas, entre a Avenida Dom Hélder Câmara e o muro que cerca a linha férrea do metrô, no entorno da estação de Maria da Graça: Antônio de Freitas, Atílio Milano, Domingos de Barros, Ferreira Cardoso, Guanacás, Jacutinga, Pires de Carvalho, Resende Costa e Silva Rosa, além da Travessa Malafaia.
A história dos Ingleses está ligada à Companhia de Tecidos Nova América, instalada na região na década de 1920. A fábrica fechou e no início dos anos 1990 deu lugar a um shopping. Muito antes disso, os técnicos e diretores britânicos que trabalharam na indústria já haviam deixado o Rio. A fábrica oferecia aos funcionários o aluguel de imóveis próprios por preços acessíveis, contribuindo para a ocupação residencial da área.
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Divulgaçãan Delmiro
Rio das Pedras, Merck e Arpoador
Fora da Zona Norte, os projetos em tramitação incluem a criação do Bairro Rio das Pedras, a partir da subdivisão dos bairros Jacarepaguá e Itanhangá. A proposta é de autoria do vereador Marcelo Diniz.
Ainda na Zona Sudoeste, o vereador Flavio Pato propõe a criação do Bairro Merck, pela subdivisão do território da Taquara, na região de Jacarepaguá.
Na Zona Sul, um projeto de autoria dos vereadores Carlo Caiado, Alexandre Arraes, Leonel Brizola e Marcelo Arar propõe a criação do bairro do Arpoador, a partir da subdivisão de Copacabana e Ipanema.
O projeto que previa a criação do Magarça, em Guaratiba, na Zona Oeste, foi aprovado pela Câmara, mas acabou arquivado depois que o veto do Poder Executivo foi mantido pelos vereadores.
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BRCOM