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Disque Denúncia terá base exclusiva em Niterói a partir de outubro; saiba quais são as principais queixas na cidade

A partir de outubro, Niterói terá uma base própria do Disque Denúncia, com equipe dedicada a recebimento, triagem e acompanhamento das informações encaminhadas pela população. A ideia é aproximar o canal das demandas locais e ampliar o uso das denúncias como ferramenta para identificar problemas e orientar ações das forças de segurança. Último dia para […]

Disque Denúncia terá base exclusiva em Niterói a partir de outubro; saiba quais são as principais queixas na cidade


A partir de outubro, Niterói terá uma base própria do Disque Denúncia, com equipe dedicada a recebimento, triagem e acompanhamento das informações encaminhadas pela população. A ideia é aproximar o canal das demandas locais e ampliar o uso das denúncias como ferramenta para identificar problemas e orientar ações das forças de segurança.
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Dados obtidos pela Prefeitura de Niterói junto ao Disque Denúncia mostram que entre agosto de 2024 e agosto de 2026, foram registradas 9.019 denúncias sobre fatos ocorridos na cidade. No primeiro período de 12 meses, entre 16 de agosto de 2024 e 15 de agosto de 2025, foram 3.813 registros. Nos 12 meses seguintes, o número subiu para 5.205, alta de 36,5%.
A nova base será instalada no município por meio do convênio mantido pela Prefeitura de Niterói com o Disque Denúncia, com participação do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM). Com a estrutura física, a expectativa é que as informações recebidas pelo canal tenham maior interlocução com as demandas locais, já que quem procurar o serviço será atendido por pessoas que conhecem a região.
O perfil das denúncias
De acordo com as informações colhidas pela prefeitura, o tráfico de drogas foi o assunto mais citado pelos niteroienses que procuraram o Disque Denúncia nos dois anos analisados. Foram 2.234 denúncias sobre o assunto, o equivalente a 24,7% do total. O crescimento foi expressivo na comparação entre os dois períodos: as denúncias sobre tráfico passaram de 797 para 1.437, alta de aproximadamente 80%.
Barulho e maus-tratos contra animais aparecem na sequência entre os temas mais denunciados. O primeiro acumulou 1.301 registros nos dois anos, enquanto o segundo teve 1.107. Os números mostram que o canal não é utilizado apenas para comunicar crimes, mas também para informar sobre situações que afetam a rotina dos moradores.
A distribuição das denúncias também permite identificar onde estão as maiores concentrações de registros. O Fonseca liderou o levantamento, com 1.062 denúncias, seguido pelo Centro, com 796; Icaraí, com 781; Itaipu, com 674; Piratininga, com 602; e Santa Rosa, com 553.
Esse detalhamento territorial é considerado uma das ferramentas utilizadas para orientar o planejamento das ações de segurança. A concentração de registros em determinados bairros pode ajudar a indicar áreas que demandam maior atenção, além de permitir o cruzamento das informações recebidas pelo canal com outros dados utilizados pelas forças de segurança.
— Niterói foi pioneira ao entender que segurança pública se faz com integração, inteligência e parceria. O município trabalha a segurança de forma multidisciplinar, reunindo as forças policiais, a Guarda Municipal, os órgãos de fiscalização, tecnologia e políticas de prevenção. A parceria com o Disque Denúncia faz parte dessa estratégia, porque amplia a participação da população, qualifica o trabalho de inteligência e fortalece a atuação integrada das forças de segurança — afirma Felipe Ordacgy, secretário do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM).
Além de fornecer informações para o planejamento, os registros feitos pela população também podem resultar em ações das forças de segurança. Entre agosto de 2024 e agosto de 2026, operações relacionadas às denúncias recebidas em Niterói resultaram na prisão de 311 pessoas e na autuação de outras 66.
No mesmo período, foram apreendidos 57 fuzis, 104 pistolas, três revólveres, 21 granadas e 4.909 munições. As ações também levaram à apreensão de entorpecentes, incluindo 32.645 invólucros de cocaína, 24.578 de maconha e 14.856 de crack.
A estrutura própria em Niterói representa uma ampliação de uma parceria iniciada em 2018, quando o município passou a manter um canal voltado especificamente para o recebimento e acompanhamento de denúncias relacionadas à cidade. A diferença, a partir de outubro, será a presença física de uma equipe dedicada ao serviço no próprio município.
A proposta também é fazer com que as informações recebidas tenham maior integração com as ações não apenas pelas polícias Civil e Militar, mas também pela Guarda Municipal e por órgãos municipais de fiscalização.
Entre as operações realizadas pelo município estão a Asfixia, voltada à fiscalização de ferros-velhos clandestinos e à receptação de materiais furtados; a Pharmakon, direcionada a clínicas clandestinas ou em desacordo com normas sanitárias e legais; a Donos da Rua, que fiscaliza a atuação irregular de flanelinhas; e a Desconexão, contra a comercialização de celulares provenientes de furtos ou roubos.
Pacto Niterói Contra a Violência
A Prefeitura afirma que a ampliação do Disque Denúncia faz parte de uma estratégia mais ampla de investimento em inteligência e tecnologia. Desde 2018, o Pacto Niterói Contra a Violência recebeu mais de R$ 820 milhões em recursos municipais, segundo dados da administração.
Entre as estruturas criadas ou ampliadas estão o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), que funciona 24 horas e reúne mais de 800 câmeras de monitoramento, além de equipamentos de cercamento eletrônico. O município também mantém investimentos na Guarda Municipal e convênios com as polícias Civil e Militar.
Segundo a Prefeitura, entre 2018 e 2025, a taxa de roubos por 100 mil habitantes caiu 80,7% em Niterói, enquanto a taxa de mortes violentas teve redução de 69,3%. A nova etapa do Pacto Niterói Contra a Violência, prevista para o período de 2025 a 2030, prevê ampliar ações de inteligência, prevenção e segurança territorial.
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BRCOM