O empresário Abu Chowdhury, de 36 anos, foi condenado por participar do sequestro e das agressões contra três homens em Nova York, nos Estados Unidos. Dono de um supermercado no bairro de Hollis, no Queens, ele foi considerado culpado de três acusações de sequestro e outras três por planejar os crimes. A decisão foi tomada na quinta-feira, após um julgamento de duas semanas no Tribunal Distrital dos Estados Unidos no Brooklyn.
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Os casos envolveram horas de agressões, tortura e ameaças.
Em um dos episódios, os sequestradores exigiram US$ 20 mil pela libertação de uma vítima. Chowdhury, que se autointitulava “rei de Nova York”, poderá receber décadas de prisão quando for sentenciado.
Vídeos no TikTok antecederam primeiro sequestro
Em março de 2023, Mubarak Dewan voltava para casa com o jantar quando foi colocado à força dentro de um carro no Queens. Segundo os promotores, o grupo pretendia se vingar dele.
Dewan fazia parte da mesma comunidade de americanos de origem bengalesa no Queens que os envolvidos no sequestro. Antes do ataque, havia publicado vídeos no TikTok nos quais desafiava Chowdhury para uma briga.
Segundo a acusação, o empresário decidiu agir contra pessoas que considerava responsáveis por ofensas a ele ou à família. No caso de Dewan, o sequestro teria sido uma resposta aos vídeos publicados nas redes sociais.
A vítima permaneceu sob o controle de Chowdhury e de outros integrantes do grupo por 13 horas. Nesse período, foi espancada, drogada e despida.
Anzu Khan, sócio comercial de Chowdhury e integrante do grupo, afirmou durante o julgamento que o empresário considerava os vídeos ofensivos e prejudiciais ao supermercado:
— Por causa do vídeo, nosso negócio estava quebrando.
Khan já havia se declarado culpado.
Jovem imigrante foi torturado com faca e barra
Semanas depois, Chowdhury voltou sua atenção para Sheikh Mahode Hasan Preo, de 21 anos, que havia imigrado de Bangladesh apenas um mês antes. Ele estava hospedado no Queens com Iffat Lubna, mulher de Chowdhury, de 27 anos, que conhecia da faculdade em Daca.
Em uma conversa com Chowdhury, Preo falou sobre antigos relacionamentos de Lubna e sobre o uso de drogas que ela teria tido no passado.
No dia seguinte, 10 de maio de 2023, Lubna acordou Preo e o atraiu para o carro do marido. Dentro do veículo, ele foi espancado e torturado com uma faca e uma barra. Uma gravação da agressão foi apresentada durante o julgamento.
Durante a violência, Chowdhury disse a Preo: “Se consigo fazer isso na América, então poderia cometer um assassinato em Bangladesh”.
Depois das agressões, Preo acordou em um quarto de hotel desconhecido e estava usando roupas novas.
Terceira vítima foi atraída para encontro
A terceira vítima, Mazharul Islam, conheceu Lubna por meio de aulas de inglês on-line. Ele acreditava que os dois haviam desenvolvido uma amizade ou uma aproximação pessoal e, pensando que ela era solteira, a convidou para sair.
Em 11 de maio, Islam foi até a frente do restaurante Dera, em Jackson Heights, no Queens, acreditando que encontraria Lubna para uma refeição.
Chowdhury saiu de uma minivan, agarrou Islam pela gola e o obrigou a entrar no veículo. Lubna estava dentro do carro.
Islam foi atingido por uma barra no ombro, na cabeça e nas costas. Durante as agressões, pediu que os sequestradores parassem. O grupo pegou seu telefone e sua carteira e depois telefonou para o pai dele, que estava em Bangladesh, exigindo US$ 20 mil em troca da vida do filho.
— Eu tentava implorar a ele: “Irmão, se há algum problema, vamos conversar sobre isso, mas, por favor, não faça isso comigo”.
Islam foi levado para o mesmo quarto de hotel onde Preo havia sido mantido. Os espancamentos continuaram por mais um dia.
Depois, os sequestradores colocaram Islam novamente em um carro e o levaram a uma casa em condições precárias no Queens. Ele foi vendado e amarrado no porão. Quando os sequestradores deixaram o local, conseguiu roer as amarras, retirar a venda e escapar. Em seguida, chamou uma ambulância.
Conflitos pessoais estavam entre os motivos
Durante o julgamento, as vítimas relataram que os ataques estavam ligados a supostas ofensas à honra de Chowdhury e de sua mulher.
No caso de Preo, a acusação relaciona a agressão aos comentários que ele havia feito sobre antigos relacionamentos de Lubna e sobre seu passado relacionado às drogas. No caso de Islam, Chowdhury acreditava que o homem estava flertando com sua mulher.
A terceira vítima também teria feito um comentário considerado ofensivo sobre Lubna, descrita na acusação como promíscua.
Os promotores afirmaram que Chowdhury pretendia “mostrar seu domínio na comunidade” por meio dos sequestros e das agressões.
Empresário pode receber décadas de prisão
Chowdhury foi indiciado em janeiro de 2024 por seis acusações de sequestro. Na quinta-feira, foi condenado pelas três acusações de sequestro e pelas três de conspiração para cometer sequestro.
Outros sete integrantes do grupo também foram indiciados, entre eles Iffat Lubna. Todos foram posteriormente condenados em julgamentos ou se declararam culpados de acusações federais.
O procurador dos Estados Unidos no Brooklyn, Joseph Nocella, classificou os sequestros como “brutais, sem sentido e não podem ser tolerados em uma sociedade civilizada”.
O promotor federal Joshua D. Tannen afirmou que Chowdhury queria “mostrar seu domínio na comunidade” por meio dos crimes.
Defesa admite agressões, mas contesta sequestros
O advogado Anthony Cecutti não contestou, nas alegações finais, que seu cliente havia “agredido brutalmente” os três homens. A defesa, porém, sustentou que Chowdhury não teria sequestrado as vítimas.
Cecutti também argumentou que os homens que depuseram contra o empresário não eram confiáveis.
A sentença de Chowdhury ainda será definida. Ele pode receber décadas de prisão pelas condenações.
Dono de supermercado é condenado por sequestro e tortura de três homens nos EUA
