Drones ucranianos atingiram, nesta quarta-feira, uma instalação industrial em uma remota região no Ártico russo, a quase 3 mil quilômetros da fronteira, em nova e ousada demonstração do poderio militar de Kiev dentro do território da Federação Russa. O alvo foi o mais distante a ser alvejado com sucesso pela Ucrânia, e se soma a dezenas de ações em outras áreas do país nos últimos meses.
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De acordo com Dmitry Artyukhov, governador do Distrito Autônomo de Yamalo-Nenets — responsável por 80% da produção de gás natural na Rússia — o ataque provocou um incêndio na instalação em Novy Urengoy, considerada a capital informal do gás no país, sem especificar a extensão dos danos ou a atividade realizada no local atingido. Um representante do governo federal, contudo, confirmou à agência RIA que se tratava de um complexo de combustíveis e energia. Veículos de imprensa ucranianos alegam que o alvo era uma unidade da Gazprom, que não se pronunciou.
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Essa foi a primeira vez em que o remoto porém estratégico distrito de Yamalo-Nenets, parcialmente localizado dentro do Circulo Polar Ártico, é atingido por drones ucranianos. De acordo com o site independente Agentsvo News, o ataque empregou uma versão modificada do drone de ataque FP-1, desenvolvido pela empresa ucraniana Fire Point, com alcance estimado de 2,7 mil km. A instalação em Novy Urengoy estava a 2,8 mil km do território ucraniano. Anteriormente, o “recorde” de maior distância percorrida pelos drones ucranianos era 2,5 mil km, em um ataque contra Omsk, na Sibéria Ocidental.
Em paralelo aos mortais ataques russos contra o território ucraniano, que empregam desde drones até mísseis balísticos, a Ucrânia tenta elevar o custo econômico do conflito para a Rússia, atingindo o pilar da economia local e, por consequência, do financiamento da máquina de guerra de Vladimir Putin: o setor de energia. Dezenas de refinarias e unidades de processamento de gás foram atingidas nos últimos meses, reduzindo a capacidade de produção de combustíveis e derivados aos menores níveis em mais de duas décadas.
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As filas nos postos de gasolina e os racionamentos impostos pelas autoridades geraram memes, críticas pontuais e incomodaram o Kremlin, a poucos dias das eleições para a Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. No mês passado, Moscou precisou importar combustíveis para atender à demanda interna. Um cenário peculiar para um país que já foi o maior produtor global de petróleo.
Em paralelo, a crescente presença dos drones ucranianos tornou os céus russos mais perigosos para a aviação — algo destacado pelo presidente Volodymyr Zelensky — e as restrições a aeroportos e aeronaves comerciais se tornaram rotina para os viajantes locais. Nesta quarta-feira, a agência RIA confirmou que restrições foram impostas na região de Khanty-Mansiysk, a mais de 1,8 km da Ucrânia, responsável por quase 40% da produção de petróleo na Federação Russa. De acordo com a agência independente Verstka, as autoridades locais incluíram, no início da semana, os ataques com drones em uma lista de ameaças iminentes à população. Até o momento, não foram confirmados incidentes.
Drones ucranianos atingem região crucial para a produção de gás na Rússia, quase 3 mil km de distância
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