Duas explosões foram ouvidas em Riad na madrugada deste sábado (24), constatou um jornalista da AFP na capital da Arábia Saudita, enquanto os houthis do Iêmen prosseguem com seus ataques contra o reino petrolífero.
Pouco antes, a Defesa Civil saudita havia informado sobre a ativação de um sistema de alerta antecipado para advertir os moradores sobre uma possível ameaça.
Ataque houthi em aeroporto de Riad, em 12 de outubro, deixou 12 mortos e mais de 300 feridos
AFP
Pouco antes, a coalizão liderada pela Arábia Saudita que combate os houthis também afirmou que havia derrubado um míssil balístico que se dirigia a Riad, assim como um drone na Província Oriental.
O reino vem sendo alvo de bombardeios constantes por parte desse grupo iemenita apoiado pelo Irã neste mês, incluindo um contra o aeroporto internacional de Riade, que foi o mais letal registrado no país em anos.
O que querem os houthis
Combatentes leais às autoridades houthis participam de uma manifestação para recrutar mais combatentes, em Sanaa, em 7 de outubro de 2026
MOHAMMED HUWAIS / AFP
O reaquecimento do conflito no Iêmen começou em julho, cinco meses após o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã, país que apoia os rebeldes houthis. Em fevereiro, os governos de Trump e Benjamin Netanyahu mataram o então líder-supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque aéreo a Teerã.
Desde então, o grupo armado religioso xiita que controla o norte do Iêmen — mas busca tomar totalmente o país e ser reconhecido como seu governo de fato — realiza ofensivas para ampliar seu alcance do território.
Parte do chamado Eixo de resistência contra os EUA e Israel, assim como o grupo palestino Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah, os houthis voltaram também a atacar a Arábia Saudita por seu apoio e financiamento do atual governo iemenita, reconhecido internacionalmente.
No mês passado, os houthis haviam conquistado grandes áreas do litoral e aumentaram seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, a principal “rota alternativa” para o comércio de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra entre EUA e Irã. Há duas semanas, o governo iemenita iniciou uma contraofensiva com o suporte de aviões de guerra sauditas para retomar dos houthis um território estratégico ao longo do Mar Vermelho. Enquanto isso, os rebeldes avançaram sobre a cidade de Taiz, um reduto do governo.
O papel de EUA, Paquistão e Turquia no conflito
Donald Trump e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na Casa Branca, em novembro de 2025
Haiyun Jiang/The New York Times
Os ataques contra Riad aumentaram a pressão sobre o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman para encontrar uma solução para o conflito, já que os combates ameaçam seus planos de transformar o país em um polo de negócios e turismo.
Os combates podem envolver mais países, depois que Paquistão e Turquia ativaram, no início do mês, um pacto de defesa para fornecer apoio militar ao reino. Um alto funcionário militar paquistanês, que falou ao jornal The New York Times sob condição de anonimato, garantiu que caças paquistaneses estavam sendo usados em ataques contra os houthis.
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, havia rejeitado anteriormente os pedidos do governo saudita para ordenar ataques aéreos americanos. Mas isso não quer dizer que não haja colaboração com seus aliados: mais de 200 analistas de inteligência e militares dos EUA estão auxiliando a Arábia Saudita em centros de comando dentro do reino, analisando e selecionando alvos em apoio a seus aliados iemenitas, segundo um atual e um ex-funcionário americanos ouvidos pelo Times.
Washington fornece ainda reabastecimento aéreo para aviões de guerra sauditas que realizam patrulhas aéreas defensivas, mas agora os EUA poderão entrar nos combates.
No mês passado, o Reino Unido também prometeu oferecer reabastecimento aéreo limitado aos aviões de guerra sauditas para fins defensivos. Não está claro se isso se estenderá à nova campanha iniciada por bin Salman. A França, por sua vez, anunciou também em setembro que enviaria tropas e outros recursos militares para proteger a infraestrutura energética saudita no Mar Vermelho.
A mais recente rodada de combates que colocou novamente a Arábia Saudita e os houthis em conflito aberto já deslocou 200 mil iemenitas desde a escalada de setembro, segundo as Nações Unidas.
Em 2015, a Arábia Saudita havia liderado uma desastrosa campanha contra os houthis em uma tentativa de restaurar o governo do Iêmen, expulso da capital Sana pela milícia. A guerra provocou centenas de milhares de mortes e criou uma das piores crises humanitárias do mundo, até que os dois lados concordaram com uma trégua frágil em 2022.
(Com AFP e NYT)
Duas explosões atingem capital da Arábia Saudita após alerta de ataque aéreo
