O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro tem vendido “pastel de vento”, sem mostrar como vai efetivamente chegar aos resultados que almeja.
— Tenho dificuldade de entender essa euforia — disse o ministro, referindo-se ao comportamento do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições.
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Durigan participou de forma remota de um evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em São Paulo.
— Quando você compara coisas concretas, o que foi o governo anterior e o atual governo Lula, é difícil que o anterior ganhe em alguma coisa, em especial na política fiscal — afirmou.
Segundo ele, dizer que será possível fazer um superávit de 1,5% do PIB, sem mostrar como atingir isso de forma concreta, é “vender ilusão”.
Durigan afirmou que o risco-país cresceu no governo Bolsonaro, mas caiu na gestão atual, citando o aumento da nota de risco do país, “com as nossas regras fiscais”.
— Acho que comprar ilusão, como já compramos no passado, é um erro — disse, pedindo confiança no projeto da gestão atual.
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O ministro afirmou ainda que, se Flávio for eleito, haverá “um desastre na construção civil”.
Durigan acrescentou que o governo anterior “fez um monte de maluquice com o fiscal”, aprovando medidas sem ter receitas para pagá-las. Para ele, a campanha de Flávio fala em aumento de produtividade no país, mas a gestão Bolsonaro não teve ações nesse sentido.
— A reforma tributária é o grande ganho de produtividade no Brasil pós-1988 — afirmou, ressaltando que há dificuldade em se transformar o sistema tributário, mas que isso não pode impedir a mudança.
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Durigan afirmou que o arcabouço fiscal precisa ser “reforçado”, para garantir que a despesa cresça abaixo da receita, algo que estaria em processo e que deve mudar a partir deste ano.
— Nós temos que dar garantia de que essa regra fiscal vai seguir existindo com a receita crescendo mais do que a despesa, de modo que estabilizemos o crescimento da dívida pública, que é, sim, uma questão importante para o país endereçar — disse.
O ministro chamou a atenção para os dados de inflação, de desemprego e de balança comercial no país, que representaria também uma oportunidade para a construção civil:
— Nós temos uma milha final para corrigir, que é a taxa de juros e o fiscal do país.
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Houve uma falta de institucionalidade no governo Bolsonaro, segundo Durigan, que pode ser “grave para o país”. Já a campanha atual estaria fazendo “populismo fiscal”, de acordo com ele, prometendo cortes enquanto afirma que vai manter a valorização do salário mínimo e a vinculação dos benefícios sociais e previdenciários ao salário mínimo.
Perguntado sobre se estava “empolgado com a eleição”, Durigan afirmou que não é “negacionista da democracia”:
— O resultado da urna tem que ser sempre bem-recebido, vamos ter um ano de 2026 diferente de 2022, com democracia em festa e sem bagunça no país.
Durigan diz ter dificuldade para 'entender essa euforia' do mercado financeiro após o 1º turno
