A retirada de Macklemore da “Loop Tour”, como é batizada a nova turnê de Ed Sheeran, vem provocando efeitos em série sobre o novo trabalho do astro britânico. Depois de o rapper ser excluído das próximas apresentações nos Estados Unidos por causa de declarações pró-Palestina feitas no palco, uma sequência de desistências deixou Ed Sheeran sem os convidados anunciados para as próximas apresentações. E mais. Aumentou a pressão sobre ele nas redes sociais.
O que ele diz: Ed Sheeran se manifesta após saída de Macklemore da turnê por apoio à Palestina: ‘Não sou cúmplice’
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De um dia para o outro, Finneas, Aaron Rowe e a banda Lukas Graham anunciaram que não vão mais participar dos shows de Sheeran. O grupo irlandês Beoga, que também se apresenta ao lado do cantor durante parte do repertório, decidiu abandonar as datas restantes nos Estados Unidos. As saídas ocorreram em solidariedade a Macklemore e vieram acompanhadas de críticas à decisão de afastá-lo.
A repercussão chegou também diretamente às redes sociais de Sheeran. O cantor virou alvo de críticas de seguidores por sua postura diante do caso e desativou os comentários no post mais recente em que tratou da controvérsia, impedindo novas manifestações diretamente na publicação. Até agora, ele não se pronunciou sobre a debandada dos demais músicos.
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Uma das desistência tem impacto direto no Brasil. Finneas, irmão e colaborador musical de Billie Eilish, estava escalado para acompanhar Sheeran em apresentações na América do Sul — entre elas os shows previstos para os dias 5 e 6 de dezembro, em São Paulo. A participação não deve mais acontecer.
“Artistas não podem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos”, escreveu Finneas nas redes sociais, em defesa do colega Macklemore. “Decidi me retirar das próximas datas da turnê com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e de seu povo.”
O rapper Macklemore
Reprodução Instagram
Aaron Rowe, que vinha abrindo apresentações da turnê, também destacou a relação pessoal que mantém com Ed Sheeran ao anunciar o abandono do trabalho. “Não tomo essa decisão de maneira leviana”, escreveu. “Ed tem sido meu amigo e mudou minha vida. Eu jamais conseguiria agradecê-lo o suficiente por isso.” Na sequência, o músico irlandês justificou a decisão:
“Mas, como irlandeses, conhecemos bem demais o genocídio, a fome imposta e a ocupação violenta. Não posso ficar de braços cruzados e permitir que bilionários usem sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e chamam atenção para o assassinato brutal de crianças.”
A banda dinamarquesa Lukas Graham seguiu pelo mesmo caminho. “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Sob qualquer bandeira”, afirmou o vocalista Lukas Forchhammer. Em seguida, acrescentou: “Dinheiro não dá a ninguém o direito de controlar a conversa. O saldo bancário de ninguém deveria decidir quem pode falar ou qual sofrimento temos permissão para reconhecer.”
O Beoga, grupo tradicional irlandês que mantém uma parceria de mais de uma década com Sheeran e participa de músicas do cantor durante os próprios shows, também resolveu deixar a excursão. A banda afirmou que permanecer em locais que, em sua avaliação, silenciam manifestações em defesa dos palestinos “simplesmente não é uma opção”.
Caso divide nomes da música
A celeuma ultrapassou o grupo de músicos escalados para a turnê e passou a provocar reações de outros artistas. Uma publicação de Macklemore sobre o episódio recebeu curtidas de perfis de Hayley Williams, Zara Larsson, Melanie Martinez, Girl in Red, PinkPantheress e Skip Marley, entre outros. A curtida, isoladamente, não permite concluir que cada artista endosse integralmente as declarações do rapper, mas mostra a dimensão alcançada pelo caso no meio musical.
A cantora americana Kehlani — que foi retirada da programação do SummerStage, no Central Park, em Nova York, no ano passado, após se manifestar a favor da Palestina — manifestou apoio publicamente a Macklemore. A artista escreveu nas redes sociais que muitos proprietários de locais para shows atuavam de forma semelhante e disse estar “honrada” de conhecê-lo.
Em sentido diferente, a cantora Pink republicou uma manifestação do grupo StopAntisemitism que criticava a performance de Macklemore e o acusava de apresentar propaganda a um público que não esperava encontrá-la durante o show. Ela afirmou que ficou “assustada enquanto mãe judia”. “Não é a primeira vez que me pintam como vilã. Eu aguento. Mas não me vou calar, nem vou ensinar os meus filhos a fazê-lo. Para aqueles que estão furiosos comigo: não têm que concordar comigo. Nem precisam concordar com o que o Governo de Israel faz, para não quererem que a família judia atrás de vocês seja ameaçada num show. É a única coisa que nos peço”, afirmou a artista, após repercussão negativa de suas declarações.
Como começou a polêmica envolvendo Ed Sheeran
A reação em cadeia começou em 4 de setembro, quando Macklemore abriu o show de Ed Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante a apresentação, o rapper disse que uma das razões pelas quais havia aceitado participar da turnê era poder subir a palcos e estádios e pronunciar duas palavras que considerava importantes: “Free Palestine” (“Palestina livre”).
Ele também apresentou “Hind’s Hall”, música de protesto dedicada a manifestantes pró-Palestina da Universidade Columbia, enquanto imagens da destruição em Gaza eram exibidas nos telões.
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A apresentação provocou críticas de organizações como o Israeli American Council, que lançou uma petição pedindo a retirada de Macklemore da turnê. Proprietários de estádios também se opuseram à permanência do rapper.
Entre eles estava Robert Kraft, bilionário proprietário do time New England Patriots e do Estádio Gillette, nos arredores de Boston. Kraft confirmou que não permitiria a apresentação de Macklemore em seu estádio e afirmou que não queria “oferecer uma plataforma para discurso de ódio”. Também acusou o rapper de ter “um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que, em nossa avaliação, foram profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica”.
A produtora Messina Touring Group, responsável pela turnê de Ed Sheeran, afirmou ter sido informada por casas que receberiam os próximos shows de que Macklemore não poderia mais fazer parte da programação. Segundo a empresa, manter o rapper poderia levar ao cancelamento das apresentações e afetar centenas de milhares de fãs. Macklemore estava escalado para abrir oito dos dez shows restantes da etapa americana. Veio daí a decisão de cortá-lo, segundo ela.
Sheeran diz que decisão não foi dele
Depois da repercussão negativa sobre o assunto — que figura entre os temas mais comentados do X desde a última segunda-feira (14) —, Ed Sheeran publicou um longo comunicado atribuindo a saída de Macklemore aos promotores e aos locais dos shows. O britânico afirmou ter tentado encontrar uma solução durante a semana, sem sucesso.
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“A saída de Macklemore da turnê foi uma decisão da produtora, não minha. Eu jamais decepcionaria os fãs que fizeram planos, nem abandonaria a equipe da turnê e os outros artistas de abertura e músicos que dependem de mim para trabalhar e ganhar a vida”, afirmou Ed Sheeran.
Sheeran também defendeu sua decisão de evitar manifestações políticas em seus shows. Disse que seu público inclui jovens e crianças de diferentes origens e que quem compra ingressos para suas apresentações não espera encontrar um “fórum político”.
“Eu não sou cúmplice”, escreveu. “Tenho minhas opiniões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque escolho não me manifestar publicamente, isso não significa que eu não tenha opiniões, nem que eu não me importe.”
O que diz Macklemore agora?
Diante das reações ao caso, Macklemore, por sua vez, afirmou que compreendia a situação em que Sheeran havia sido colocado, mas criticou a opção do cantor de não assumir uma posição pública. Ao anunciar sua saída, o rapper ressaltou que não se considerava a vítima da controvérsia:
“Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo. Quaisquer que sejam as consequências que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos”, disse Macklemore.
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