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outubro 4, 2026
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Eleitores relatam demora para votar no Rio e lentidão em SP; quem estiver na fila até 17h pode votar

Por · outubro 4, 2026
Eleitores relatam demora para votar no Rio e lentidão em SP; quem estiver na fila até 17h pode votar


Milhões de brasileiros vão às urnas neste domingo para escolher seus representantes e, em alguns locais de votação no Rio e em São Paulo, eleitores já enfrentam longas filas e demora para votar. A falta de uma cola com os números dos candidatos e a necessidade de registrar seis escolhas — incluindo duas para o Senado — estão entre os fatores que podem contribuir para os atrasos. No Rio, a mudança de endereço em dezenas de seções, em alguns casos por questões de segurança, amplificam o problema, além da pouca quantidade de urnas em locais mais demandados. No Colégio de Aplicação (Cap) da UFRJ, por exemplo, há apenas três urnas para seis seções. A orientação da Justiça Eleitoral é que o eleitor confirme o local de votação antes de sair de casa para evitar deslocamentos desnecessários.
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Nesta eleição, cada pessoa precisa registrar seis votos para cinco cargos, já que serão escolhidos dois senadores por estado. A sequência na urna começa por deputado federal e deputado estadual, segue com os dois votos para o Senado e termina com governador e presidente da República.
Ao todo, são 19 algarismos a digitar, além da conferência dos dados de cada candidato e da confirmação de cada voto. A quantidade de escolhas pode aumentar o tempo que o eleitor passa na cabine e contribuir para a formação de filas. Nas últimas eleições presidenciais, em 2022, o voto era para apenas um senador.
Outro fator que pode explicar a demora são as trocas de seções eleitorais. Eleitores que chegaram a ficar entre 40 minutos e uma hora na fila para votar na PUC, na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, contam que votavam anteriormente no Colégio Municipal Desembargador Oscar Tenório, mas tiveram suas seções transferidas para a faculdade.
Eleitores chegam a ficar entre 40 minutos e uma hora na fila para votar na PUC, na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro
Ana Branco/Agência O Globo
De acordo com voluntários do TSE que estavam no local, oito seções da escola foram transferidas para a PUC ocasionando grandes filas em dois andares do prédio.
A advogada Juliana Muniz foi pega de surpresa quando chegava no Colégio Municipal Desembargador Oscar Tenório, na Gávea, para votar na manhã deste domingo.
— Chegando la, falaram que eu tinha que votar na PUC. Estou tem uns 40 minutos na fila.
Em Botafogo, no Colégio Adventista, as filas superaram uma hora. No Colégio de Aplicação (CAP) da UFRJ, na Lagoa, onde foram colocadas apenas três urnas para seis seções, há relatos de três horas de fila.
Eleitores chegam a ficar entre 40 minutos e uma hora na fila para votar na PUC, na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro
Ana Branco/Agência O Globo
A estudante de 23 anos Mariana Melo também votava na escola, mas checou o endereço antes de vir votar.
— Como estavam falando que tinha lugar de votação que ia mudar, eu chequei. Estou aqui há 30 minutos e meu celular tá descarregando, não vou conseguir mostrar o e-titulo, mas trouxe a identidade.
Mulher passa mal em São Gonçalo
Eleitores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, também precisaram de paciência para votar neste domingo. Por volta de 12h30, a fila para acessar as cabines no São Gonçalo Shopping, no bairro Boa Vista, era imensa, e os moradores esperavam sob sol forte. Os pontos de votação foram transferidos pelo TRE por questões de segurança e, no primeiro ano da nova medida, a mudança provocou confusão e longa espera.
Moradora do complexo, Monalisa Silva contou que estava havia mais de 40 minutos na fila e ainda se encontrava distante da seção.
— Eu votava a 700 metros da minha casa. E agora estou aqui, no calor, sem água, sem saber como vai ser — desabafou.
Com a espera e o calor, uma mulher passou mal e precisou ser socorrida e colocada em cadeira de rodas.
Longas filas para votar no Rio de Janeiro: Com a espera e o calor, uma mulher passou mal e precisou ser socorrida e colocada em cadeira de rodas.
Rafael Lopes
No Ciep Yuri Gagarin, eleitores relatam demora de 1h para conseguir votar. A confeiteira Layra de Paula, de 27 anos, vota no colégio desde que fez o título de eleitor e afirma nunca ter demorado tanto para conseguir votar. Segundo ela, neste domingo, o tempo de espera e votação foi muito mais do que na última eleição.
— Foi a primeira vez que demorei tanto para votar. Na última eleição, não fiquei mais do que 30 minutos no colégio. Hoje, eu cheguei antes das 9h e só consegui sair às 10h30. Estava tudo bem confuso e bagunçado, e não tinha gente o suficiente para dar informações. Além disso, eles colocaram duas sessões dentro de uma sala, e sempre foi uma sessão por sala. Eu só encontrei um funcionário no primeiro andar e mais ninguém. Muito desorganizado. Tinha muito idoso e crianças de colo nas filas, e tinha mais gente reclamando também da demora.
Em algumas seções na Barra, chegaram a falar em demora de até 2h para conseguir votar.
A votação está prevista para terminar às 17h, pelo horário de Brasília, mas quem estiver na fila da sua seção eleitoral nesse momento terá o direito de votar garantido, mesmo que a espera se prolongue. Os mesários identificarão os eleitores presentes e distribuirão senhas. O atendimento continuará até que todos os que chegaram dentro do prazo tenham votado.
No Complexo do Alemão, moradores contam que nunca viram tantas filas, e houve gente desistindo de votar porque não podiam esperar as três horas estimadas até chegarem nas urnas instaladas em colégios da região.
Filas são influenciadas por seis cargos e troca de urnas, diz TRE-RJ
As longas filas registradas em locais de votação do Rio de Janeiro neste domingo são influenciadas por uma combinação de fatores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Entre eles estão o número de cargos em disputa, a necessidade de o eleitor fazer dois votos para o Senado e eventuais problemas técnicos que levem à substituição de urnas. O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RJ, Michel Marchetti Kowacs, afirmou que o tempo médio de votação é de cerca de um minuto e meio por eleitor.
— Este ano sabemos que temos seis cargos em votação. Com certeza, um dos principais motivos da fila é a questão do segundo voto para o Senado. Já imaginávamos que isso poderia gerar uma grande fila — afirmou.
Segundo Kowacs, uma ocorrência técnica também pode ampliar a espera. Quando uma urna precisa ser substituída, o tempo necessário para o deslocamento de um técnico ou de um equipamento de contingência pode aumentar a fila, principalmente quando já há muitos eleitores aguardando.
— Se acontece no começo da votação, se já tiver muita gente na fila, se houver uma contingência que demore um pouquinho mais, por exemplo, 20 minutos, é uma coisa que com certeza impacta muito na fila — explicou.
A logística para a substituição varia conforme a zona eleitoral. Em locais maiores, há urnas de contingência disponíveis para atendimento mais rápido. Em áreas mais afastadas, pode ser necessário deslocar um técnico até a seção.
— A troca em si é bem rápida. O que pode demorar é o tempo de trajeto do técnico até a seção — disse.
127 urnas substituídas
O TRE-RJ registrou, até o primeiro balanço parcial deste domingo, 127 urnas eletrônicas substituídas durante a votação no estado. O número representa 0,29% dos equipamentos e, segundo Kowacs, está dentro da expectativa para uma eleição.
A capital concentra a maior quantidade de trocas, com 53 urnas substituídas. Duque de Caxias aparece em seguida, com seis, enquanto Niterói e Nilópolis registraram cinco cada. Os números ainda são parciais e serão atualizados ao longo do dia.
Segundo o secretário, parte das ocorrências está relacionada à movimentação dos equipamentos durante o transporte e a instalação nos locais de votação. O deslocamento pode provocar problemas em conexões e componentes internos. Também há casos de atolamento de papel na impressora.
— No começo do dia, temos o maior número de substituições. Muitas vezes, no manejo da urna para levar até o local de votação, conexões ou componentes internos podem se soltar. Também ocorre bastante atolamento de papel da impressora — afirmou.
O secretário afirmou que o percentual está dentro do padrão observado em eleições anteriores. No primeiro turno de 2024, segundo ele, o índice de substituição ficou em 0,96%. Para este domingo, chegar a 1% não seria considerado fora da normalidade.
Além dos problemas técnicos, Kowacs citou o próprio fluxo de votação como fator para a formação das filas. Segundo ele, a média histórica entre a habilitação do eleitor e a conclusão do voto é de aproximadamente um minuto e meio.
Filas para votar em São Paulo
Em São Paulo, eleitores também enfrentam filas longas em alguns locais de votação com até uma hora de espera. Segundo eleitores, muita gente não veio preparada com a cola com o números dos seis candidatos. Além disso, para idosos com mais de 60 anos, o número de candidatos acabou levando a uma votação mais vagarosa.
— As pessoas não vieram preparadas com os números e estão se enrolando com tantos candidatos — disse o psicológo Geovani Melo, que votou na escola Professor América de Moura, na Vila Prudente.
Na escola estadual Edmundo de Carvalho, da Lapa, em São Paulo, os fiscais tiveram de liberar aos poucos a entrada dos eleitores para não sobrecarregar as seções e bloquear os corredores. Perto do meio-dia, a fila do lado de fora já dobrava o quarteirão, o que motivou dois vendedores ambulantes a vender salgadinhos e batata frita. Segundo uma mesária, a biometria estava demorando, principalmente para coletar a digital de idosos e em razão da sequência longa de candidatos.
No Colégio Ápice Pinheiros, antigo Stella Maris, na esquina de Cardeal Arcoverde com Francisco Leitão, a maioria das seções tinha longas filas entre 10h30 e 12h30, com espera de até uma hora para acessar a sala de votação.
Uma eleitora reclamou com o mesário sobre a quantidade de pessoas nas filas preferenciais, não apenas os com mais de 60 anos, incluindo idosos com andadores, mas também pessoas com transtorno do espectro autista e gestantes. Ela foi uma exceção, já que os demais eleitores esperaram até uma hora dividindo histórias de eleições anteriores. Nas escolas Godofredo Furtado e Madre Alix havia muitos idosos votando, o que levou os organizadores a intercalar voto preferencial e não preferencial para evitar longas filas.
Como consultar o local de votação por zona e seção eleitoral?
A consulta do local de votação é simples: pode ser feita no site do Tribunal Superior Eleitoral pelo nome, número do título ou CPF do eleitor. Nos três casos, é preciso fornecer a data de nascimento e o nome da mãe.
Também é possível obter o título com todas as informações por meio do aplicativo e-Título, disponível para os aparelhos de celular e tablets que utilizam os sistemas operacionais iOS (iPhone) e Android.
Confira aqui o passo a passo para a consulta da seção eleitoral no TSE.
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*Estagiários sob supervisão de Leila Youssef.

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