A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, viajará a Nova York na próxima semana para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas e terá um breve encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira. A reunião, conhecida diplomaticamente como um “encontro à margem”, foi confirmada na sexta-feira pelo embaixador americano na ONU, Mike Walsh. A viagem será a primeira de um chefe de Estado venezuelano à organização desde 2018 e ocorre em meio à crescente aproximação entre Caracas e Washington após a invasão militar americana que terminou com a detenção e destituição de Nicolás Maduro no início deste ano.
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A reunião entre Trump e Delcy já havia sido antecipada por veículos como Bloomberg e Axios, mas ainda não tinha confirmação oficial. A ida da líder chavista aos EUA representa uma mudança em relação à postura mantida durante anos pelo governo venezuelano, marcado pela oposição a Washington. Desde a queda de Maduro, os governos dos dois países, até então inimigos, passaram a demonstrar uma sintonia crescente.
Um dos principais sinais dessa aproximação ocorreu em 28 de agosto, quando Trump anunciou um acordo pelo qual os EUA passaram a ter acesso privilegiado a mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo venezuelanas, quase um quarto do total do país. Diante das críticas provocadas pelo anúncio, o republicano defendeu o pacto dias depois: “É um presente da Venezuela ao povo dos EUA”, disse ele.
Trump disse ainda que o acordo com o governo de Delcy não custaria um dólar aos Estados Unidos e traria apenas benefícios ao país. Segundo o presidente, os 65 bilhões de barris incluídos no pacto servirão, entre outras coisas, para recompor as reservas estratégicas americanas, que atualmente se encontram no nível mais baixo em quatro décadas.
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Outro gesto de aproximação ocorreu na quarta-feira, quando Trump anunciou a retirada da Venezuela da lista de países que descumprem seus compromissos no combate ao narcotráfico. O presidente atribuiu a decisão aos “avanços positivos” registrados no governo de Delcy. Em decreto, o republicano disse que “decidiu” que a Venezuela “não deve mais ser apontada por ter descumprido de maneira comprovada seus compromissos de controle de drogas”.
Trump também elogiou a “crescente cooperação” entre os dois países no combate aos cartéis, incluindo a operação militar conjunta que permitiu neutralizar Niño Guerrero, líder do Trem de Aragua. Ao mencionar a mudança nas relações entre Washington e Caracas, o americano voltou a se referir a Maduro como “ex-ditador ilegítimo e narcotraficante”.
Discurso na ONU
A participação de Delcy na Assembleia Geral também marca o retorno de um chefe de Estado venezuelano à tribuna da ONU depois de oito anos. O último foi Maduro, que discursou em setembro de 2018, durante o primeiro governo Trump. Antes e depois daquela participação, representantes da diplomacia chavista usaram a Assembleia Geral para denunciar as sanções impostas pelos EUA — que ainda permanecem em vigor — e defender a soberania venezuelana, frequentemente em discursos de forte oposição a Washington.
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Delcy já participou da Assembleia Geral em outras funções. Esteve na ONU em 2016, quando era chanceler, e retornou em 2019, já como vice-presidente. Naquela ocasião, classificou as sanções americanas como uma forma de “terrorismo de Estado” que, segundo ela, não utilizava bombas, mas bancos e seguradoras.
No mesmo discurso, ela acusou Trump de ter “estendido suas garras imperiais” contra Cuba e afirmou que povos como o venezuelano não tinham acesso a uma máquina de comunicação a serviço do “hegemon” mundial e de seus satélites. Também pediu a Washington menos arrogância e mais tolerância em relação às nações livres. Durante a intervenção, várias delegações deixaram o plenário em protesto.
No mesmo dia do encontro com Delcy, Trump fará um discurso na ONU e terá outras reuniões bilaterais, segundo o representante de seu governo. O americano deverá se encontrar com o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, e com a primeira-ministra japonesa, além de presidir uma reunião com líderes dos países do Golfo Pérsico.
Em gesto inédito de aproximação, presidente interina da Venezuela se reunirá com Trump em Nova York
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, viajará a Nova York na próxima semana para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas e terá um breve encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira. A reunião, conhecida diplomaticamente como um “encontro à margem”, foi confirmada na sexta-feira pelo embaixador americano na ONU, […]