O abandono do histórico sobrado de número 13 da Travessa do Comércio, no Centro do Rio de Janeiro, vem causando graves problemas para a vizinhança. Na última terça-feira, dia 13, o casarão onde a cantora Carmen Miranda morou com a família entre 1925 e 1931 serviu de acesso para uma invasão e furto ao prédio do Centro Cultural Lado B.
“Quando chegamos para trabalhar, eles ainda estavam no prédio”, disse um dos responsáveis pelo espaço. “Nos últimos meses, já identificamos pelo menos cinco furtos aqui nas redondezas”.
Imagens gravadas por comerciantes mostram que um dos tapumes que protegia a fachada do sobrado de Carmen Miranda — tombado pelo Iphan — foi danificado, e o entra e sai de pessoas em situação de rua e de criminosos tornou-se frequente na região.
Foi justamente por essa brecha que invasores conseguiram acessar o prédio do Lado B na terça-feira, de onde levaram ferramentas de trabalho e os cabos da instalação de ar-condicionado. Algumas obras de arte do acervo também foram retiradas do local, mas acabaram abandonadas no meio do caminho durante a fuga dos suspeitos.
Além da insegurança, o episódio reacendeu a preocupação com a estrutura física da construção histórica, que apresenta sinais nítidos de deterioração desde o desabamento parcial de sua cobertura no ano passado.
“Como pode o imóvel onde morou um ícone do Brasil estar nesse estado e ninguém fazer nada? A Casa de Carmen Miranda deveria ser um ponto turístico, ela é uma figura internacional que representou o Brasil”, desabafou uma vizinha.
Em ruínas, antiga casa de Carmen Miranda vira ponto de acesso para furtos no Centro do Rio
